quarta-feira, 23 de julho de 2008

Chegou o arranque da vinha !


Esta medida vai vigorar durante três campanhas e visa eliminar vinhas e retirar os próprios produtores do sector.

Para ler um um documento resumo sobre a medida, clique aqui.

Para ler o texto integral da Portaria que será publicada dentro de dias, clique aqui.

As candidaturas devem dar entrada nos serviços regionais do Ministério até 5 de Setembro.

Domingos Alvão e o Vinho Verde


Domingos do Espírito Santo Alvão (Porto, 1872 – Porto, 1946) foi um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX. A CVRVV e o Centro Português de Fotografia dispõem de uma excelente colecção dos trabalhos que fez sobre a nossa região.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Aproxima-se a vindima


( clique na imagem para aumentar )


Vem aí a vindima. As previsões que a CVRVV faz com base nos inquéritos aos técnicos a região só estarão prontas no fim da semana, mas creio que não andarão longe de "uma colheita como a do ano passado".

Vamos ter novidades. Várias empresas à procura de uvas. Novos compradores de mosto, as adegas em reorganização. Será que a Viniverde cumpre o projectado e as 7 adegas que a compõem já vão receber as uvas ( e paga-las rapidamente ) em nome da nova sociedade ?

O mapa em cima recorda-nos das produções da última década. E vale a pena faze-lo para nos lembrarmos das asneiras que fizemos em 1998. A produção era limitada, o stock era pequeno e a região deixou inflacionar para além do razoável o preço da uva. Resultado: em 2000, as vendas de Vinho Verde eram inferiores em 20 milhões de litros às de 1998. É essencial saber remunerar a viticultura ( e é justo lembrar que nem sempre o temos feito ) mas não é menos importante perceber que estamos num mercado aberto: se aumentarmos os preços, o cliente tem dezenas de alternativas à sua disposição a melhor preço.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A Flavescência Dourada

( na EVAG em 9 Abril de 2008 os técnicos da região discutem a Flavescência )


Hoje estivemos na berlinda. Todos nós. A região. Pela mão da CAP falou-se da Flavescência Dourada. Tal como uma infestante, as notícias começaram no Público e rapidamente alastraram à Lusa, às rádios e à TV. Fiquei com a ideia que ninguém se preocupava com o Vinho Verde:

- a CAP lá mandou mais uns petardos contra o Ministro;

-o governo e os serviços do Ministério defenderam-se e acusaram os primeiros de manipulação política;

-os jornais venderam mais umas coisas à custa do sector.

A Flavescência Dourada não é assunto para aproveitamentos políticos pela simples razão de que é uma assunto muito sério. A CVRVV tem estudado esta praga. A EVAG já publicou trabalhos e já se fizeram acções de formação. Não se justifica o alarmismo. Mas é importante que os produtores e os técnicos conheçam este problema e saibam como o antecipar e combater.

Seguem-se as ligações para alguns documentos muito completos mas de leitura rápida:

da CVRVV, um estudo do Engº João Garrido aqui;
da DRAPN, um estudo da Engª Maria Amália Xavier aqui;

Quem está fora da Comissão não imagina o número de telefonemas que recebemos num dia destes. Jornais e rádios nacionais e regionais., enfim.

Fica para memória uma pergunta da jornalista de uma rádio nacional: "se esta praga matasse agora todas as vinhas da região, o que é que acontecia na próxima vindima?"

Há cada uma ...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Taxa de Promoção.
A NOSSA taxa de promoção !

A maior parte dos produtores nem se dá conta de que em cada garrafa está a contribuir com 1,3 cêntimos para a Taxa de Promoção. Esta taxa foi criada em 1997 por um Decreto-lei, com o apoio do Conselho Consultivo do IVV, e veio substituir uma série de taxas antigas. De acordo com a lei, a taxa tem dois objectivos:
- contribuir para a coordenação geral do sector, leia-se, financiar o IVV;
- criar um fundo para a promoção genérica dos vinhos.

Na altura o sector reclamou que o IVV fosse financiado pelo Estado e não pelos produtores. Afinal é um instituto público. O Governo concordou e o então Sec. de Estado escreveu às associações uma carta em que garantia que o Estado assumiria gradualmente o financiamento do IVV de tal modo que a Taxa de promoção passaria a ser dedicada a 100% à promoção e não nos 25% iniciais.

A verdade porém é que nada disto sucedeu. O Estado não tem meios para financiar o IVV, pelo que a percentagem da taxa que se destina à promoção nunca chegou aos 40%, ficando o restante para financiar o IVV. Primeiro o IVV precisava destes fundos porque era grande e não tinha recursos. Depois o IVV reduziu-se e agora precisa destes fundos porque é pequeno e não tem recursos. Pelo meio ficou a fase em que o IVV ofereceu o laboratório completamente equipado e certificado à ASAE sem nada receber em troca. E quase um ano em que o IVV financiou o laboratório já da ASAE sem nunca ser ressarcido.

Quando o Ministro Jaime Silva desafiou o sector para lhe propor uma solução de futuro para o IVV eu fui dos que defendi que o Instituto não deveria ser extinto. É justo dizer que o Governo deu ouvidos ao sector. O IVV deve ser ( ainda hoje o defendo ) um instituto pequeno mas que seja um centro de excelência, com competências nas áreas da regulamentação, coordenação e planeamento estratégico do sector, negociação externa. Deve ser, sem dúvida, um instituto público, mas com uma grande abertura ao sector privado. Não só através do Conselho Consultivo ( que é um bom exemplo no sector agrícola ) mas também na própria gestão. O IVV só se valorizaria se anualmente convidasse o sector para apresentar o seu plano e, no fim do exercício, o seu relatório.

Vem isto a propósito da Taxa de Promoção. Não é um assunto de somenos. Os produtores de Vinho Verde contribuem anualmente com aproximadamente 1,2 milhões de euros. Daqui para Lisboa. A maior parte dos quais ficam no IVV. São recursos que nos fazem muita falta.

Seria pois muito útil que, neste momento em que se definem as estratégias e meios de apoio à promoção, o IVV se habituasse a publicar anualmente um breve relatório da taxa de promoção. Que regiões contribuem, quais os valores globais, como são geridos, etc, etc.

Até porque há no sector a ideia que, desde que o IVV perdeu os poderes de fiscalização, há muito vinho no mercado cuja taxa de promoção não é paga. E valia a pena cruzar os dados do IVV com os Dados Nielsen.
No momento em que se vai discutir a aplicação destes fundos para os próximos anos, a transparência é um excelente instrumento de pacificação. É a minha opinião.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Vendas em Junho 2008


( clique na imagem para aumentar )


Fechamos o primeiro semestre. Estão cá fora as vendas de Junho. Nos números gerais perdemos um pouco, cerca de 9%.

O tinto tem um comportamento positivo que é uma boa surpresa. Sobe 10% para 4 milhões de litros. E, curiosamente é uma subida no segmento de maior valor, a garrafa 0,75, sendo que o litro e o garrafão até perdem um pouco. Boas notícias pois no tinto.

O rosado sobe também, e totalmente na garrafa. Compensa aliás a descida no garrafão que representou apenas 5.000 litros este ano.

O branco merece mais reflexão. No geral perdemos cerca de 12%. Na garrafa pouco se notou, descemos menos de 3%. Na garrafa de litro vendemos menos de metade, 1,2M litros este ano contra 2,7 em igual período do ano passado. Idem no garrafão, onde descemos de 2M de litros para uns meros 966 mil litros este ano. Em ano de pouco vinho e aumento de preços, há claramente uma transferência de vendas para os vasilhames de maior valor acrescentado. Tem aqui algum peso a opção de empresas que deliberadamente integraram vinhos de mesa nos seus porfolios precisamente para tomar posição nestes segmentos de maior valor.

Logo que haja dados Nielsen do mercado nacional, aqui os publicarei, para percebermos se esta nossa descida de vendas está em linha com o mercado ( e então mantemos a quota ) ou se estamos abaixo dos colegas das demais regiões.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Stocks a 30 de Junho


( clique na imagem para aumentar )

Nada de novo a notar face aos meses anteriores. Os 30 milhões de litros de branco são curtos, muito curtos, mas não vai faltar vinho certamente. Já os 14 milhões de tinto são largamente excessivos face ao mercado até ao fim do ano.

Duas observações de prudência na leitura do mapa: algumas adegas cooperativas encontram-se classificadas como armazenistas vinificadores engarrafadores pois estão inscritas no IVV nesta categoria. A categoria “adegas cooperativas” subestima pois o vinho que se encontra no sector cooperativo; uma segunda, importante e que com frequência leva a erros de leitura nos mapas. Os “produtores individuais” são mais de 30.000 pessoas. Que isto dizer que os 9 milhões de litros que lá se encontram pode parecer bastante, mas o mais provável é estar repartido em lotes de uma pipa aqui e uma ali, pelo que não deve necessariamente ser tomado como vinho que pode entrar no mercado. Algum poderá.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Decanter, Julho 2008: álcool nos vinhos

A Decanter de Junho inclui um artigo interessante sobre o álcool nos vinhos e a necessidade de o reduzir.

No nosso caso, o estudo feito pela Wine Intelligence aponta precisamente para a leveza do vinho como uma das qualidades que os nossos clientes mais valorizam. A assinatura da nossa campanha deste ano "corpo leve, espírito jovem" aponta precisamente neste sentido.

O nosso tempo é mais de quem procura um vinho subtil do que de quem procura o álcool puro e simples. Além dos efeitos mais conhecidos do álcool, o cliente começa a perceber que álcool significa também calorias. Uma garrafa de vinho com 12 % alc tem aproximadamente 670 calorias.

Mundialmente, os segmentos de mercado com vinhos com menos álcool - é aí que estamos - são os que crescem. Esta orientação tem de ter reflexos na viticultura e na enologia da nossa região. Percebe-se que uma região com problemas históricos de maturação tenha hoje orgulho nos resultados que conseguiu. mas há um ponto em que temos de parar. A alteração dos Estatutos da Região há alguns anos atrás certamente resolveu problemas imediatos a vários produtores, mas será que deu a mensagem certa à região ?

Para ler o artigo da Decanter clique aqui.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Brunello di Montalcino banido dos EUA

Os produtores da Toscânia respiram de alívio. O seu Brunello di Montalcino viu as fronteiras dos EUA serem-lhe barradas durante o mês de Junho. Foram apreendidas centenas de milhares de garrafas e o Ministro da Agricultura Luca Zaia teve de intervir directamente, desautorizando a região. Tudo voltou agora ao normal.

O motivo é simples. Esta DOC estabeleceu nas suas regras que os vinhos são produzidos 100% a partir da casta Sangiovese que é conhecida na região como Brunello. Ora as vendas foram aumentando... e o resto da história é fácil de adivinhar.

Os Norte Americanos naturalmente não são ingénuos. Ingénuo foi quem achou que podia abusar de uma DOC. E o preço foi caro. Os EUA representam 25% do mercado daquela Região.

Acredito que isto foi só uma ameaça. Nós europeus deveriamos ser mais prudentes nas negociações internacionais em que exigimos o direito de usar as DO's como se fossem um património ilimitado nosso. Não podemos dizer que os nosso vinhos são únicos do mundo e depois não cumprir as nossas próprias regras. E temos de ter uma noção clara de que o controle começa dentro de cada empresa e faz parte do nosso compromisso de qualidade para com o cliente.

Este caso tem até um aspecto curioso. Sabendo que a maior parte das suas DO's eram "algo liberais", os nosso amigos Italianos criaram há alguns ano o conceito de DOCG, uma Denominação de Origem que além de controlada, é Garantida. Esta sigla DOCG só foi atribuída regiões com vinhos de grande qualidade e que teriam sistemas de controle muito credíveis. Daí o "G" de garantido...O Brunello é um destes.

O caso presente ainda foi agravado ( diz a imprensa ) pela reacção dos Italianos e em particular da embaixada. Nos EUA, que são uma sociedade mediática avançada, não é possível responder com o silêncio quando se acumulam os pedidos de esclarecimento sobre falsificações do Brunello.

Lição bem disposta: a fraude numa DO é como gastar sem limite no cartão de crédito, só com uma diferença. No cartão de crédito, o juro é de 20% ao ano - a fraude numa DO paga-se com juros a sério. E paga toda a região !

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A reforma da OCM em prática


O IVV, Instituto da Vinha e do Vinho acaba de publicar um documento interessante, designado por "PROGRAMA NACIONAL DE APOIO E ARRANQUE DE VINHA" que inclui as primeiras regras práticas para a aplicação da OCM.

Porque são pontos importantíssimos para a região, cito aqui os relativos ao novo Vitis.

"O modelo de base para aplicação desta medida será o que vigorou no período de 2001 a 2007 para o programa VITIS onde se reestruturou aproximadamente 14% da área de vinha.

Este novo programa pretende continuar com este esforço, aproximadamente 3.715 ha / média ano. Este ritmo permitirá atingir uma taxa de reconversão em 2013, de aproximadamente 25% da superfície total de vinha.

O nível de apoio comunitário será de 50% e nas regiões de convergência esta taxa será de 75% dos custos.

Nível da ajuda: aproximadamente 9.000€/ha (média nacional).

Entrada em aplicação: Agosto de 2008

A renovação das vinhas é um rumo essencial para a região. Não nos enganemos em pensar que o stock baixo de hoje é devido a anos de má produção. Há um efeito conjunto da alta de vendas e o arranque/abandono. A região arrisca-se em breve a não ter uvas. Ou melhor, a ver o vinho subir de preço de tal modo que deixará de ser competitiva.

O nível de stocks que hoje temos já fez aumentar o granel para preços que estão no dobro do ano passado. E certamente as uvas serão pagas a valores superiores também aos da última vindima. Não tenho dúvida nenhuma que nos próximos anos a produção de uva branca de qualidade em vinhas bem instaladas e com elevada produtividade será um negócio rentavel.

O investimento na vinha, com o apoio deste programa Vitis, é o rumo certo para desenvolver a região. Estamos a trabalhar com a DRAPN para desenvolver acções de informação e apoio aos produtores interessados em investir e já soube de três adegas cooperativas que irão fazer o mesmo. Bom sinal. A região mexe!
Para ler o docuemnto completo, clique aqui.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A CVRVV na Maia

As instalações da CVRVV na Maia são muito pouco conhecidas dos nossos produtores.

A instalação de armazenagem de vinhos, construída no fim dos anos 60 situa-se à EN 13 ( Km 06 ) no Concelho da Maia, vizinha da SONAE e frente às tintas CIN. Encontra-se a poucos minutos do Porto de Leixões, do aeroporto e tem acesso por estrada e auto-estrada a cerca de 300 metros.

A sua vocação principal é servir como entreposto de armazenagem de vinhos para os anos de excesso de produção, dispondo para tal de uma capacidade de 7,8 M litros em cubas internas, de cimento e externas em aço inoxidável. Dispõe de um segurança residente e de um serviço de video vigilância. Está em montagem um sistema de controle das capacidades e ocupação das cubas que pode ser gerido à distância via internet.

Dado que a região está com um stock de vinhos limitado, os principais clientes desta instalação têm sido produtores e importadores de vinhos de mesa.

O contrato estabelecido é simples: o produtor escolhe um conjunto de cubas e indica o periodo que as pretende ter à sua disposição, pagando uma pequena renda por esta disponibilidade. A instalação dispõe de báscula, bomba de transfega e mangueiras e encontra-se inscrita na DGAIEC como entreposto de armazenagem público.