terça-feira, 20 de outubro de 2009

Em Vindima IV

Praticamente fechada a vindima já temos como certo que a produção será ligeiramente superior à de 2008. As principais adegas e armazenistas que acompanhamos diariamente durante as últimas semanas estão quase todas fechadas e com valores acima dos do ano anterior.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Em Vindima III


Termina hoje o período oficial da vindima e já se contam pelos dedos de uma mão as adegas que estão a receber uva.

Poucos assuntos são tão difíceis de tratar como o da fiscalização. É uma área apaixonante mas estranha, cheia de mal entendidos. Cheia de gente que fala de cátedra sobre assuntos que desconhece em absoluto ou outros que bem podiam abrir a boca e nada dizem. Ou que só fazem comentários em privado mas nada dizem nos locais certos. E ainda outros que mais valia estarem calados, em alternativa a falarem sobre os vizinhos.

E tem por base dois mitos tremendamente enganadores: "nada se fiscaliza" e, " se a fiscalização fosse a 100%, as boas empresas não teriam problemas". Há colegas nossos que acreditam firmemente que tudo fazem bem e é só pela existência de fraudes que as suas empresas não suportam a concorrência.

O momento da vindima é o ponto alto deste debate.

Vamos então tentar algumas reflexões sobre esta área.

1. O QUE A FISCALIZAÇÃO NÃO É - MITOS E IDEIAS INFORMAIS

Não é um acto pessoal e subjectivo. Ouço muito dizer que é preciso fiscalizar fulano e sicrano. Errado. A fiscalização e controlo devem incidir sobre comportamentos de risco, determinados objectivamente e procurar maximizar a sua eficiência. Há um importante trabalho de casa preparatório às acções: estudar e caracterizar os comportamentos, determinar como é violada a lei e intervir eficazmente sobre esta. Uma das acusações que mais nos fazem é a de perseguição. Este ano já a ouvi nove vezes ( sim eu contei ). O número de vezes que qualquer agente é controlado pelas nossas brigadas é determinado objectivamente e está fundamentado. Obviamente nem todos os agentes são controlados o mesmo número de vezes. Factores como a dimensão, o histórico e o tipo de operações que realiza, determinam que alguns agentes sejam visitados diariamente e outros com menor frequência.

Não é uma ferramenta comercial. É curioso notar que muitas das denúncias que nos chegam provém de pessoas/empresas que se queixam dos seus directos concorrentes. E muitas vezes queixam-se de comportamentos que nada têm de violador da lei. Para que seja credível , a fiscalização tem de se ater aos comportamentos violadores da lei. Deve além disso ser eficaz pois os recursos são parcos e não faz sentido fazer acções cuja possibilidade de detectar uma infracção sejam mínimas. Muitas vezes falo com colegas que atribuem à existência de fraude os seus problemas comerciais. Lembro sempre o caso do vinho sem rótulo. Nos anos 90 dizia-se que "o problema da região" era o vinho sem rótulo. Com o esforço de muitas entidades, a quantidade de vinho sem rótulo disponível nos restaurantes desceu drasticamente. E porém esses queixosos não viram a sua vida melhorar. Conte com a boa regulação do mercado para o ajudar, mas não confie nela para milagres comerciais.

Não é informal nem espontânea. Quantas vezes ouço dizer que para detectar a fraude basta "andar por aí" ou "por todo o lado". Ou então "no dia em que vocês quiserem." Engano. Em primeiro lugar a preparação das acções. Há um enorme trabalho de casa que determina como se faz uma acção, que pode demorar muito tempo e envolver várias entidades. Depois a eficácia da detecção da fraude. É que uma coisa é estar num café e alguém dizer que "há negócios de papel" e outra muito diferente é identificar infracções com solidez que permita que sejam tomadas medidas concretas, apreensão de viaturas, mercadorias, instauração de processos , sem que haja o risco de mais tarde tudo cair em tribunal. Por exemplo, a detecção de trânsitos irregulares que temos feito com muita eficácia nas últimas semanas obrigou a:
  • reuniões preparatórias com várias entidades
  • visitas discretas a locais de partida das uvas
  • montagem da operação a cada dia/noite com a identificação de viaturas e percursos em num processo que pode levar muitas horas até ao final com sucesso. Num dos casos, demoramos 18 horas desde a primeira identificação até à operação final, tudo isto com várias equipas na estrada.
Não é um espectáculo público. Muitos colegas solicitam que a CVRVV dê publicidade aos autos de infracção e às acções de apreensão que são feitas. Compreende-se o motivo: para desencorajar eventuais infractores. Porém não o devemos fazer. Por um lado pelo respeito para com o princípio da inocência. A apreensão de uma mercadoria significa que há fortíssimos indícios de uma infracção grave. Porém, será um juiz de direito que se irá pronunciar. Publicitar o simples acto de apreensão é sujeitar os intervenientes a uma condenação pública sem defesa. Por outro lado, pela própria defesa do bom nome da região: se publicitássemos os resultados obtidos, a comunicação social daria de nós a imagem de uma região em fraude. Poderíamos estar semanas a montar uma operação complexa, realiza-la com sucesso e o que viria nos jornais nunca seria "Vinho Verde: fiscalização com sucesso" pois isto não é notícia. O que viria é simples "Fiscais detectam mixórdia no Vinho Verde". Já tivemos esta experiência no passado. Por exemplo, suponha que montamos uma operação de controle das fronteiras do Minho para evitar a exportação de uvas. Convidamos os jornalistas e a operação corre bem. Título da notícia ? "Contrabando no Alvarinho". A fiscalização não tem e ser espectacular: já fará muito se for eficaz.

Não tem por objectivo combater boatos. Podem andar os boatos à vontade pois a fiscalização não os controla nem reprime. Por vezes acho que há colegas nosso que sofrem de um grave mal: têm tempo livre.

Também não é pêra doce ! Ontem mesmo, as nossa brigadas começaram a trabalhar às 08:30. Além do trabalho normal, iniciamos uma operação especial pelas 21:30, que se prolongou até às 14:30 de hoje, dado que tivemos sucesso. ( pense nisto quando voltar a criticar os nossos fiscais )

2. QUESTÕES QUE NOS COLOCAM

Porque é que a ASAE e a GNR estão a fiscalizar a região ? em primeiro lugar porque é uma das suas missões, estão legalmente habilitadas e obrigadas a faze-lo. Em alguns casos é a CVRVV que as chama quando há forte indício de contra-ordenação ou crime. Sendo uma entidade privada com poderes limitados e fiscalização, há actos que não podemos praticar como por exemplo fazer paragem a uma viatura na via pública.

O que sucede quando se detecta uma carga de uvas de fora da região ? havendo prova, a carga é descarregada numa adega/vinificador, é vinificada separadamente e fica à ordem do processo, cabendo ao tribunal mais tarde determinar o seu destino. Em alguns casos é também apreendida a viatura que fica do mesmo modo à ordem do processo.

Como é feita a fiscalização nas restantes regiões ? nós e o Douro temos um sistema comparável, embora os vizinhos tenham meios com muito mais significado. Temos feito muito trabalho em articulação e o apoio que temos recebido do IVDP é exemplar. Quanto às restantes regiões, desconheço que tenham programas específicos de controle da vindima.

A fiscalização tem efeito prático ? descontando o efeito dos boatos ( ver em cima ) que esses a fiscalização nunca evitará, o efeito é fácil de determinar. Se não existisse controlo, então as uvas circulariam livremente e o preço destas estaria entre os 18-20 cêntimos da beira interior e os trinta e tal do Douro. Porém a nossa uva branca encontra-se sistematicamente na casa dos 50 cêntimos, vinte cêntimos pois de diferença nos melhor dos casos. É pois fazer a conta: o efeito do cumprimento da lei ( voluntário + o induzido pela fiscalização ) vale na nossa região vinte cêntimos vezes 90 milhões de quilos. Como dizia o Engº Guterres... é fazer a conta !

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O marketing em debate


Preocupa-nos o facto de as acções de marketing em mercados externos contarem sistematicamente com poucas empresas. Conversando com as empresas que se inscrevem nestas acções e lendo os relatórios de avaliação que nos enviam de cada uma das acções, constato que o resultado é positivo, ou seja: os que se inscrevem ficam satisfeitos.

Um dos problemas que detectamos é que são muito poucas as empresas que têm uma aposta de longo prazo na exportação. E são poucas também as que têm quadros formados para dar boa resposta na exportação. É preciso fazer trabalho de casa: definir mercados alvo, estudar a rede de importação e distribuição nesses mercados; definir o produto adequado, o preço adequado ( vamos vender para um importador da emigração ou local ? ) e implementar uma estratégia que é necessariamente de médio prazo.

A Viniportugal já realizou boas acções de formação sobre exportação e nós iremos realizar uma em breve. E aproveitaremos para apresentar uma nova campanha, uma boa surpresa que apoiará os nossos produtores na concorrência com os vinhos de mesa...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Comunicação social


Há dias apareceu no JN um péssimo artigo sobre o sector cooperativo. Além de incorrecções e de aquilo a que agora se chamam "inverdades" o artigo dava uma imagem generalizada de má gestão, de desorganização e até de desonestidade.

Tenho defendido desde o primeiro dia que a imagem que damos de nós na comunicação social é algo de muito importante e deve ser bem ponderada. Os jornais não são só lidos pelas pessoas a quem queremos mandar umas "bocas". São lidos também pelo nosso gerente bancário e sobretudo pelos nossos clientes. E nenhum analista de risco aprova um empréstimo a uma entidade noticiada como em crise profunda. E nenhum cliente quer comprar vinhos de um fulano que é noticiado como falido.

Custa-me a perceber como é que há colegas nossos que acham razoável dar de si e da região uma imagem de fraqueza.

A comunicação social é um parceiro fantástico do negócio. Saibamos trabalhar com ela. Tal como a produção de vinho recorre um enólogo, também o trabalho com a imprensa deve ter o apoio de um assessor tecnicamente capacitado. Como funciona este sector na sua firma ?
  • tem um calendário anual de acções para a comunicação social
  • tem em conta a comunicação nacional e regional / genérica e dos vinhos ?
  • cria pequenos eventos especificamente para gerarem notícias ?
  • vai produzir um pequeno lote muito especial, que não gera negócio mas que vai garantir várias notícias nos meios do sector ?
  • tem uma boa base de dados de jornalistas que contacta ao longo do ano ?
Este ano a nossa tarefa está facilitada pois teremos grandes vinhos. A mensagem da CVRVV tem sido precisamente neste sentido. Porque não dar uma notícia Vossa fazendo o balanço da vindima ( grande qualidade... ) e pré-anunciando quais serão as novidades para 2010 ?

Clique aqui para ouvir a reportagem da TSF sobre a qualidade dos vinhos verdes de 2009.
Clique aqui para ver a nossa nota de imprensa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009