sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feliz ano novo !



Esta semana não escrevo. Uns dias de descanso. Volto dia 2.

Aproveite e recupere forças. Com a família e os amigos. 2009 vai ser um ano difícil e teremos de estar a 150%. Pelo menos !

Obrigado pela paciência com que tem lido estes textos e aceite os sinceros votos de um feliz ano novo !

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mondovino !


Jonathan Nassiter foi o realizador e produtor do filme Mondovino, feito em sete locais diferentes, em três continentes. Entrevistado há dias pelo Público, diz-nos que gosta dos nossos vinhos. Acha que temos vinhos com personalidade própria enquanto os restantes se esforçam por fazer vinhos tão iguais quanto possível. Nós também achamos.

É bom saber.

Visite o site do Mondovino aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Nova Direcção na DRAPN

António Vieira Ramalho, jurista de 51 anos, é o novo Director Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Ao seu lado, o Engº António Graça, ex-Vice Presidente do IVDP.

É importante que a DRAPN tenha bons gestores e estabilidade de gestão que lhe permitam afirmar-se na defesa da região. Conheço pessoalmente as pessoas em causa e, sinceramente, deposito neles muita confiança e expectativa. São ambos experientes nestas funções e têm um sentido prático.

É também importante que a DRAPN saiba contar com gestores da área da antiga DRAEDM e da antiga DRATM, atenuando assim as dificuldades naturais do processo de fusão.

Em sentido contrário, começo a perceber que as instalações da DRAPN no Porto podem sair da esfera do Ministério da Agricultura e passar para outras áreas do Estado. Respeito, e porém não me parece brilhante.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vendas e stocks em Novembro


Já com a produção integrada nas contas correntes, temos em stock menos vinho do que no ano passado pela mesma altura. Menos branco e menos tinto. E porém, não viveremos um ano de especial escassez pois que o mercado também não será fácil ao longo do ano.

As vendas, a crescer desde 2000, retrocederam desde o início do primeiro semestre e esta retracção manteve-se até agora.

Estamos a perder mercado sobretudo no branco, a nossa principal bandeira. O regional continua sem grandes novidades.

Curiosamente, na semana passada, a Nielsen revelou uma excelente notícia: o Vinho Verde acaba de atingir a maior quota de mercado de sempre em Portugal: 19,8%. Ora, se nós ganhamos quota num clima de contenção do mercado, então, o que estarão as restantes regiões a vender ?

Porém, não nos deixemos abater por estes números e analisemos melhor as vendas no tal segmento, de branco, em que perdemos mercado. No gráfico da direita pode analisar as vendas de vinho branco, percebendo-se que onde estamos a perder verdadeiramente vendas é nos segmentos de menor valor, o garrafão e a garrafa de 1 litro. No último ano perdemos aproximadamente 8 milhões de litros de vendas ,dos quais 5 milhões nos vasilhmes de garrafão e litro. Note que no período de um ano, as vendas de garrafa de litro caíram 50% e as de garrafão mais de 60% !

Uma reflexão: quando chegará o momento de os agentes da região se sentirem confortáveis com o fim da venda desde DOC em garrafão?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Perfil dos Vinhos

Aproveitando a deslocação ao nosso país do responsável da Wine Intelligence, Brian Howard, tivemos uma conversa para aprofundar alguns pontos do excelente estudo que esta empresa fez para a nossa região no ano passado.

Um dos pontos versou os perfis dos vinhos brancos disponíveis no mercado mundial e como se deve posicionar o nosso Vinho Verde.

Em resposta o Brian enviou uma nova apresentação, bem organizada, que foca muitos pontos, dos quais retiro duas imagens para a sua análise.

Da primeira, uma observação sobretudo para os produtores de Monção e Melgaço. Vejam o que sucedeu com o Pinot Grigio. E que está aliás a suceder mundialmente aos Albariños Galegos.

Da segunda, duas observações. Desde logo o problema do álcool. Continuo a ouvir produtores manifestarem orgulho nas maturações que conseguem e que lhes oferecem vinhos com muito álcool. Mas é isto que o cliente quer ? não estaremos a ir no caminho errado ? veja o que diz o texto "12,5% e, com frequência, bastante menos".

E a este respeito recordo a recente prova feita pela Revista de Vinhos que confrontou os Alvarinhos do Vinho Verde com os Albariños das Rias Baixas. Os vencedores ? foram os vinhos com menos álcool, que foram todos no topo da tabela !

Um segundo ponto quanto aos vinhos de nicho que, obviamente, têm dificuldade em se inserir nestes trabalhos. Nas muitas reuniões que tivemos com a equipa da Wine Intelligence, eles mencionavam ( e ficou no trabalho final ) a necessidade de a região dispor de vinhos-bandeira que sirvam de "farol" de imagem e preço. E porém, quando citavam exemplos, do mundo andávamos sempre na casa das 50 a 100 mil garrafas mínimo. É que para ter um farol, convém que ele dê alguma luz !

Vamos a ver se o Vitis nos ajuda a ter mais uva de qualidade e assim mais vinhos de qualidade em boas quantidades !

domingo, 7 de dezembro de 2008

O vinho mais caro da historia


Ainda não encontrei a edição Portuguesa, pelo que li a edição Brasileira da Zahar. Avidamente .Como num túnel, sem parar do início até ao final.

Em 1985, a casa Christie's de Londres leiloou uma garrafa de Chateaux Lafite Bordéus pela admirável soma de 156.000 USD. O leilão foi muito disputado e o comprador foi nada menos que um filho do famoso empresário Marcom Forbes. Supostamente a garrafa teria sido propriedade de Thomas Jefferson um dos "pais fundadores" dos Estados Unidos e teria ficado dois séculos esquecida numa sala emparedada no subsolo de Paris. Mas seria mesmo assim ? Não conto mais ! É uma parte da história do vinho, mas também da cultura, da paixão e da cobiça. Recomendo vivamente.

Logo que saia por cá, tento avisar. Entretanto, aqui ficam os links:

- da Zahar no Brasil
- do autor.
- da Wook ( Porto Editora ) que vende a edição inglesa por € 17,49

Ou então passe numa Bertrand ou FNAC e encomende qualquer das edições.

O livro não tem nenhuma referência à nossa região. Porém várias ao Porto, ao Madeira e uma muito curiosa ao Lancer's !

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

É um mundo de vinho

Quando faço apresentações ou conferências sobre a nossa região, procuro sempre sublinhar que o vinho não é uma ferramenta para matar a sede. Para isso há imensa água !

É importante falar da ligação do vinho à nossa cultura, à história, ao lazer, aos momentos de alegria e à nossa paixão de viver. E o Vinho Verde é o vinho ideal para este fim.

A imagem ao lado, foi feita com o telemóvel há dias no Terreiro do Paço. É a "sala do marquês", sita ao primeiro andar do Ministério da Agricultura. Naquela sala, hoje usada para apresentações públicas e reuniões de grupos alargados, despachava o Marques de Pombal. É um local cheio de história que só podemos imaginar , uma vez que as paredes não falam.

Ali se despacharam os assuntos do reino, quando este ocupava os cinco continentes. Ali mesmo se assistiu à fuga do Rei e da Corte para o Brasil e semanas depois à entrada dos Franceses. Ali mesmo se deu o Regicídio em 1908. Naquele sala ou ao lado foi assinado o Decreto que instituiu o Vinho Verde em 1908. Ali se deve ter discutido tanta coisa inconfessável durante o Estado Novo. E foi em frente aquelas janelas que decorreu o 25 de Abril, com o Capitão Salgueiro Maia a correr de um lado para o outro. Como é que se chamava o barco que fundeou ao largo do Terreiro do Paço e ameaçou disparar sobre a praça ? não me lembro...

E que stress terá passado por ali na negociação da adesão à Comunidade Europeia em 86 ! Momento para recordar o Engº Virgílio Dantas e toda a equipa que no Ministério, no IVV ( então Junta Nacional do Vinho ) e na CVRVV viveu esse momento histórico.

Em 2001 voltou a fazer-se história neste local quando em 26 de Novembro, milhares de produtores, associações e comerciantes se manifestaram contra a lei da alcoolemia. Um pequeno passo que ( coincidência ou não ) antecedeu a queda do governo.

E tudo isto dentro ou frente a esta sala com um lindo tecto em que estão pintadas as armas de um Portugal imperial que já não existe, agora escorado por uma sólida estrutura de madeira. Simbólico ?

Bom fim de semana !


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vinho de mesa com indicação de casta/ano de colheita

Encontra-se em fase avançada a regulamentação para este tipo de vinhos, pelo que já podemos ter como certas algumas ideias.

De que se trata ? para quando ?
Até hoje, a indicação da casta ou do ano de colheita na rotulagem era exclusiva dos DOC's ou IG's. A partir da campanha 2009/2010, será possível rotular vinhos de mesa com estas duas indicações. E, porque se trata de vinhos de mesa, podem naturalmente ser lotados de vários pontos do país. Por exemlo pode fazer-se um lote com touriga nacional de vários pontos e vende-lo como "Marca X, touriga Nacional 2008". Não pode apenas é haver lote com vinhos de fora do país ou da UE.

Porque é que isto aparece ?
Tradicionalmente na UE entendia-se que a indicação de casta/ano esta exclusiva de vinhos de "topo" com DOC ou IG e sujeitos a um processo de controlo prévio. Porém, no novo mundo nada disto sucede, pelo que se abriu às empresas europeias o acesso às mesmas ferramentas de concorrência.

É pois, no meu entender uma boa noticia, uma excelente notícia.

Surgem-me porém duas preocupações muito grandes:
  • uma principal - que o uso das indicações de casta seja feito com rigor, com verdade;
  • uma complementar - que os mecanismos de controle não se transformem num pesadelo de custos e demoras.
Quanto à primeira, é evidente o valor comercial de algumas castas, Alvarinho, Touriga Nacional. Ora, importa evitar que haja abusos e que com isso se "queime" a designação de alguma casta. E o leitor duvida que, se não houver controle, começará a haver "Alvarinho" e "Touriga" a 95 centimos ?! A meu ver o sistema de controle tem de passar por dois pontos: tem de ser feito por entidades competentes e credíveis e tem de assegurar a rastreabilidade. Quais são estas entidades ? simples, são as CVR's+IVDP reconhecidas nos termos da lei quadro das regiões demarcadas ( DL 212/2004 de 17/08 ) e que cumpram os requisitos na norma 45011. Estas e nenhuma outra. Recuso fortemente que se artibua o controle destes vinhos a empresas de vão de escada. No segundo ponto, eu pessoalmente não entendo ser essencial que haja uma análise fisico-quimica/organopeltica destes vinhos ( há regiões que acham ) mas é imperativo que se assegure a rastreabilidade através da análise das contas correntes e dos DA's que as alimentaram. E mais, é necessário criar um sistema que evite que uma empresa venda mais vinho do que aquele que comprou daquela casta. Pode ser um selo, mas não é necessário, desde que a entidade de controlo tenha acesso à facturação.

Quanto à segunda, parece-me imperativo que haja um pequeno manual de procedimentos a seguir por todas as entidades encarregadas e controlar estes vinhos e que haja um valor fixo da taxa a ser praticado em todo o país.

A propósito destes vinhos, e para terminar , invoco dois exemplos que aqui são úteis:

  • o primeiro é o dos "Garrafeiras" Dão na Dinamarca. O abuso da designação garrafeira levou a que esta designação efectivamente perdesse valor e arrastasse toda a categoria consigo;
  • o segundo é o da crise financeira nacional e mundial;
  • o terceiro é a forma como são atribuídos os "Certificados de Origem" pelas Câmaras de Comércio. ( sobre isto nem comento porque estamos na internet ! )

Uso os exemplos para sublinhar isto. "Mercado" não é a ausência de leis. A sã concorrência, que torna os mercados fortes não se dá num ambiente de balda. Pelo contrário, ela floresce num ambiente de liberdade em que há regras claras e em que há "surpervisão" destas regras e sanções para quem as viola. Liberdade é uma coisa e caos é outra. Rejeito frontalmente o argumento de que se deve deixar tudo a monte porque o "mercado mais tarde saberá seleccionar". No caso dos "Garrafeiras" viu-se; no caso do sub-prime viu-se à saciedade !

Os vinhos de mesa com indicação de ano de colheita e casta são uma oportunidade fantástica e terão sucesso, assim saibamos equilibrar a necessidade e controle com a preocupação na simplicidade de procedimentos. Ambas legítimas.

A batata quente está do lado do IVV.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo)

Data nascimento: 8-4-1875
Data morte: 1944
Formado em direito, foi deputado e ministro da Agricultura. Vogal da Comissão de Inquérito Vinícola e Vitícola, criada por carta de Lei (1908), foram-lhe confiados os distritos de Braga e Viana do Castelo. Em 1914, fomenta a criação da Federação dos Sindicatos Agrícolas do Norte que apresenta ao Conselho Superior de Agricultura um projecto, da sua autoria, intitulado “Regulamento da Produção e Comércio dos Vinhos Verdes”, posteriormente reformulado e regulamentado. Foi um dos últimos proprietários do antiquíssimo Couto de Azevedo, em Barcelos, actualmente na posse da SOGRAPE, Vinhos de Portugal. Presidente da CVR Vinhos Verdes entre 1927 e 1935.

( retirado da página Porto Digital )