terça-feira, 30 de junho de 2009

As marcas, o leite e o vinho



Abrir os jornais nestes dias dá-nos uma visão dura do que é o mercado do leite. Há um enorme excedente, nacional e europeu, os preços baixaram de tal modo que o produtor tem prejuízo a cada litro que vende e começam as manifestações de rua. Em Portugal e em vários estados membros da UE.

O problema do leite é certamente complexo. Não pretendo, nem seria capaz de o abordar na totalidade, nem V. estaria na disposição de o ler !

Mas há um ponto em que nós, gente do vinho, deveríamos reflectir. E os produtores do chamado "Vinho Alvarinho" muito em especial.

Durante anos, os produtores de leite concentraram-se em fazer um produto mais ou menos genérico, indistinto, com a maior qualidade e eficácia económica possível. E tiveram sucesso. A sua comunicação seguiu o mesmo rumo: durante anos falaram-nos desse produto genérico, o "leite".

Era bom beber leite, era preciso beber leite, o leite era bom para a saúde. Repare na imagem que está em cima. É de uma campanha dos nossos colegas da FENALAC, a federação que agrupa as cooperativas produtoras de leite. A campanha, financiada pela UE, foi apresentada pela FENALAC com os seguintes objectivos:
  • "Impulsionar a imagem do leite junto do consumidor como alimento essencial e insubstituível,
  • Apresentar o leite como alimento multifacetado, adequado aos estilos de vida modernos e às necessidades específicas dos diferentes tipos de consumidores (jovens, mulheres, idosos, etc.),
  • Estimular o consumo de leite por parte dos mais jovens, promovendo a imagem do leite como alimento que nos acompanha desde a infância adequando-se, no entanto, às posteriores fase de vida."
Então o que é que os promotores querem que nós, clientes de leite, concluamos desta campanha ? que o leite é um produto genérico e faz bem.

Optimo, vou ao supermercado e compro o que for mais barato !

O cliente percebeu isto que lhe disseram ao longo de anos e seguiu exactamente este rumo. Considerou o leite como um produto genérico ( uma "commodity" ) em que um é igual ao outro, só diferindo no preço. Do mesmo modo que a electricidade da EDP é igual à da ENDESA, só diferindo também no preço.

E assim hoje, em cima da hora, os produtores de leite vêem-se forçados a ir para a rua reclamar que se consuma "leite português". Qual leite português ? o da marca Continente ? o da marca Pingo Doce ?

A diferenciação ( versus "commodity" ) é um ponto essencial da estratégia que deve nortear o vinho. Diferenciação no produto e, obviamente diferenciação na comunicação que dele fazemos ao cliente. A abertura crescente do mercado dos vinhos de mesa ainda virá valorizar mais esta diferenciação. Temos pois que fazer - todos os dias - o reforço da nossa denominação de origem, o "Vinho Verde" e das nossas marcas. E preciso que o cliente tenha claro que o Vinho Verde é diferente dos outros ( e por isso insistimos na assinatura "não há outro assim" ) e que valorize as nossas marcas em concreto.

Uma análise das tabelas de investimento em comunicação no Vinho Verde permite-nos concluir que a CVRVV e mais três/quatro empresas representam práticamente toda a comunicação que se faz. Ora não pode ser. É preciso falar mais com o cliente. E também falar de forma mais eficaz: fugir ao "anúncio" proposto pelo vendedor de publicidade e definir uma estratégia de comunicação na qual a publicidade é um instrumento que é usado sim, mas de acordo com os meios e calendário que nós definimos à partida. Perdoe-me a franqueza mas o número de páginas de publicidade a vinhos ( de todas as regiões ) que se inserem em publicações menores e sem qualquer retorno, dariam para fazer uma belíssima campanha.

Uma observação quanto ao "Vinho Alvarinho". Se o que promovemos é simplesmente o "Vinho Alvarinho", então que diferença é que fica na cabeça do cliente entre um Alvarinho de Melgaço e um outro de Torres Vedras ? Não estarão as acções do "Vinho Alvarinho" a seguir exactamente o mesmo caminho dos produtores de leite ?

Nota : se tiver mais cinco minutos, ligue o som do computador e veja estas duas campanhas em sentidos bem diversos:

Nota II : este texto é uma opinião pessoal, não tendo quaisquer pretensões na área do marketing para as quais naturalmente não tenho formação. Fica à sua consideração.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A grande distribuição, as marcas próprias... e a crise

Quase ao mesmo tempo, a APED ( associação representativa da distribuição ) e a Nielsen divulgaram dados sobre o retalho no primeiro semestre com particular ênfase na distribuição "moderna" e nas suas marcas.

A primeira constatação ( em cima ) é a da quase estagnação da vendas, que mesmo assim crescem 2,2% face a igual período do ano anterior. Com uma inflação de 0% é apesar de tudo melhor que as expectativas.

O segundo gráfico ( baixo ) vai mais fundo e mostra o agravar de uma tendência que é sólida nos últimos anos: o comércio tradicional perde quota. Já num post anterior tinha mencionado este ponto.

Veja apenas esta comparação: em 1987 o mercado nacional era dominado pelos estabelecimentos tradicionais com 74%, seguido pelos supermercados com 20% e dos recém aparecidos hipermercados com apenas 5,4%. Dez anos depois, em 1997, os tradicionais perderam 2/3 do mercado e só representavam 25%, e a liderança do mercado era repartida entre os hipermercados e os supermercados de igual modo com cerca de 37%. Hoje, em 2007, os tradicionais representam pouco mais de 10%, sendo que os restantes 90% são repartidos de forma quase igual entre os hipers, os supers pequenos e os grandes. E o que vemos neste gráfico não é senão que os clientes respondem à crise aprofundando ainda mais esta tendência: os tradicionais são o único segmento que perde quota.

Ora isto é um problema pois, apesar de gerarem vendas muito elevadas ( só o Pingo Doce tem 350 garrafeiras ), a centralização de compras e a necessidade de maximizar o "linear" faz com que estes compradores optem por ter um portefólio muito limitado de marcas de grande rotação, eventualmente com uma ou duas marcas de nicho e não mais.

Um outro efeito é o das marcas do comprador. Que crescem, reduzindo ainda mais o espaço disponível para as marcas dos produtores. Os dois gráficos finais retratam esta tendência.

O cliente encontra na marca da distribuição uma boa relação qualidade preço, naturalmente esta encontra-se bem posicionada no linear e as vendas crescem.

As vendas com marca própria na distribuição moderna representam ( fonte APED ) já cerca de 33% da facturação global das principais cadeias. Nas bebidas alcoólicas estamos ainda a 11,7%.

O crescimento é gradual e seguro conforme pode constatar no último gráfico: em todo o período estudado, as marcas brancas comportam-se melhor que as marcas do produtor. Resta saber que rentabilidade é que geraram para quem forneceu estes produtos. No sector dos vinhos todos conhecemos de casos de empresas que se entusiasmaram com o volume e, ao longo do contrato, perceberam que estavam afinal a financiar o cliente.

O mercado nacional não está pois nada fácil para pequenas marcas e pequenos produtores.


Nota: clique em cada um dos gráficos para aumentar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vitis, Flavescência Dourada
Formação 1 Julho 14:00 horas

Uma oportuna iniciativa da Adega Cooperativa de Ponte da Barca e da respectiva Câmara Municipal vem abordar novamente o problema da Flavescência Dourada. Temo vivamente que seja um assunto ao qual não se tem dado a importância que este merece, tendo em conta não só a gravidade da doença mas ainda a existência, um pouco por toda a região, de pequenas vinhas abandonadas que podem servir de rastilho para as boas vinhas que estão na vizinhança.

A formação está aberta a todos os interessados.

Consulte mais informação clicando aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dar Sangue: 2 de Julho na CVRVV

À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, o Instituto Português de Sangue (IPS) solicita de novo a nossa ajuda, uma vez que as necessidades de sangue nos vários hospitais são cada vez maiores.

A CVRVV associa-se com muito gosto a esta campanha, pelo que será montado um posto de recolha nas nossas instalações.

Como em acções anteriores, todos os interessados com mais de 18 anos e peso superior a 50 Kg serão considerados aptos para a respectiva dádiva. Estará presente uma equipa médica para fazer a respectiva triagem.

A respectiva colheita ficou agendada para o próximo dia 2 de Julho (09:00 - 12:30; 14:00 - 17:00), nas nossas instalações.

Se estiver interessado deverá fazer a prévia inscrição junto do Secretariado, até ao dia 30 de Junho, através do tel.: 22 607 73 07 ou e-mail: ssecretariado@vinhoverde.pt.

Esta recolha está aberta a todos os interessados. Se puder cativar mais dadores, está também a dar uma excelente ajuda !


E já agora, veja os resultados da Colheita de Sangue realizada no dia 28 de Novembro de 2008:

- Inscritos: 85

- Colheitas: 61

quinta-feira, 18 de junho de 2009

VINEXPO: quartos disponíveis


Dado que vários de nós regressam da Vinexpo mais cedo, temos disponíveis alguns quartos na Maison de la Promotion Sociale. São três singles com entrada a 23, terça e saída quinta 25. O preço com pequeno almoço é de aproximadamente 56 euros. A Maison é um alojamento de formação profissional, correcto e seguro mas absolutamente sem luxos. Situa-se nos arredores da cidade, perto da Rocade e tem estacionamento privativo.

Contacte-me por mail ou o departamento de marketing da CVRVV.

Vinhos sem DO/IG
com indicação de casta e ano


Este é o segundo artigo que faço sobre os vinhos sem DO/IG que, a partir da próxima vindima poderão ostentar a indicação da casta/s e do ano de colheita. Para ler o anterior, clique em "vinho de mesa" que encontra à direita em baixo na área de "etiquetas".

É curioso como este assunto tem vindo a mexer pouco as empresas e associações e porém é, no meu entender, algo que vai mudar muito as regras e equilíbrios do nosso negócio.

Em poucas palavras, por efeito da nova OCM dos vinhos a partir da próxima vindima os vinhos sem DO/IG podem ostentar na respectiva rotulagem a indicação da casta ou castas e do ano de colheita. Não está ainda definido como será feita a certificação destes vinhos, embora o regulamento comunitário a publicar em breve já aponte alguns procedimentos.

Esta nova possibilidade levanta riscos, que procurei abordar num artigo que a Revista de Vinhos teve a gentileza de publicar e que pode ler clicando aqui.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Só para desabafar




Que explique quem souber !

Se eles escrevem José Sócrates com maiúscula, se escrevem Lisboa com maiúscula, se escrevem Pepsi com maiúscula, que diabo, se eles até escrevem Benfica com maiúscula,

PORQUE DIABO É QUE ESCREVEM VINHO VERDE SEMPRE COM MINÚSCULAS ?!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Eleições na Viniportugal

Como é regra da democracia, todos os debates são possíveis até ao momento das eleições. E, desde que estas cumpram as regras estabelecidas, dão origem a órgãos plenamente legitimados para a sua missão. Aí a eleição acaba.

Temos uma nova Direcção e restantes orgãos sociais da Viniportugal ( ver composição em post anterior ) com os quais trabalharemos com lealdade e aos quais formulamos sinceros votos de sucesso em prol dos vinhos de Portugal.

Rotulos de vinhos


Coisas novas ou renovadas. Rótulos bem dispostos. Alguns exemplos aqui.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Gala dos Vinhos Verdes

Ainda não vi a gala. Espero o DVD... Enquanto isso, clique aqui para ver uma reportagem sobre a gala que a RTP publicou ontem e que será retomada no canal de TV da CP que passa nas estações e comboios Alfa.
Tenha paciência que é um ficheiro demorado.

domingo, 14 de junho de 2009

Eleições na Viniportugal ( act. às 15:20 )

O artigo, duríssimo, no Diário Económico de do passado dia 1 veio trazer a público a guerra surda que tem minado a Viniportugal nos últimos meses e mais vivamente nas últimas semanas.

O mandato dos órgãos sociais está a terminar e o presidente cessante, Vasco d'Avillez, vem à imprensa dizer que a sua saída é imposta pela CAP pelo facto de ele, Vasco, e a Viniportugal terem um bom relacionamento com o Ministro da Agricultura.

A Viniportugal, e o seu bom funcionamento são muito importantes para a nossa região. Dispondo de um orçamento anual superior a 7M€ para os próximos anos e tendo em conta que os meios do AICEP estão reduzidos a zero, percebe-se que a Viniportugal será nos próximos anos a única instituição a promover os vinhos portugueses pelo mundo.

Vale pois a pena reflectir um pouco. ( desculpe, leitor, a extensão do texto mas o assunto não é leve )

A mudança nos órgãos sociais de uma associação é um processo natural. Tão natural é hoje substituir o Vasco d'Avillez como foi no passado a substituição do presidente fundador João Renano Henriques. Ambos deixam obra e a ambos o sector não pode senão ficar grato.

Em nome do que entendia serem os interesses legítimos da nossa região, entrei várias vezes em conflito com a actual direcção. Não o fiz na praça pública por entender que não era no interesse da região nem da Viniportugal. Mas fi-lo sempre por escrito.

A nossa região é o maior exportador no âmbito da Viniportugal e sempre entendi que o tratamento que nos era dado, bem como às nossas marcas está muitíssimo aquém do que é justificado. Entendo que a nossa região pode - e deve - ter outro tipo de tratamento no que diz respeito às visitas a Portugal de jornalistas. Entendo que a Viniportugal deve promover activamente Portugal também como um produtor de vinhos brancos. E já tentei explicar várias vezes que a nossa denominação de origem se designa por "Vinho Verde" e é assim que a região deve ser catalogada nos livros e folhetos que a Viniportugal edita com o nosso financiamento. Vinho Verde e não Minho.

Encaro pois com expectativa a renovação dos órgãos sociais da Viniportugal. E informo pela enésima vez que não sou candidato a coisa alguma.

Antes de falar das pessoas, duas questões: que modelo de governação deve ter a Viniportugal e que perfil devem ter os directores ?

Quanto ao modelo de governação, não devemos seguir a "mania" portuguesa de estar sempre a mudar tudo. Podemos porém fazer pequenas correcções ao actual. Assim:

- deve ser contratado rapidamente um director geral que substituirá a Dra. Dora Simões, saída para a CVR Alentejo há já tempo demais e que a anterior direcção nunca substituiu. O Director Geral deve ser o profissional de topo da casa, executivo a tempo inteiro e deve ser ele/ela que gere directamente as acções de promoção, formação e tudo o que de executivo se extrai do plano de actividades da Viniportugal. Responde à direcção, mas não deve estar ausente das assembleias gerais.
- a direcção deve ter dois vogais não executivos. O presidente, podendo ser executivo, distingue-se do director geral. Não lhe cabem tarefas executivas como montar as feiras e acompanhar jornalistas ou importadores. Deve encarregar-se da gestão de topo, sua avaliação, do relacionamento societário, da representação, da captação de investimentos, do lóbi.
- uma terceira observação quanto ao modelo de governação. A matriz de gestão da Viniportugal foi sempre a de uma instituição com uma estrutura muito ligeira, contratando serviços fora quando necessário. Deve ser assim. Importa recordar que esta associação vive de fundos aos quais se candidata. São por natureza financiamentos temporários, pelo que não faz sentido criar estruturas fixas para financiamentos que não o são.

Quanto ao perfil que devem ter os directores, algumas ideias:

- devem ser fortemente representativos do sector. É importante que a Direcção ( é sobretudo deste órgão que se trata ) possa ser eleita com uma larguíssima maioria ou até por unanimidade. Para ser assim, cada sector da assembleia deve sentir-se representado na direcção: as cooperativas, as pequenas empresas, os grandes exportadores, as regiões tradicionais, as novas regiões, todos estes devem sentir que a Direcção de algum modo os representa.
- devem ter uma cultura de sector. Os directores da Viniportugal repreentam-nos a todos e não a si próprios. Devemos pois encontrar colegas que tenham esta visão e esta sensibilidade global. Preocupa-me muito a tentação de se eleger quem só represente interesses individuais e esquece a constante procura do "máximo denominador comum" que deve nortear o trabalho de um dirigente associativo na Viniportugal;
- devem ter experiência e conhecimento de base na área de marketing de vinhos e em particular na exportação;
- devem ser pessoas com capacidade para mobilizar o sector em seu redor e face ao rumo que a Viniportugal quer dar às nossas exportações. Importa perceber que a Viniportugal não é um prestador de serviços mais ou menos anódino. É suposto que ela chame o sector, o mobilize, lhe dê rumo e energia para aumentar e valorizar a presença de Portugal no mundo.
- devem ser capazes de estabelecer e solidificar uma boa articulação com o Vinho do Porto, algo que nunca sucedeu com a eficácia que todos desejamos e que deve ser uma das linhas estratégicas da Viniportugal.

E posto isto chegamos às eleições que estão marcadas para o próximo dia 16. A CVRVV não vota directamente. Está representada pela ANDOVI, a associação que agrupa as CVR's, o IVDP e o IVBAM.

Como preparação da assembleia, a Presidente da ANDOVI recebeu, e comunicou aos associados, uma proposta de lista que lhe foi apresentada pela CAP e que será formalmente apresentada a votos na terça feira. A sua composição:


Presidente da Direcção – Francisco Borba
Vice-Presidente pelo Comércio – Jorge Paiva Raposo
Vice-Presidente pela Produção – Luís Pato
Presidente do Conselho Fiscal – Jorge Basto Gonçalves
Vogal do Conselho Fiscal – Leandro Antunes
Presidente da Assembleia Geral – João Carvalho Ghira (ANDOVI)

A ANDOVI reuniu no passado dia 9 para preparar as eleições da Viniportugal e emitiu por unanimidade um documento ( cópia disponível ) do qual retiro alguns pontos:
- a ANDOVI não se revê no processo de elaboração desta lista sem obedecer a uma consulta na sua fase de constituição, sendo de recordar que a ANDOVI propôs inicialmente vários nomes para esta lista, que aparentemente não geraram nenhum apoio, após o que foi informada da constituição da actual lista;
- é contestada a ausência de um programa que suporte a lista.
- a ANDOVI reclama que as regiões demarcadas tenham maior peso no processo de decisão da Viniportugal, seja quanto às suas actividades, seja mesmo a nível estatutário.

Para que se perceba porque é que a ANDOVI e as regiões demarcadas EXIGEM tem um papel determinante na Viniportugal, ilustro com um exemplo que se passou na semana passada. A Viniportugal está ( e bem ) a elaborar páginas internet para promover os vinhos portugueses nos EUA e no Canadá. A página falará do país vinícola e terá uma lista dos vinhos disponíveis naqueles mercados e respectivos pontos de venda. Ora... esqueceram-se de incluir a informação da REGIÃO de que cada vinho provém. Não está lá, simplesmente, foi omitida. Um Vinho Verde, um Dão e um Porto aparecerão lado a lado se a ordem alfabética assim o proporcionar. Assim, o Gazela aparecerá ao lado do Gouvias, o Muralhas ao lado do Monte Velho e o Cruzeiro Lima ao lado do Cruz ( Porto ). Eina ...

Este é só o exemplo mais recente. Recordo o livro editado pela Viniportugal em que a nossa região aparecia no capítulo "Minho", o Douro no capítulo "Trás os Montes" e por aí fora...

É essencial pois que as denominações de origem tenham uma palavra forte na Viniportugal. E hoje não têm: a ANDOVI apresenta-se no dia 16 com 2 votos num universo de 24.

Não tendo sido consultada sobre a elaboração da lista e não lhe conhecendo nenhum programa, não deverá pois surpreender que a ANDOVI se abstenha na votação. Aliás na votação interna, só um colega anunciou votar favoravelmente e um outro escreveu “não se opor”.

A posição da CVRVV, aliás em paralelo com os colegas do Dão e do Douro, foi a indicada no texto da ANDOVI, pelo que só poderíamos votar contra ou em abstenção, pela qual finalmente optamos.

Sem entrar numa análise da lista, pergunto-me como é que a Direcção da Viniportugal pode ser constituída sem ninguém que tenha sensibilidade às regiões tradicionais, Dão, Douro e Verdes?!

E será que a lista candidata corresponde ainda que minimamente, ao perfil indicado acima ?

Mais, num momento em que se prepara um acto eleitoral do Estado Português e em que o Ministro e a CAP estão em conflito aberto ( com esta a exigir a demissão daquele ) não seria prioritário escolher um elenco que fosse totalmente isento a uma coisa e outra ? A nossa política é a do vinho, no meu caso particular a do Vinho Verde, e é um erro crasso deixar que instituições como esta sejam transformadas em “castelos” degladiadas por forças que nos são externas.

Pois bem, concluindo e usando aquela liberdade que nos foi conferida pelo Capitão Salgueiro Maia: não me parece que a Viniportugal vá no bom caminho, embora ainda a tempo para haver alguma prudência e procurar algum diálogo que seja capaz de reforçar a associação e unir o sector.

NOTA ( actualizado às 15:20 ): não menosprezo de modo algum a presença do Presidente da FENADEGAS, membro do nosso Conselho Geral como Presidente do Conselho Fiscal da lista candidata. É algo de muito positivo.O meu comentário refere-se, como escrevo sempre, quanto à composição da Direcção.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Os bastidores da gala

Aquilo que, para os convidados e os espectadores foram duas horas de espectáculo, foi para nós uma série de semanas, sempre em pleno gás a preparar tudo, a pensar nos pormenores, a aprender ( muito ) e a resolver os inesperados.

Aqui ficam alguns apontamentos dos bastidores.


OS BILHETES E OS CONVIDADOS
  • tivemos a sala cheia como um ovo, mais de 700 pessoas; algumas desistências de última hora mas sobretudo vários pedidos de novos bilhetes;
  • um grupo de convidados que vinha de Lisboa atrasou-se imenso; os lugares tiveram de ser ocupados por outros convidados que depois recolocamos ( e tudo ali em cima da hora ! )
  • muita gente muito bonita, muito bem vestida. Depois nas fotos veremos melhor.
  • estava muita imprensa, foi aliás a entrega de prémios com maior cobertura antes e após a festa. Um factor nos ajudou, o regresso da Sónia Araújo ao trabalho após um feliz parto de dois lindos gémeos !
O CATERING
  • o vinho do cocktail "voou" com uma rapidez surpreendente. Fiquei sem saber se os convidados beberam uma garrafa cada um, se o catering abafou algumas ou se as garrafas que "andavam " nos bastidores justificam o gasto !
  • o catering foi talvez o único ponto que correu menos bem. Era suposto ser um serviço ligeiro mas de qualidade. Não era uma refeição. Porém, creio que a qualidade obtida ficou aquém das expectativas;
  • alguns convidados não leram o programa e compareceram para... jantar. Perguntavam, em que mesa ficavam. Será que os folhadinhos e as espetadas de fruta os confortaram ? ninguém desfaleceu !
A RTP
  • a gala teve excelente audiência ao longo de toda a noite. A RTP esteve em número dois, a perseguir a TVI e bem destacada da SIC. Foi transmitida em directo pela RTP1, RTP Africa, RTPi e foi retransmitida pela RTPi para os Estados Unidos no dia 7 em horário mais compatível com o fuso daquele país na costa do Atlântico;
  • além disso, o anúncio da gala passou 30 vezes ao longo da semana em horário nobre;
  • o horário da transmissão era um problema pois se o telejornal se prolongasse ( por exemplo por causa das eleições ), o programa teria de se atrasar ou, pior, ser reduzido. Felizmente tudo correu pelo melhor;
  • trabalhar com a Sónia Araújo e o Jorge Gabriel é um prazer e aprendemos a cada minuto. Sem que qualquer deles perca a simpatia e alegria que lhes conhecemos, porém o rigor e a persistência com que ensaiaram a tarde toda é admirável; o profissionalismo de toda a equipa da RTP foi um dos marcos de toda a organização. A eles se deve o sucesso do programa.
  • dei comigo a tarde toda a pensar que andava ali pelos bastidores muita gente de mãos nos bolsos e que de certeza era gente a mais. À noite percebi bem que aquelas 70 ( ! ) pessoas tinham todas uma função bem específica e os bastidores afinal estavam quase vazios;
  • alguns dias antes do programa, é distribuído por toda a equipa um guião detalhado que inclui todos os "blocos" que compõem o espectáculo, cada um dos quais tem uma duração exacta ao segundo. E apesar de ser um directo, terminamos exactamente à hora marcada !
DURANTE A GALA
  • o colega Bruno Almeida ficou muito tempo no carro de exteriores da RTP e fez a ligação entre a CVRVV e a RTP. A realização do espectáculo era feita fora do edifício num carro que concentrava toda a tecnologia e que se encontrava ligado à sala por quilómetros de cabos de todas as cores;
  • o realizador, muito jovem, só reentrou no teatro após a transmissão terminar - já com um sorriso de sucesso, aliás bem merecido.
  • o nosso amigo, produtor da Quinta de Linhares, soltou uma gargalhada da sala quando disse que cumprimentava todas as pessoas da Comissão e que porém não conhecia ninguém; dito isto chegou aos bastidores e deu de caras comigo e exclamou "ah, você estava aí, não o tinha visto !". Dessa vez ri-me eu.
  • quando fui ao palco discursar, a assistente enganou-se e colocou dois trofeus ao meu lado. Não lhe liguei e continuei. Depois ela ficou toda envergonhada. Afinal, foi um lapso em que nós reparamos mas que os espectadores nem se deram conta;
  • os premiados surpreenderam a produção da RTP pela positiva - estava previsto ( e era um problema ) que a chegada deles ao palco fosse demorada. Porém TODOS se dirigiram lá rapidamente e fizeram intervenções breves;
  • o técnico que andava pelo palco fora com aquela câmara ( "steady cam", creio ) portátil ficou exausto, fazia um esforço enorme, retemperado pelos generosos copos de água com que se refrescava no intervalo. Ao contrário do que possa pensar, toda a actividade que ele faz é planeada antecipadamente. Ele sabe exactamente que percurso e que planos deve fazer em cada momento das duas horas de espectáculo.
  • o Dr Luís Lopes, director da revista de Vinhos e membro do juri, entregou três prémios. Não tinha ensaiado nada. Chegou ao teatro às 21 com o resto do juri. E correu às mil maravilhas. Quem sabe, sabe.
NO FINAL

Saí do teatro às duas, exausto com o cansaço acumulado dos últimos dias. E porém, esfaimado como um cão de estrada. Ainda fui ao piso menos dois do teatro ver se restava alguma coisa do catering de bastidores. Nada. Só uns rissóis com aspecto de terem morrido há muito. Meti-me no carro para o Porto. Um dilúvio na estrada. E confesso, abriguei-me no MC Drive: um big mac e uma cola light !


AS FOTOS

As fotos vão estar disponíveis para encomenda no site da CVRVV em http://www.vinhoverde.pt/

Imagens da gala: os classificados

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Últimas da entrega de prémios

Tem sido, não uma, mas várias maratonas de toda a equipa da CVRVV, sempre em articulação com a RTP mas, no final, tudo encaixará e certamente correrá bem. Alguns apontamentos:

  • temos a sala praticamente cheia com mais de 700 pessoas; ainda restam lugares mas já muito poucos;
  • o programa de música e dança está também fechado com os seguintes nomes

  • WOK
  • PEDRO ABRUNHOSA
  • MAFALDA ARNAUTH
  • PERFUME
  • SANTOS E PECADORES
  • GRUPO ETNOGRÁFICO DA AREOSA
  • EZSPECIAL
  • LUCIA MONIZ
  • CLASSIFICADOS
  • afinal ( pena de todos ) a Rita red Shoes não pode vir por não ter a banda disponível nesse dia. Enviou um fax simpático a pedir desculpas , mas é mesmo assim !
  • a transmissão será em directo pela RTP e RTPi e começa pelas 22:30.

Se vai à entrega de prémios, p.f. tome boa nota:

  • chegue a horas ! às nove. Não vai ser fácil dar entrada e colocar todos estes convidados.
  • o cocktail inicial vai-lhe permitir provar os vinhos premiados, com algum acompanhamento mas não é uma refeição;
  • tome o seu lugar logo que for convidado para isso. A RTP tem a lista de convidados/lugares para filmar alguns convidados que possam/venham a ser mencionados - não troque de lugar !
  • se chegar a Braga sem o seu bilhete, dirija-se a uma mesa para convidados sem bilhete que encontra na entrada do teatro.
Vai ser uma noite muito bonita. Divirta-se !

segunda-feira, 1 de junho de 2009

José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho (III Conde d’Aurora)

Data nascimento: 1896
Data morte: 1969
Escritor, notável homem de cultura e Juiz dos Tribunais do Trabalho, expressou o seu talento numa vasta obra que vai do ensaio ao romance, do teatro ao jornalismo, do regionalismo à retórica. A sua distinta posição social deu-lhe a oportunidade de promover a região no estrangeiro, e de maneira particular a Ribeira-Lima, trazendo cá grandes figuras da cultura internacional. Criou eventos e valorizou outros, como a tauromaquia e festivais folclóricos, tendo fomentado diversas iniciativas económicas de grande alcance, nomeadamente o Vinho Verde, para o qual contribui com o seu valioso estudo «Itinerário do Primeiro Vinho Exportado de Portugal para a Grã-Bretanha» (1962).