sexta-feira, 27 de março de 2009

Alvarinho II - o protocolo

Nós homens não sabemos isto. Mas é assim mesmo: os partos doem. Mesmo que sejam muito desejados, mesmo que sejam muito amados, não há como evitar a dor.

Porém, o que importa ( sobretudo para nós homens que não a sentimos ), não é a dor desse dia, mas sim a alegria de sempre, do novo ser que aí começa.

E o dia de hoje foi mesmo assim.

Chegou hoje ao fim um processo negocial nem sempre fácil, mas com um objectivo claro: unir Monção e Melgaço, os dois concelhos, as autarquias e os produtores para lhe dar mais forma na produção produção e comercialização dos respectivos vinhos.

Em resumo, o acordo assinado pela CVRVV, pelas duas autarquias e pelas duas associações prevê isto:

  • a actual sub-região de Monção assumirá a designação de "Monção e Melgaço";
  • as duas associações, APA e UPA fundir-se-ão numa nova que abarcará os produtores de ambos os concelhos;
  • as festas do Alvarinho de ambos os Concelhos passarão a estar abertas à inscrição dos produtores do concelho vizinho
  • a "rota do alvarinho de melgaço" e o itinerário do Minho da "rota dos Vinhos Verdes" fundir-se-ão sob uma nova marca "Rota do Vinho Verde Alvarinho".
Chegar aqui não foi fácil e porém há um ano atrás ninguém o afirmaria possível. E por muitos percalços que o processo tenha tido ( a publicação extemporânea-incompreensível da Portaria que altera a designação da sub-região é o mais evidente ), o objectivo inicial - ambicioso - está plenamente conseguido.

Mas, chegados a isto pergunta-se: e agora o quê ? mudou-se a designação no rótulo e isso tem alguma relevo ?

Já escrevi o próximo texto. É o próximo que aparecerá aqui ...

terça-feira, 24 de março de 2009

Vitis: dois meses de atraso !

O Governo está ciente do assunto. A administração está ciente do assunto. E nada sucede.

Na região dos Vinhos Verdes, 1100 hectares de vinha nova estão parados, um investimento com valor superior a 11 milhões de euros está parado porque o Estado não dá resposta aos processos.

Tão simples quanto isto.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vinho Verde no Pingo Doce & Feira Nova


Já num texto anterior tinha indicado que as degustações de vinhos no ponto de venda seriam uma das nossas acções prioritárias. Ainda estamos em preparação e a negociar com os retalhistas, mas já é certo que este ano teremos vinhos mais de 140 dias em degustação. Aqui ficam algumas datas e locais do grupo Jerónimo Martins.

Pingo Doce - Rio Tinto 27 a 29 de Março 15h-22h
Pingo Doce Grijó 10 a 12 de Abril 15h-21.30h
Feira Nova - Stª Maria Feira 16 a 18 Abril dia 16 das 17h-23h
Dias 17 e 18 das 15h-23h
Pingo Doce - Águeda 24 a 26 de Abril 15h-21h
Feira Nova - Aveiro 23 e 24 Abril dia 23 17h-23h
dia 24 15h-23h
Pingo Doce - Caldas da Rainha 8 a 10 de Maio 15h-22h
Pingo Doce Torres Novas 15 a 17 de Maio 15h-22h
Pingo Doce - Santarém 22 a 24 de Maio 15h-22h
Pingo Doce - Lourinhã 22 a 24 de Maio 15h-22h
Pingo Doce - Loures 29 a 31 de Maio 15h-22h
Feira Nova - Telheiras 28 a 30 Maio dia 28 17h-23h
dias 29 e 30 das 15h-23h
Feira Nova - Odivelas 4 a 6 de Junho dia 4 17h-24h
dias 5 e 6 15h-24h

Feira Nova - Bela Vista 9 e 12 de Junho 15h-23h
Feira Nova - Sintra 25 a 27 de Junho dia 25 17h-23h
dias 26 e 27 15h-23h
Pingo Doce - Qta Conde 10 a 12 de Julho 17h-22h
Feira Nova - Barreiro 16 a 18 de Julho dia 16 das 17h-23h
dias 17 e 18 das 15h-23h
Pingo Doce Bragança 14 a 16 de Agosto 15h-21h
Pingo Doce Guarda 14 a 16 de Agosto 15h-20.30h
Pingo Doce - Faro 21 a 23 Agosto 15h-22h
Pingo Doce - Olhão 28 a 30 de Agosto 15h-21h


Todos os dias têm pelo menos 3 Vinhos Verdes em prova. Passe por lá para provar bons vinhos e, já agora, dê-nos uma ajuda, transmitindo-nos a sua opinião sobre a forma como a promoção estava a decorrer.

domingo, 22 de março de 2009

Os autarcas que merecemos


Passagem de fim de semana por um dos concelhos mais bonitos da região. Infelizmente um dos mais pobres do país em PIB per capita.

Após uma hora de caminhada paramos numa pequena loja para comprar agua. Vazio. A dona, simpática e conversadeira e contou-nos a novidades do lugar. E uma delas com actualidade: nessa mesma manha o presidente da câmara ia inaugurar uma rua ali perto.

Decidimos ir até lá, e não foi difícil encontrar o local, guiados pelo som dos bombos que acompanhavam a inauguração. E de facto lá estava. O Presidente da câmara, mais alguns engravatados e uns 20 populares. Pouca gente, numa manhã de sábado cheia de sol.

Como era de esperar, mal se calaram os tambores, o autarca discursou. Estava a inaugurar a pavimentação de 250 metros de caminho. Falou meia hora. Anunciou um investimento de 5.000 contos ( sic ) na compra de um terreno para ajardinar ao lado da igreja, mencionou mas uma serie de obras "estruturantes" e disse que estava a pagar as refeições nas escolas. Usou a palavra "requalificação" vezes sem conta. Estamos a requalificar isto, a requalificar aquilo. Falou, repito, meia hora para inaugurar 250 metros de caminho empedrado. No fim pediu desculpa mas não podia ficar porque tinha outra inauguração a seguir. Como disse, daqui até Outubro tinha muita coisa para inaugurar. Terminou, distribuiu sorrisos, apertou mãos e por-se a andar.

O autarca falou 30 minutos para inaugurar um caminho de 250 metros. Disse "requalificação" mais de dez vezes. E nem uma só vez falou de emprego e de empresas. Falou 30 minutos sobre obras e nem uma só vez mencionou as pessoas que vivem num dos concelhos mais pobres de Portugal. Não falou da criação de empresas e de valor para o concelho. Como se a câmara fosse apenas um fazedor de obras.

No fim, meteu-se no carro e pôs-se a andar. Frenezim de campanha. Atrás dele ia outro fulano, gorducho com uma camisa apertada. Num Mercedes daqueles que só os homens importantes usam. De um azul lindo. Está tudo dito.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Repensar a região ?

Um dos pensadores mais livres do nosso jornalismo de vinhos chama-se Aníbal Coutinho. Não só escrevendo sobre os vinhos mas também sobre a organização das regiões e a nossa estratégia vitícola, enológica e de mercado. Para que fique claro não subscrevo uma boa parte da sua tese sobre a reorganização das DO's. E porém valorizo aqui, como sempre, quem pensa pela sua cabeça, com dedicação e lealdade ao sector. Até porque muito do que diz nos deve fazer repensar a nossa realizado mesmo que não seja no sentido que o autor propõe. É o caso.

Por isso, com a autorização do autor, aqui reproduzo a introdução que publica no seu livro "TOP10 Vinhos - Portugal da editora DK Civilização",

"O Vinho Verde é um produto único no mundo. Leve, aromático, medianamente alcoólico, não deve ser confundido com outros vinhos brancos de qualidade que se produzem na região. Apesar de não se tratar de uma sub-divisão oficial, os vinhos de qualidade desta região podem ser agrupados de seguinte forma:


Vinho Verde DOC

Vinho com frescura ácida, adequada compensação doce e teor alcoólico ligeiro entre 8,5 e 11,5%, resultante de vinificação de uvas frescas ou mostos imediatamente antes do engarrafamento. Quer devido à dissolução de gás carbónico natural ou à sua inclusão antes do engarrafamento, este vinho tem uma percepção gasosa notada. Na cor branca, é um tipo de vinho único, com grandes marcas de reconhecimento mundial, um dos maiores embaixadores do vinho português. Na versão tinta, é um vinho com características organolépticas de intensa vinosidade, com um forte consumo no seio da região devido à sua associação tradicional com a gastronomia minhota.


Vinho Verde Clássico DOC (Designação não oficial)

Vinho branco ou tinto que decorre do processo clássico de fermentação de brancos ou de tintos, feito a partir de uvas frescas ou mostos das variedades recomendadas e/ou autorizadas na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, com teor alcoólico igual ou superior a 11, 5 % e inferior ou igual a 14 %. São vinhos feitos de produções com menor rendimento, que podem melhorar as suas qualidades organolépticas com fermentação e/ou estágio em recipientes de madeira. Ao contrário do Vinho Verde DOC, o nível de gás carbónico dissolvido é muito limitado.


Vinho Verde Alvarinho DOC

Denominação Oficial com as características de Vinho Verde Clássico em que a casta predominante é a Alvarinho incluída num mínimo de 85%, exclusiva da sub-região de Monção. Mais uma dezena de castas da região podem usar esta denominação varietal.


Vinho Regional Minho

Vinho produzido na região dos Vinhos Verdes mas que não cumpre os estatutos para a Denominação de Origem, nas castas, no limite superior do teor alcoólico ou noutros requisitos, mas que deve superar a prova organoléptica exigível aos vinhos DOC.


Outras DOC

A região dos vinhos verdes tem ainda legislação aprovada para a certificação de Denominação de Origem Controlada de Espumantes e Aguardentes, sendo crescente o número de produtores que aderem a estes produtos vínicos, cuja aceitação pelos consumidores também revela a mesma tendência."


quinta-feira, 19 de março de 2009

Vendas e stocks em Fevereiro:
Finalmente boas notícias !


Fevereiro correu menos mal. Janeiro tinha sido um mês mau com quedas em todos os segmentos, fazendo antecipar um ano muito negro. E porém, Fevereiro já corrigiu em melhor sentido. Passemos a ver mapa a mapa.

O mapa dos stocks ( em cima ) apresenta valores ligeiramente inferiores aos do ano anterior. Estamos pois numa evolução já conhecida e que não surpreende. O segundo mapa ( ao lado esquerdo ) confirma alguma descida no branco e um comportamento muito interessante no tinto, que resiste bem.

Sabemos porém ( ver mapas anteriores ) que a descida no branco se deve sobretdo aos vasilhames de litro e garrafão onde estamos a perder fortemente e não tanto na garrafa.

Decidi pois testar um novo mapa que alimentarei ao longo do ano e que nos permite ir monitorizando as vendas mês a mês em comparação com igual mês do ano anterior. Veja-o em baixo. Em diferença com os mapas habituais, este tem valores mensais e não os acumulados e refere-se apenas ao vasilhame de o,75 cl, que representa aliás a força de vendas da região.

A situação é assim bem mais clara. No tinto estamos acima de 2008 nos dois meses consecutivos. No branco perdemos muito em Janeiro mas em Fevereiro já ficamos apenas a 200.000 litros do vendido em Fevereiro de 2008.

São notícias menos más. Mas o ano ainda vai no início...


terça-feira, 17 de março de 2009

As alfandegas e o IEC


"A Comissão Europeia interpôs, no passado mês de Fevereiro, um recurso no Tribunal das Comunidades Europeias contra Portugal, por considerar que a notificação prévia das expedições de produtos sujeitos a Impostos Especiais de Consumo (IEC) viola as disposições comunitárias em matéria de circulação e detenção de produtos sujeitos a IEC."

Li este texto no boletim informativo de uma sociedade de advogados ( obrigado ao amigo pelo mail ) e não pude conter o sorriso. Andaram as associações anos e anos a reclamar com as exigências disparatadas do código do IEC e ninguém nos ouvia. Foi preciso vir a Europa...

O sistema de controlo dos IEC's no nosso país tem obviamente pontos positivos mas é também um complexo de equívocos. Merecia ser avaliado, não numa perspectiva anti-IEC, mas sim com o objectivo de que o controlo do imposto possa ser eficaz mas também SIMPLES e discreto. É claro que o Estado deve ter mecanismos de controle muito poderosos até porque o prémio à fraude é muito elevado dado o valor do imposto. E porém, não pode o sistema de controlo levar - como levou - a que dezenas e empresas sérias abandonassem o negócio dos destilados para evitar os custos que o controle acarreta. E como podemos ver impávidos que debaixo de todo o balcão aparece uma garrafita de aguardente ?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ainda o vitis

O que se está a passar no programa Vitis ultrapassa qualquer argumento do mundo do bom senso.

A nossa região precisa de reconverter a vinha. Temos de reduzir custos, de produzir melhor e, claramente de aumentar a produção base de uva de qualidade. E para isso temos dois parceiros excelentes:
  • o programa Vitis, financiado pela UE que apoia o investimento na reconversão da vinha, e
  • um grupo de investidores espalhados por toda a região que está disponível a avançar para a reconversão das suas vinhas.

Tudo bem ? não: TUDO MAL. E porquê ?

Tão só porque o estado português não aprova as candidaturas apresentadas. E prossegue calmamente como se nada se passasse, preparando-se para as aprovar em Maio, altura em que exigirá que os produtores arranquem as vinhas já podadas e tratadas. Ou em alternativa que se endividem junto da banca para obterem as garantias bancárias que a lei exige.

E o mais admirável em tudo isto é que ainda não encontrei na administração uma só pessoa que não esteja sinceramente empenhada em que isto avance. E não estou a ser irónico. Há aliás muita gente a trabalhar duramente para que o processo avance.

Vejamos então porque é que as candidaturas avançam tão lentamente. Esta é a minha opinião pessoal das conversas e correspondência que fui trocando:
  • não houve preparação prévia e articulação entre a administração - IFAP-IVV-DRAPN. Sendo que a portaria obrigava a dar resposta às candidaturas até 31/01, tornava-se necessário que os técnicos destas três entidades se encontrassem, acordassem procedimentos e fizessem formação mútua. Não o fizeram. A nossa administração continua a não trabalhar como uma equipa coesa;
  • não houve preparação prévia dos candidatos no que diz respeito aos processos. Um dos principais motivos dos atrasos é que as candidaturas não estão munidas de toda a documentação necessária, estão incompletas, o que obriga a um processo de notificação. Teria sido essencial que se fizesse uma formação prévia ao final do prazo de entrega das candidaturas para que os responsáveis por cada candidatura ( pelo menos as agrupadas ) estivessem munidos com toda a informação;
  • a informática do IFAP está manifestamente incapaz de dar resposta. Os programas informáticos para a gestão das candidaturas deveriam ter estado disponíveis antes de estas darem entrada ( nem de perto estiveram ), as comunicações deveriam ter sido testadas e reforçadas ( não foram ) e deveria ter sido dada formação aos operadores. Hoje podemos afirmar que algumas candidaturas estariam já aprovadas se tivessem sido tratadas em papel e não em sistema informático;
  • a constante mudança de regras pós candidaturas origina circunstâncias caricatas ( primeiro as ajudas nas agrupadas eram pagas ao agricultor, depois à organização e agora novamente ao agricultor ) ou então graves - agora querem que nas agrupadas se anexe uma procuração de cada um dos produtores. ATENÇÃO: não é uma regra inicial - é algo de que hoje se lembraram. Logo hoje que está sol ...
  • a informática do IVV está manifestamente aquém do esperado. Oportunamente escreverei aqui sobre a transferência do cadastro da DRAPN para o IVV
O resultado de tudo isto é que estamos a 16 de Março e as candidaturas que deveriam ter tido resposta a 31 de Janeiro ainda não foram despachadas. Nem dez. Nem cinco. Nem uma.

Repito que as pessoas que contacto na administração estão sinceramente empenhadas em ajudar a resolver o assunto. E porém, cada pessoa, cada departamento, cada instituição está sempre dependente de terceiros, de pareceres, de dúvidas, enfim de um sem número de factores que não controla.

Choca-me ver a como a nossa classe política se ufana em tratar nas palminhas qualquer estrangeiro que pretenda abrir uma fabriqueta e como se apressa a garantir-lhe todos os financiamentos, as acções de formação, as estradas de acesso e as fitas para cortar. E porém, aqui temos centenas de investidores ineressados em desenvolver uma actividade que cria postos de trabalho no interior, uma actividade exportadora e não poluente e ninguém se prepcupa muito com isso.

Já o escrevi aqui que temos mantido um excelente relacionamento com esta equipa governativa. Mas mau era se isso me impedisse de escrever aqui o que penso: o que se passa com o Vitis é

inadmissível !




sexta-feira, 13 de março de 2009

Como promover nos hipermercados ?


Quando o ano se começou a anunciar difícil, fizemos várias alterações no plano de investimentos em marketing. Uma destas foi o reforço das acções de promoção no ponto de venda. Isto com um objectivo simples: apoiar directamente o crescimento das vendas.

Todos os anos fazemos acções de desgustação nas grandes superfícies. Estas representam mais de 75% dos vinhos vendidos no país. As acções de degustação são acordadas com o gerente da respectiva loja e decorrem de forma simples: na zona de vinhos, uma promotora nossa convida os visitantes a provarem os dos Vinhos Verdes que tem num balcão. O efeito esperado é que o cliente, que entra na zona de vinhos ainda sem um objectivo definido, prove um Vinho Verde e esta prova gere imediatamente uma venda. Este ano vamos pois estar mais de 130 dias em degustações em praticamente toda as redes de distribuição do país.

Nos últimos dias dois produtores contestaram esta acção e um deles, uma Senhora, teve o cuidado de nos escrever a colocar a sua reflexão. O argumento é este: estas acções, em que só participam os vinhos que estão já listados na respectiva loja, são inevitavelmente discriminatórias pois deixam de fora todos os outros, com a agravante de contribuírem ainda para fazer crescer mais os vinhos já listados em detrimento dos demais.

Qual é a sua opinião ?

Reflexões minhas.

1. Eu defendo que este ano e possivelmente em 2010 não devemos abandonar o marketing mais estratégico, a formação, mas devemos reforçar todas as acções que possam gerar vendas imediatas. Se for possível ( como é este ano, por exemplo ) reduzir a publicidade na Bélgica ou em Espanha, mercados muito periféricos, e em contrapartida fazer promoções no ponto de venda, parece-me a opção certa.

2. Fazer degustações no ponto de venda significa usar a rede comercial que há. Não vamos inventar outra. E a rede que há é cada vez mais simples: 75% do vinho vende-se nas grandes cadeias da distribuição moderna. Fazer promoção fora destas é contrariar o bom senso.

3. Fazendo acções nas grandes superfícies, como dar a provar vinhos que não estejam listados ? que sentido faz ? neste caso não é que as grandes superfícies nos imponham só dar a provar os vinhos listados. É mais do que isso. É que só faz sentido dar a provar estes. Que reacção teria um cliente se lhe dessem a provar um vinho e depois lhe dissessem que este não estava à venda naquela loja ?

4. É claro que aqui há uma inevitável descriminação: quem não está listado nessa loja fica de fora. E porém quem fica "dentro" representa 75% das vendas. Não é pouco...

Noto que a CVRVV nunca faz nem financia acções que só beneficiem um conjunto muito restrito de empresas. Por exemplo, tivemos a proposta de fazer degustações numa rede de 14 restauranes, cuja ementa aliás se adequa muito aos nosso vinhos. A ideia era ter uma promotora que recebe os clientes e lhes oferece uma prova de Verdes na mesa enquanto estes lêem a ementa. Interessante. Porém não o fizemos pois nessa rede só estão listadas duas marcas de Verde e estas não quiseram financiar a acção.

Porém num hipermercado não é isso que se passa. Tome por exemplo o Continente: na sua rede de lojas estão disponíveis mais de 50 referências de Vinhos Verdes. Veja aqui. São pequenos produtores, grandes, cooperativas. Branco, tinto e rosado, com preços desde 1,29€ por garrafa até aos 19,44€ da Brejoeira.

Eu defendo pois que se devem fazer acções deste tipo porque estas geram valor para a região. Um valor muito superior ao investimentos que acarretam.

E porém uma outra pergunta deve ter resposta: como fazer acções no ponto de venda que favoreçam os pequenos produtores ? Ora, não é fácil nem prático. Podemos fazer acções em garrafeiras ( fazemos algumas ) mas a produtividade é baixíssima. Não se compara o número de pessoas que passam por uma garrafeira/hora com as que passam num hiper/supermercado. E o custo hora de uma promotora é fixo.

A CVRVV desenvolve anualmente uma iniciativa que é particularmente eficaz para ajudar na promoção das marcas mais pequenas e das quais se espera que ofereçam melhor qualidade: o concurso de vinhos engarrafados. O prazo de candidatura está aberto e apelamos fortemente para que os produtores se inscrevam. Hoje mesmo uma rede de supermercados nos pediu uma lista de produtores para a alargar o seu fornecimento. Como respondemos ? com a lista de premiados do último concurso.

Notas finais:
  • clique aqui para abrir uma apresentação da Nielsen sobre a importância da distribuição moderna no nosso mercado de vinhos e sobre o mercado de vinhos em 2008;
  • muito obrigado à produtora que nos escreveu !

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vinho Verde nos EUA


As iniciativas mais recentes que temos feito nos EUA, a par da visita de dois grupos de jornalistas daquele país no último mês, revelam uma mudança profunda no posicionamento dos Vinhos Verdes no mercado Norte Americano.

Há alguns anos atrás era com dificuldade que se enchia uma sala com jornalistas de menos relevo, alguns vendedores de publicidade e meia dúzia de bebedores de copos. Hoje, cada prova que fazemos naquele mercado tem a presença garantida de alguns jornalistas de topo, o mesmo tendo sucedido com a recente visita à nossa região de dois grupos de jornalistas de referência e importadores com muito interesse. E também já não estamos confinados ao mercado étnico Luso. A maior parte dos visitantes estão bem fora desse ( importante ) mercado e estamos a exportar para estados como o Texas ou o Nevada, onde a presença de comunidades portuguesas não tem significado.

E assim se justifica que temos estado com taxas de crescimento superiores a 10% naquele país.

Clique na imagem de topo deste artigo para aceder à página de um Luso descendente, hoje jornalista de vinhos e gastronomia naquele país.

terça-feira, 10 de março de 2009

Sobre a importancia da distribuição

( clique na imagem para aumentar )


Em conversa com um produtor há dias, abordamos o problema do relacionamento com os hipermercados e a distribuição moderna em geral. Parece certo que em 2009 o número de marcas em linha irá descer. Uma maior concentração da oferta. E a pressão sobre os preços é cada vez maior.

Retirei o mapa de cima de uma apresentação que a Nielsen faz todos os anos na CAP em Lisboa. Ao longo dos anos 80 e 90 tivemos uma baixa significativa da importância do pequeno comércio. Nesta década, sendo certo que o comercio tradicional já representa pouco do nosso negocio, uma nova tendência: o crescimento de importância das cadeias de desconto.

Nestas duas fases há vários fios condutores. Um deles é o da constante redução do número de marcas no linear. E não é um processo reversível nos próximos tempos. Conforme vê no mapa, já foi sustido o crescimento dos hipers e o que cresce nos nosso dias são cadeias como a Lidl e o Minipreço.

domingo, 1 de março de 2009

António do Lago Cerqueira

Data nascimento: 11-10-1880
Data morte: 1945-10-28
António Lago Cerqueira teve um papel activo na área da política e da viticultura.

Foi presidente do município de Amarante e consegue chegar a deputado em duas legislaturas. Em 1925, foi Ministro do Trabalho e dos Negócios Estrangeiros num governo de António Maria da Silva. Mais tarde, por questões ideológicas, foi obrigado a exilar-se em Paris, onde se dedica ao estudo da vitivinicultura, obtendo um curso de viticultura e vinificação no “Institut National Agronomique”.

Quando regressa a Portugal, põe em prática os conhecimentos adquiridos na sua propriedade “Caves da Calçada”. Os seus vinhos ganharam fama em território nacional e internacional.