quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma semana na estrada: primeiro balanço

Tem sido uma semana ímpar e tenho muito entusiasmo em participar nesta acção. Num esforço conjunto da DRAPN, da CVRVV e de mais de uma dezena de associações, cooperativas e caixas de crédito, fizemos uma média de 2 acções de formação/dia sobre o Vitis.

Em cada acção, uma média de 50 a 70 produtores e, motivo de satisfação, em todos os locais tivemos a confirmação de que se preparam projectos conjuntos com áreas superiores a 25 hectares e que beneficiam dos incentivos à união de produtores: uma majoração de 10% nas ajudas e uma extensão do prazo de plantio e enxertia.

Em todos os locais, muito debate e dúvidas. Pedidos de esclarecimento sobre o projecto, bastantes. Claro que muitas das questões relacionam-se com a opção de investir na vinha: vale a pena investir ? Testemunho um mau estar generalizado pelo mau pagamento que as uvas tiveram durante quase uma década.

E porém, que admirável energia têm mais de um milhar de produtores que ao longo da semana se dirigiram às acções de formação. Produtores de todas as idades.

Um pouco por todo o lado, pequenos problemas sobre legalização de vinhas. Uma dor de cabeça.

Alguns apontamentos mais ligeiros:

  • em Ponte de Lima, a primeira acção, encontramos uma sala cheia. Mais de 100 produtores;
  • em Ponte da Barca já havia uma lista de interessados feita pela Adega ( parabéns ! ). curiosamente a sessão decorreu numa escola. Já não me lembrava de estar num edifício em que toca uma campainha a cada hora. Como os anos passam...
  • em Amarante, gente até à porta e muitas perguntas; e uma fila de tractores a entregar uvas à porta !
  • na Aveleda um caso excelente - uma empresa comercial assume-se como dinamizadora da produção e prepara um projecto de reconversão seu e dos viticultores que a ela que queriam juntar:
  • em Guimarães, mais uma sala cheia e um debate quente ( apesar de um frio polar ! ). A sessão terminou com uma prova de vinhos e produtos regionais. Que luxo! A adega anunciou que tratará da elaboração das candidaturas e do fornecimento do material vegetativo, com um parceiro externo;
  • em Braga, num edifício lindo do séc, 18, uma boa reunião, curiosamente com bastantes questões sobre a rentabilidade da vinha. E pela primeira vez falou-se sobre a flavescência dourada - vários produtores terão de arrancar toda a vinha;
  • em Amares, uma reunião surpreendente. Um vitis com mais de 30 hectares já garantido, uma sala cheia e compareceu o vice presidente da Cavagri a cativar os produtores para que entreguem lá as uvas. A adega tem as contas com os sócios em dia ! E mais uma vez se falou da flavescência com preocupação;
  • em Barcelos, uma direcção da adega com energia e inicativa mas uma plateia menos entusiasta. Há trabalho a fazer ! Um produtor anunciou que vai plantar Alvarinho ( algo que ouvimos em vários locais );
  • em Vale de Cambra, uma sala cheia ( foto ). Produtores muito pequenos. Aqui o limite mínimo de 3000 metros é um problema, são pequenos produtores.
E ainda faltam mais algumas acções:

Amanha, sexta-feira pelas 09:30 em Monção e pelas 14:30 em Felgueiras com a presença do Secretário de Estado Luís Vieira.

Na próxima semana, dia 5 às 10:00 na Coop. Agrícola de Paredes, às 14:30 na Frutivinhos e às 18:00 na Sogrape-Quinta de Azevedo.

Quem me conhece sabe quanto evito viagens, reuniões e almoços. Uma semana inteira na estrada é mesmo uma excepção ! Porém este caso é verdadeiramente excepcional. É essencial que a região reconverta a vinha e ninguém se pode furtar a este esforço. Os apoios, que podem chegar aos 12.650 euros/hectare são excelentes e nada garante que se mantenham no futuro.

Colabore também e incentive os produtores a reconverter a vinha. Até 28 de Novembro !

Fotos: produtores em Vale de Cambra e novas vinhas na Aveleda.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais vitis: as acções de formação ( act. 24/10 ) + ( act 28/10 )

O programa de informação quanto ao Vitis está a ser construído dia a dia. Aqui ficam as datas e locais das próximas sessões. Sublinho que estão todas ainda a ser preparadas pela DRAPN e pela CVRVV e carecem de confirmação. A participação nestas sessões é livre e não está limitada aos produtores que entregam habitualmente uvas nesse local. Escolha a que mais lhe convier e compareça no local e hora marcada. Em caso de dúvida, ligue antes para confirmar.

Segunda-feira, 27 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Amarante ( tel. 255 420 150 )
  • 14:30 Quinta da Aveleda ( tel. 255 718 200 )
Terça-feira, 28 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Guimarães ( tel. 253 570 055 )
  • 14:30 Adega Cooperativa de Braga ( tel. 253 626 281 )
Quarta-feira, 29 de Outubro
  • 10:00 Caixa de Crédito Agrícola de Amares ( 253993190 )
  • 14:30 Adega Cooperativa de Barcelos ( tel. 253 831 812 )
Quinta-feira, 30 de Outubro
  • 10:00 Adega Coop de Vale de Cambra ( 256423353 )
Sexta-feira, 31 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Monção ( tel. 251 652 167 )
  • 14:30 Cooperativa Agrícola de Felgueiras ( tel. 255 312 666 )
Quarta-feira, 5 de Novembro
  • 10:00 Coop. Agrícola de Paredes
  • 14:30 Frutivinhos - V. N. Famalicão
  • 18:00 Sogrape - Quinta de Azevedo
Entretanto, se quiser aprofundar os assuntos, clique aqui para aceder à página do IFAP onde encontra mais informação, bem como os impressos necessários para a candidatura.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Vitis na estrada: a região procura investidores

Começou hoje o programa de divulgação do Vitis organizado em articulação entre a DRAPN e a CVRVV.

Equipas conjuntas das duas regiões vão correr a região durante duas semanas, fazendo acções de formação com inúmeros produtores em praticamente todos os concelhos. Começamos da melhor forma, com duas salas cheias de viticultores em Ponte de Lima e, à tarde, em Ponte da Barca.

Parabéns às Direcções das duas adegas, que reuniram tantos produtores interessados neste importante projecto.

Cada sessão inclui uma apresentação a cargo da CVRVV sobre a situação da região que transmite ao viticultor a mensagem de que a região tem uma escassez de matéria prima, pelo que o investimento na vinha será, para os proximos anos, uma excelente opção. Segue-se a segunda apresentação a cargo da DRAPN que foca em muito detalhe as regras do Vitis, os financiamentos, a documentação necessária, etc.

Nos próximos dias ficará pronto um folheto ( imagem ) que será distribuído intensamente pela região e no dia 31 de Outubro pelas 14:30 teremos uma sessão muito especial na Cooperativa Agrícola de Felgueiras: o Secretário de Estado da Agricultura, Dr. Luis Vieira.

A reconversão da vinha da nossa região - agora generosamente apoiada pelo programa Vitis em 9100 euros por hectare - é essencial para o futuro do Vinho Verde.

Caso o leitor esteja em posição de ajudar neste processo, não deixe de o fazer !

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mais uma corrida para a capital...
Os vinhos de mesa com indicação de casta


Já se tornou uma rotina tomar o Alfa das 06:47 para Lisboa às quartas-feiras. A semana passada para reunir com o IVV. Hoje com as restantes CVR's e a Viniportugal.

Um assunto que tem estado em cima da mesa é o do regime dos novos vinhos de mesa com indicação de casta e/ou ano e colheita.

Até hoje, as regras do sector impediam a indicação de casta e ano de colheita nos vinhos de mesa. Só os DOC's ou regionais poderiam ter estas indicações. A nova OCM Vitivinícola permitirá, para os vinhos da colheita 2009/2010 e seguintes, que os vinhos de mesa possam indicar casta e/ou ano de colheita. Passa pois a ser possível vender um vinho com a indicação ( por ex. ) "Touriga Nacional" juntando lotes comprados em várias regiões.

Ora, quem vai controlar este produto e evitar abusos ? Parece-me evidente que, a não haver um controle prévio eficaz, o que vamos ter é uma inflação de vinhos em que os tintos serão todos "Touriga" e os brancos todos "Alvarinho", sendo que a qualidade será proporcional ao preço. Um mau resultado para o sector e o cliente. É pois essencial que se estabeleça um bom sistema de rastreabilidade que favoreça o investidor e o cliente. E uma pergunta para si: estes vinhos devem ser objecto de uma análise físico química, ou basta verificar no manifesto que de facto correspondem à casta plantada ? e devem ser provados ? e devem ter um selo ?

Em termos estratégicos, temos de reflectir bem pois é certo que as denominações de origem mais débeis e os vinhos regionais vão ser canibalizados por esta nova categoria.

Para os produtores e comerciantes será porém uma nova forma de venda. Mais livre talvez. Certamente mais competitiva.

Sobre a fiscalização da vindima...

A vindima aproxima-se do fim. E com ela o stress da entrega ou da compra das uvas. Os preços e os stocks.

Na CVRVV esta época é sempre de grande azáfama. A fiscalização está em pleno na região e em simultâneo preparamos a recepção das DCP's. Como é habitual, é um periodo de grande interacção com os produtores, empresários e dirigentes. Muitos telefonemas, muitas reuniões.

Aqui fica pois o apontamento de algumas preocupações que nos foram chegando:

  • que volume teve a vindima ? só a 15 de Novembro conheceremos com rigor os dados provenientes da entrega das DCP's. Até lá, a impressão de cada um vale o que vale. A minha é baseada nas inúmeras opiniões que recolhi: a vindima é inferior à de 2007;
  • as brigadas vão continuar a registar a entrega de uvas até ao fim da vindima ? sim, vão. No final desta acção teremos um mapa com as entradas de uvas em cada adega e armazenista, mapa este que será confrontado com a respectiva DCP. Assim se assegura que o vinho produzido por cada entidade corresponde a uvas efectivamente recebidas. É um trabalho pesado mas que indiscutivelmente valoriza a viticultura e reforça a garantia de origem da nossa região. Esta medida é única no país e inspirada no que faz a Rioja. Reunimos com os nossos colegas daquela região há alguns meses e estudamos o sistema deles. Na Rioja, há um "vedor" ( é a expressão deles ) que trabalha para a região e está presente na entrada de cada vinificador e adega ao longo da vindima. Anota todas as entregas, tipo de produto e identificação - a Rioja contrata mais de 100 vedores/ano por um mês ! ( que orçamento !) ; a meu ver é um sistema e ficaz.
  • têm ocorrido apreensões ou a detecção de situações violadoras da lei ? Resporta afirmativa - sim - a tudo. Já foram elaborados vários autos que darão origem a processos disciplinares e/ou a participações ao Ministério Público ou à ASAE;
  • porque é que a CVRVV não divulga os resultados da fiscalização ? o plano de fiscalização da vindima está a ser executado de acordo com um programa detalhado que foi aprovado pelo Conselho Geral e é a este que apresentaremos o relatório em primeiro lugar. Por outro lado, é nossa experiência que divulgar "operações espectáculo" acaba por ter os efeitos contrários. Suponha que fazemos uma acção para detectar uma infracção e efectivamente conseguimos apreender uma grande quantidade de produto e identificar os responsáveis. Para si e para nós, trata-se de um sucesso da fiscalização; porém no dia seguinte o título dos jornais será "Mixórdia no Vinho Verde"; será pois apresentado um relatório final, muito detalhado, ao Conselho Geral, do qual retiraremos uma versão resumo para divulgação à região;
Duas últimas palavras:

O aumento do preço da uva e do vinho são o testemunho mais vivo de que a nossa região dispõe de um sistema de controlo que funciona. E acredite caro leitor que os telefonemas de protesto - pelo excesso de controle - que recebemos são a prova cabal que estamos no caminho certo.

Nos próximos meses teremos uma batalha muito mais dura. Havendo menos vinho, os preços já aumentaram. E teremos de lutar num mercado recessivo. Para quem acha que a vindima é um problema, respire fundo: a batalha mais séria vem aí !


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vendas e stocks a 30 de Setembro


( clique na imagem para aumentar )

Aqui estão os mapas finais de Setembro. O stock, como esperado encontra-se baixo, 17 milhões de litros de branco e 9 milhões de tinto. Curiosamente, o stock de rosado quase não diminui.

As vendas mantém a tendência do mês anterior. Estamos a perder no branco, cerca de 5 milhões de litros e, curiosamente , mantemos também a tendência de crescimento no tinto.

( clique na imagem para aumentar )

Importa porém perceber onde perdemos vendas no branco. Na garrafa o,75 perdemos cerca de 700.000 litros, o que não é por ai além percentualmente. Onde descemos com mais significado foi nos segmentos de menor valor: o litro, onde descemos para metade ( 4 para 2 milhões ) e o garrafão, onde perdemos mais de metade, de 3,1 para 1,3 milhões de litros.

Estas perdas têm uma explicação. A escassez de vinho fez com que várias empresas optassem por vender mais em garrafa e reduzir as entregas em garrafão e, num caso com significado, um colega lançou o vinho de mesa en garrafão e garrafa de litro substituindo o Verde.

Estivemos hoje no IVV em Lisboa reunidos com o Presidente, Dr. Afonso Correia que, entre outros assuntos nos mencionou a sua avaliação de que a nível nacional as vendas no segundo semestre perderam força, o que o IVV avalia através da colecta da Taxa de Promoção.

Que ano !

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Investimento na Região - há novo Vitis !


Se há coisa que esta vindima nos diz é que: precisamos de vinha !

E já agora também nos diz que a uva branca não vai descer de preço tão cedo. Recordo um trabalho feito pela CVRVV há algum tempo que indica claramente que estamos a perder área de vinha estruturalmente, o que é incompatível com os aumentos de vendas que temos tido e que precisamos de manter.

Clicando aqui encontra o novo programa Vitis de apoio à reconversão da vinha. O Ministro da Agricultura, Jaime Silva, anunciou no nosso jantar de centenário que seriam aumentados os apoios para a reconversão na região. E de facto assim foi. Mais de 40% !

Outros pontos a ter em conta são a rapidez com que as candidaturas serão analisadas e as modalidades de garantia.

Em articulação com a DRAPN, que tem muito empenho neste investimento, vamos promover acções de divulgação e informação sobre o Vitis.

É urgente investir na vinha e o Vitis é o intrumento ideal para buscarmos apoio.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vinho Verdes nos EUA


As viagens de jornalistas à região produzem sempre resultados positivos em artigos que retratam não só os vinhos mas também toda a nossa paisagem, a vivência e as gentes. Todos os anos organizados vários programas de visitas. Há dias tivemos cá Noruegueses e Franceses. Não vale a pena publicar aqui as dezenas de artigos que são o resultado a cada ano destas visitas.

Fia pois apenas um, no jornal an Francisco Chronicle. Clique aqui para o ler.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Breves !


A correr, com imenso trabalho em atraso, aqui deixo pequenos apontamentos do dia a dia:

  • vamos ter boas notícias em breve quanto ao Vitis. Recordo que o Ministro da Agricultura prometeu, por ocasião do nosso jantar de aniversário que reforçaria os apoios ao investimento na região. Temos trabalhado com o IVV e o Ministério nos últimos dias sobre este assunto. Espero não me enganar, mas poderemos finalmente ter um bom apoio. O diploma é assinado hoje;
  • muitos telefonemas sobre a vindima. Muitos. Temos de ter alguma calma e bom senso;
  • mudanças nos nossos vizinhos do Douro. O Presidente do IVDP, Engº Jorge Monteiro está demissionário. Hoje o Ministro ouve as associações, sobre a nova equipa do IVDP; e haverá em breve eleições na Casa do Douro;
  • mudanças no Ribatejo. O Engº José Gaspar ( ex- Dom teodósio, ex-Raposeira ) preside à CVRR. Uma boa escolha;
  • mudanças no Alentejo. A Dra. Dora Simões ( ex-Viniportugal, ex-Gallo ) preside à CVRA. Uma boa escolha;
  • face aos preços a que estão as uvas, não percebo como há produtores a venderem a preços tão baixos que tornam impossível a reposição. Para muito breve uma acção dura de controle destes vinhos;
  • a nossa região é capa da próxima edição da revista Wine Passion. Boa !
  • a Revista de Vinhos fez uma excelente prova Alvarinhos-Albarinos. A seguir os resultados com expectativa...