segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A feira de vinhos no Continente

Está em curso a feira de vinhos do continente.

Clique aqui para ver a lista completa dos Verdes disponíveis e respectivos preços.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ainda os 100 anos

Parece que anda aí pela imprensa uma azáfama enorme para ver quem é a região demarcada mais antiga.

Naturalmente, é uma "corridinha" que não nos interessa.

Mas vale a pena um par de reflexões.

Em primeiro lugar, ler a Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908 em que D Manuel II, o nosso 36º e último rei demarcou várias regiões. Clique aqui para abrir o ficheiro. É um texto delicioso, certamente a primeira lei quadro das regiões demarcadas Portuguesas ! Demarcou os Verdes, o Dão, Colares, Carcavelos e estabeleceu várias regras de produção. E quanto à nossa região, repare nos concelhos que inclui: Ovar, Estarreja e os três concelhos do "Vinho Verde de Lafões".

Depois uma reflexão sobre a questão do preço. O ambiente económico no início do séc. XX não era de abertura e livre trânsito como hoje. A demarcação correspondeu a um pedido de cada uma destas regiões porque o preço dos respectivos vinhos era demasiado baixo pela entrada de vinho de fora. Queriam pois demarcar para limitar o comércio inter-regional. Não esqueça que, durante décadas, havia limites legais ao trânsito dos vinhos em Portugal. Por exemplo, no tempo do Marquês, as tabernas do Porto estavam entregues em 85% aos vinhos da Real Companhia e só os restantes vendiam os nossos vinhos. E a CVRVV cobrou, até os anos 70, taxas sobre vinhos de mesa que eram vendidos nos "4 concelhos": Porto-Gaia-Maia-Matosinhos". Sobre estas histórias do vinho, é leitura muito interessante o livro "A Vinha e o vinho no século XX" do Professor Orlando Simões, editado pela Celta.

As vistorias de seguradora

Conforme o plano aprovado em Julho pelo Conselho Geral da CVRVV, estamos a iniciar nesta vindima um novo tipo de acção.

Está a ser feito um acompanhamento muito detalhado dos produtores que têm sistematicamente rendimentos por hectare muito elevados: entre 90% e 100% do limite legal. Sendo que o rendimento por hectare limite é de 80 hectolitros, referimo-nos aqui aos produtores que obtiveram em 2007 entre 72 e 80 hl/ha.

O universo inicial compunha-se de 1800 produtores que em 2007 declararam uma produção superior a 90% do rendimento por hectare. A todos foi dirigida uma carta e muitos foram alvo de vistorias por parte das brigadas da CVRVV.

Numa segunda fase, que decorreu nas últimas semanas, equipas da seguradora do Crédito Agrícola, vistoriaram algumas dezenas de produtores com áreas maiores. Seleccionamos 7 concelhos, que tinham maiores produções e, dentro destes, foram visitados os produtores que tinham maiores áreas, e que em 2007 tinham declarado mais de 90%.

Os peritos da seguradora visitaram as vinhas e fizeram, para cada vinha, uma estimativa de produção com base em métodos objectivos: contagem e pesagem de cachos, contagem do número de pés, castas, etc. De cada vinha elaboraram um relatório detalhado, do qual consta também a estimativa de produção.

Na sequência deste, notificamos o produtor da sua produção expectável, sendo certo que só esta será certificada como DOC.

Os resultados das vistorias feitas pela seguradora, já recebidos e processados, podem ser organizados em três grupos:

  • vinhas recentemente abandonadas. Há só dois casos. O produtor foi notificado e a DCP cancelada. Trata-se, em ambos os casos, de firmas em fase de encerramento;
  • vinhas com produções inferiores à declarada em 2007. Neste caso, o produtor é notificado que a sua produção expectável é X e só esta será aceite para VQPRD. caso entenda que terá uma produção superior, as brigadas da CVRVV assistirão à vindima para o confirmar;
  • vinhas com produção superior ao rendimento por hectare.Neste caso, nada a fazer e a lei é clara: o excedente será desclassificado. Porém o relatório da seguradora não deixa dúvidas: em várias vinhas, a produção excederá o limite legal, em uvas de excelente qualidade. A ter em conta na revisão do estatuto da região!
Ainda a propósito das produções, recordo duas acções que fizemos nas últimas semanas:

  • as brigadas da CVRVV identificaram dezenas de vinhas abandonadas e confirmamos, caso a caso, se estas se encontram canceladas na CVRVV para evitar a emissão do manifesto;
  • a DRAPN apressou a realização do cadastro vitícola numa série de produtores quem em conjunto, entendemos serem prioritários pois tinham precisamente produções muito elevadas


domingo, 21 de setembro de 2008

Vendas e stock a 31 de Agosto

( clique na imagem para aumentar )

Estão fechados os números de Agosto. Começamos pelos stocks ( imagem em cima ). O valor é o mais baixo dos último três anos . Realmente é o mais baixo, à, boca da vindima, da última década.

Algumas observações caso esteja a ler estes quadros pela primeira vez:
  • estes dados são obtidos pela soma dos saldos existentes nas respectivas contas correntes;
  • a categoria "adegas" não inclui todas as cooperativas, uma vez que algumas estão registadas como armazenistas, pelo que aparecem na categoria respectiva;
  • não esqueça que o vinho existente nos produtores individuais é também a soma das respectivas contas correntes, pelo que o stock de 2M litros significa que haverá 200 litros aqui, mais 300 ali...

( clique na imagem para aumentar )

As vendas também não nos enchem de alegria. No Verde banco estamos a perder 11% fazer ao ano passado. Já não descíamos há muitos anos. Há aqui dois efeitos conjuntos: a saída de algumas marcas baixo de gama que passaram a vender os seus vinhos como "mesa" e, naturalmente o efeito da crise nacional e externa ( inc o problema cambial com o dolar ). Sabemos pela Nielsen ( ver artigo anterior ) que em Portugal estamos a ganhar quota de mercado, pelo que as outras regiões não podem estar a ter dias fáceis.

O Verde tinto continua a surpreender mês após mês. Já vamos com um aumento de 13%. Após anos a perder mercado, em 2008 a tendência inverte-se e estamos a crescer 13%. E o aumento é no segmento de garrafa 0,75.

Quanto aos restantes produtos, a descida no regional é fácil de entender: os engarrafadores responderam ao baixo stock classificando o seu vinho como VV em alternativa a o desclassificarem para regional. E o espumante continua o seu percurso. São ainda poucos os produtores, pelo que cada negócio influencia os números gerais.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O custo da uva

O preço a que se paga a uva é determinado pelo mercado. A CVRVV não o controla nem tem de o conhecer oficialmente.

E sei.

Mas estive a reflectir sobre uns números e cheguei a isto.

1. Diz um trabalho da nossa direcção regional e agricultura que os custos de exploração da vinha são de 3.983,00 euros/ha/ano. Para uma vinha em cordão simples. Na ramada sobre para o dobro.

2. Diz o registo da CVRVV que a produção média é da 3.900kg de uvas por hectare.

A média é fácil, o produtor de Vinho Verde teria de vender as uvas a 1€ / quilo para não perder dinheiro. É claro que a realidade não é bem assim, os bons produtores tem custos inferiores a este a sobretudo têm produções muito superiores aos 3.900 kg por hectare.

Mas não esqueçamos que há milhares de micro produtores que tem produções abaixo desse limiar. São os tais que não fazem contas.

Não quero ser mal entendido. Não defendo que a uva suba para 1€ / quilo pois bem sei que um aumento deste tipo colocaria em causa a nossa sobrevivência. Mas é essencial aumentar o rendimento das vinhas através do aumento da produção por hectare.

Veja aqui um interessante estudo sobre o custo da uva na região.

O dia do centenário


Hoje a região não faz 100 anos. O que faz um século hoje é a lei que a demarcou com rigor. E daqui a um mês fará 100 anos uma outra lei que estabeleceu as regras de produção.

A região tem uma história fantástica. Espero que consigamos publicar em breve as actas de um congresso que a Universidade do Porto fez sobre a história da região. A organização foi, a meu ver, pouco ambiciosa e um congresso fantástico teve pouquíssimos assistentes.

Porém, sob a forma de livro ( e porque não algumas parte na internet ) poderemos ler episódios bem interessantes como seja a influência do Marquês de Pombal, esse pai do Douro e carrasco dos Minhotos, a quem mandou fechar todas as barras atlânticas acabando nomeadamente com a forte economia exportadora de Viana do Castelo no século XVIII. Ou as origens dos primeiros vinhos no tempo dos romanos. Ou a influência dos Beneditinos em todo o Minho no desenvolvimento dos vinhos. Ou ainda as fronteiras da região que, junto ao Douro e ao Dão, andaram para trás e para a frente a cada nova lei !

Ao longo das próximas semanas, um pouco da nossa história estará exposta em três estações do metro do Porto, e mais tarde do metro de Lisboa.

Se tiver cinco minutos para ler um pouco sobre a história da região, clique aqui.

domingo, 14 de setembro de 2008

Rendimentos por hectare


A equipa da Escola de Gestão do Porto, dirigida pelo Professor Doutor Daniel Bessa, apresentou recentemente um estudo sobre a economia da Região, por encomenda da ANCEVE financiada pelo Ministério da Agricultura.

Um dos pontos mais interessantes do trabalho é a preocupação sobre o rendimento da viticultura. Diz o estudo que o aumento da produção por hectare é um elemento essencial para a sobrevivência do empresário vitícola da região. E, por óbvia consequência, elemento essencial para a sobrevivência da região.

No sistema de informação da CVRVV há muitos dados que nos ajudam a reflectir sobre este assunto.

Primeiro os números gerais. Tendo em conta as Declarações de Colheita e Produção de 2007, estão em produção na região 23.650 hectares, explorados por 28 mil viticultores que produziram no total 93.088.990 kg de uvas. É pois uma produção média de 3.900 kg de uvas por hectare.

Os números surpreendem. Em primeiro lugar porque a Região é efectivamente muito mais pequena do que muitos pensam. E de seguida porque a produção/hectare total é baixíssima.

Só uma nota quanto às áreas. A área indicada não é o total da área inscrita no sistema informático da DRAPN e da CVRVV, mas sim a área que foi indicada como estando em produção nas DCP's.

Veja agora o gráfico seguinte.



O objectivo é determinar qual é a produtividade do nosso vinhedo. Consideramos com limite de produção por hectare o previsto na lei com a taxa de vinificação máxima, 10,666kg por hectare e dividimos as DCP's por escalões de proximidade a este valor.

Por exemplo na primeira coluna, 5900 hectares produziram 10% do rendimento legal na DCP de 2007. Ou seja, estes 5900 hectares produziram 2,8 mil toneladas de uva, quando poderiam ter produzido 62 mil toneladas.

E isto representa 1/4 da Região.

No lado direito do gráfico temos 1500 hectares. Estes são os únicos que produzem valores competitivos. Naturalmente estamos a aproveitar este trabalho para os fiscalizar. É justo dizer que, se aqui ou ali há algum caso menos agradável, na maior parte dos casos são de facto excelentes vinhas, várias aliás premiadas pela CVRVV nos concursos anuais da viticultura. A nossa região também se pode orgulhar de ter excelentes vinhas, que são aliás bons exemplos que merecem visita !

É fundamental identificar bem este fenómeno de baixa produção e intervir. A reconversão da vinha, apoiada pelo Vitis é um passo importante. Fui buscar os rendimentos por hectare de Monção e Melgaço, concelhos onde há muita vinha nova e estão bem acima dos 5.000 kg por hectare. E mesmo assim... não é grande número.

De tudo isto, retiro uma boa notícia: a área de vinha é mais que suficiente para as nossas necessidades previsíveis.

E retiro uma obrigação: temos de investir na vinha.

Dentro de dias será publicado o regime do Vitis para este ano. Aparentemente terá novidades: aprovação dos projectos mais rápida e alternativas à garantia bancária. A ver vamos.

De bicicleta pelo vale do Lima

( foto: Valimar )

Tem excelentes locais para pernoitar. Tem um centro histórico lindo, que convida à caminhada. Tem uma bela gastronomia e grandes vinhos. E, pouca gente sabe, mas de Ponte de Lima partem três ecovias, que são excelentes sugestões para fazer a pé ou de bicicleta visitando o que a nossa região tem de melhor. Aqui fica uma:

Ponte de Lima-Ponte da Barca

Da zona ribeirinha de Ponte de Lima inicie a viagem rio acima. A sinalização da Ecovia só começa aproximadamente 1 km acima e a partir daí o caminho está bem marcado, sempre ao longo da margem. São cerca de 20 kms até Ponte da Barca, com alguma subidas mas nada violento. Piso de terra em bom estado. Ao longo do percurso há bons locais para descansar e comer ( se levar farnel ) ou tomar um banho, mas cuidado com a corrente do Lima. Em Fonte Santa, a 2kms da Barca, a ecovia termina (!) e é preciso fazer o resto pela estrada. Mas já falta pouco.

Dicas:
  • a pista é longa mas não tem grandes inclinações - faz-se em duas horas;
  • o piso é terra nem sempre regular;
  • eu fiz Lima-Barca, almocei e regressei. É um bom plano, mas considere também levar almoço e comer à beira rio;
  • no inverno é alagada nas zonas que correm junto ao rio;
  • o percurso é ao longo do rio, pelo que não passa pelas vinhas
  • leve máquina fotográfica mas resista à tentação de parar a todo o tempo
( foto: Valimar )

Para abrir um ficheiro com o guia das ecovias do Lima muito bem feito pela Valimar clique aqui. Nele encontra não só este percurso , mas ainda outros caminhos para fazer a pé ou de bicicleta.

( clique à direita em "Ecovias" para conhecer mais percursos de bicicleta pelo Vinho Verde )

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vendas no mercado nacional
1º Semestre ( Nielsen )


( clique na imagem para aumentar )

Recebemos o mapa semestral de vendas da Nielsen elaborado para a ANDOVI. A ANDOVI é uma associação nacional que agrupa todas as CVR’s e ainda os institutos públicos do Vinho do Porto e do Vinho da Madeira. Semestralmente distribui um conjunto de mapas de análise do mercado nacional elaborados pela prestigiada empresa Nielsen.

NOTA IMPORTANTE. A tabela que encontra em cima é uma das muitas que o relatório inclui. Esta refere-se às vendas em valor ( € ) na soma dos universos Nielsen ( INA +INCIM ) cobrindo mais de 8.000 pontos de venda em todo o continente. O valor refere-se ao PVP e é calculado em médias ponderadas tendo em conta o volume de vendas de cada loja. É pois um cálculo complexo. Não esqueça que os preços Nielsen, por serem PVP incluem também da restauração e neste caso conta o preço do vinho na ementa.

Vamos então ao mapa. Com uma bela surpresa: crescemos 13,88% e somos o DOC mais vendido em Portugal. Não me lembro de ver isto em nenhum dos anos anteriores. A imagem em cima é o mapa de valores, mas temos um outro com os volumes. Crescemos 17% em valor e 14% em volume, o que bate certo pois sabemos que os preços aumentaram este ano. O que me surpreende é não termos perdido quota. Atenção porém pois temos uma quota de 19,52 em volume e apenas de 17,23 em valor: estamos abaixo do preço médio do mercado que é liderado pelos nosso vizinhos do Douro. Outras observações:
  • o Douro volta a crescer em valor e volume;
  • o vinho de mesa perde. E continuará a perder. Representa 8% do valor e 13% do volume. É um vinho para o segmento de menor preço e, com a maior abertura dos mercados por aí ficará;
  • Terras do Sado mantém uma quota admirável. Mas estará em saldo ? cresce 8% em volume mas estagnou no valor;
  • o Dão, nosso parceiros centenários, crescem muito bem;
  • a Bairrada passa momentos menos fáceis. Em valor e em volume. Como sair disto ? Gosto muito da Bairrada com a qual tenho laços familiares, gosto dos seus vinhos, e era um apreciador do Pedralvites, um belíssimo branco, cuja vinha é atravessada pela A1.
Não nos deixemos porém iludir. O Vinho Verde está a aumentar as vendas em Portugal e na exportação consistentemente desde 2003. É um ciclo que se vai travar este ano com dois efeitos combinados: a menor produção/maior custo e a retracção da economia.

Seja como for são notícias animadoras, que a região bem merece.

Nota: os mapas-base para este artigo estão à disposição, embora alerte para que se trata de ficheiros Excel extensos

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Intervalo

Graças a Deus há coisas destas para nos mantermos bem dispostos.

Um órgão de counicação social bem conhecido de todos tem trocado mails e telefonemas comigo diariamente por causa de um trabalho de fundo sobre a região. Como é habitual nestes casos, estamos a ajudar com nomes, moradas, material, etc.

Há minutos, a pessoa encarregada do trabalho enviou-me a seguinte mensagem:

"Sabendo que os Vinhos Verdes se estendem até território espanhol, vimos por este meio solicitar a sua ajuda no que toca a sugestões de quintas ou o que achar pertinente na temática dos Verdes na região da Galiza."

Até parei para respirar. E sorrir.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Acompanhar a vindima: as cartas e os primeiros varejos à vinha


Talvez por falha nossa, há na região um grande desconhecimento e algumas notícias erradas quanto à fiscalização que a CVRVV faz na época da vindima.

O departamento de fiscalização da CVRVV ( chama-se "Verificação Técnica" ) está integrado no sistema de qualidade da CVRVV, pelo que opera de acordo com um planeamento anual de acções.

No caso da vindima, há um plano específico, cujas linhas mestras são apresentadas e aprovadas pelo Conselho Geral. O plano é depois detalhado. Não é um documento secreto. Encontra-o no sítio da CVRVV aqui.

A cada ano vamos integrando no programa pequenas alterações decorrentes das características da produção desse ano e das lições entretanto aprendidas.

Este ano estamos a orientar o trabalho em torno de uma nova linha. Através das listagens informáticas, identificamos os produtores que sistematicamente têm elevados rendimentos por hectare. É um universo grande, cerca de 1800 viticultores que têm rendimentos próximos do limite legal. Não temos dúvida que esta lista inclui várias situações, como seja a de excelentes viticultores que fazem de facto belas produções. Mas também inclui produtores absentistas que se habituaram a "entregar o manifesto" a alguém que lhe trata da vindima e da papelada, e inclui alguns que pura e simplesmente perderam todo o bom senso.

Estamos pois a fazer, além das acções normais, um controle específico a estes produtores. A todos foi dirigida uma carta informando que, devida a sua elevada produção iriam ser alvo de acções de controle. Vários destes vão ser visitados nos próximos dias por uma equipa de peritos externos que irá estimar a sua produção. E, naturalmente, quem tenha um rendimento expectável de X, não poderá vir a manifestar 3 vezes isso !

Somos a única região no país que faz um controle deste tipo. Importa recordar que só nós e o Douro validamos o rendimento por hectare na entrega DCP e há várias regiões que não têm sequer equipas de fiscalização. Mas, sabendo que todos os anos se exporta vinho a granel para França, que depois nunca aparece engarrafado, já ficamos com uma ideia do que se faz por essa Europa fora.

Duas ideias finais sobre a fiscalização da vindima:
  • os "cumpridores" têm de aceitar que a fiscalização lhes é favorável. Quando enviamos as 1800 cartas, recebi três reclamações duríssimas de viticultores. Os três, com boas vinhas. Porém, temos de perceber que as acções de fiscalização se têm de orientar por dados objectivos e não por uma divisão entre bons e maus. Vai pelo caminho errado quem acha que a selecção de entidades a fiscalizar deve ser feita de outro modo que não seja por regras objectivas;
  • a CVRVV não faz milagres e a região não se pode demitir da função de se autofiscalizar. Não pode descarregar tudo na CVRVV. Li citada como de Einstein uma frase que vem a propósito: "O mundo é um local perigoso, não pelos que fazem mal, mas por causa do que olham e nada fazem ".
A baixa produção deste ano, aliada a um stock baixo e a um mapa de vendas que é muito reconfortante, torna claro que não será uma vindima fácil.

Quatro palavras que são o meu sincero desejo: bom senso, e boa vindima !


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Vitis: um pedido de ajuda !

O IVV - Instituto da Vinha e do Vinho está a rever o programa Vitis, cujo documento final estará pronto nos próximos dias. Estamos a procurar inventariar os problemas de que padeceu o anterior vitis para enviar alguns contributos. Se nos puder ajudar, muito agradecemos: o que correu mal e pode ser corrigido nos próximos vitis ?

Alguns dos pontos que nos indicaram:

  • a dificuldade de os pequenos viticultores obterem garantias bancárias sobretudo por estas serem sem limite temporal;
  • o atraso com que os projectos são aprovados que faz com que os viticultores esperem longos meses por uma resposta e depois tenham de arrancar em cima da hora ou em cima da vindima seguinte.
Envie os seus contributos para o meu endereço: mpinheiro@vinhoverde.pt

Entretanto estamos em contacto com a DRAPN que está a trabalhar exactamente no mesmo sentido, tendo o Director Regional reunido com o IVV na semana passada.

Muito obrigado !

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vinho Verde, 1876


Político, diplomata e académico no fim do século XIX, António Augusto de Aguiar dedicou bastante do seu trabalho aos vinhos e à melhoria da sua qualidade tendo em vista a exportação.

Um produtor de Vinho Verde, amigo, fez-me chegar este texto delicioso, retirado de uma conferência que AAA fez em Lisboa no ano de 1876.

"Afirmam no Porto, que não se póde beber esta peste senão de olho esquerdo fechado, pondo a boca á banda, e alçando a perna direita, como quem ao bebel-o espere os effeitos de uma pedrada.

Obriga a grande careta, em resumo, capaz de metter medo às creanças, e de fazer exclamar as amas: olha o papão, vae-te embora! E no entanto é o mais virtuoso dos vinhos, por ser o que não embriaga com tanta facilidade. Só por isso gosto d’elle. Sabe respeitar a intelligencia.

Em Londres, ao principio, tomavam o vinho verde por uma substancia purgativa, e sobretudo não podiam comprehender como se chamava verde e era roxo!

Não agradou as inglezes e n’isto está dito tudo. E todavia eu tenho predilecção pelo vinho verde. Sem que sejamos da mesma terra, acho este vinho refrigerante, ligando-se optimamente com agua quando é bom. Parece-me mais agradavel que a perdiz faisandée gabada pelo gastronomo. Menos enjoativo que o caviar dos russos, facil de confundir com o oleo de figado de bacalhau, a quem não esteja costumado a comel-o.

É menos repugnante sem duvida, que o Brie mais fino de França, cujo aroma a toda a gente repugna, quando se não exhala do queijo. Não tem bichos, nem está podre. Arranha um pouco as goellas. Sobretudo é difficil aprecial-o á primeira vez; mas outro tanto acontece com as ostras cruas e a musica de Wagner.


Para saber mais sobre o autor, consulte o documento que encontra aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Red Bull Air Race na CVRVV


À semelhança do que sucedeu em 2007, os jardins da CVRVV serão um palco privilegiado para a fantástica corrida de aviões Red Bull Air Race a decorrer nos próximos dias 6 e 7 de Setembro, respectivamente sábado e domingo.

Os jardins da CVRVV estarão pois abertos nos dois dias das 11:30 às 19:00 horas, sendo que pelas 17:00 horas aproximadamente serviremos um Verde de honra.

Alertamos para a necessidade de se inscreverem antecipadamente pois no próprio dia a entrada estará encerrada a quem não se tiver entretanto inscrito.

Tome nota das seguintes instruções importantes:

  • a inscrição é gratuita para 2 pessoas por Agente Económico inscrito na CVRVV e tem o custo de 10€ para os restantes ( por 1 dia para ambos );
  • inscreva-se para mteixeira@vinhoverde.pt , tel 226077302 ( Manuel Teixeira )
  • ao longo do dia haverá serviço de água fresca e quartos de banho;
  • pelas 17:00 será servido um Verde de honra – não é uma refeição ! ;
  • pode trazer uma refeição ligeira e bebidas se pretender ( p.f. use os caixotes do lixo no local );
  • não haverá cadeiras mas terá bastante espaço para se sentar no relvado ou pode trazer a sua cadeira;
  • não será permitida a entrada de assistentes sem a inscrição já feita – em circunstância alguma !

Quanto ao acesso, tenha em conta que a Rua da Restauração e toda a zona histórica do Porto estarão encerradas ao trânsito automóvel. Uma boa solução é tomar o Metro até à estação de S Bento e caminhar até à CVRVV via clérigos.

Para saber mais informação sobre a corrida, clique aqui: http://www.redbullairrace.com

Para saber mais sobre os impedimentos de trânsito, clique aqui: http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/9898

Traga protecção solar e máquina fotográfica !