quarta-feira, 31 de março de 2010

Exportações 2009: optimas notícias !

Estão fechados os dados de exportações relativos a 2009. Com mais de 13 milhões de litros exportados, representando 30 milhões de euros, este foi claramente o melhor ano de sempre nas exportações da nossa região !

Contra ventos e marés, contra todos os que nos atacam, contra todos os que se queixam e choram, a verdade é que a região está a fazer crescer as suas exportações ano após ano desde 1999. Dez anos a crescer !

Vale a pena fazer uma análise mais fina, que encontra no quadro em baixo.


Desde logo destacam-se três mercados. A França, nosso principal cliente tradicional perdeu a liderança em 2006. Mostra um ligeiro crescimento, mas grande irregularidade. O preço médio de exportação ( fonte INE DAA's ) foi de 2,00€/litro em 2009. A Alemanha é um outro mercado com uma evolução irregular ( fruto das encomendas das marcas da distribuição ? ) mas mostra uma clara tendência de crescimento, em 2008 sendo o nosso principal cliente. O preço médio foi de 2,3 €.

No top de vendas encontramos o mercado Norte Americano, destino onde os exportadores e a CVRVV muito têm investido, de forma consistente ao longo dos anos e os resultados são evidentes. Em 2009, os EUA receberam 3M de litros de vinho com um preço médio de 2,02€/litro. Crescemos em 2009 mais de 20% em volume e valor. Se atentar no gráfico acima, concluirá que o mercado Norte Americano se destaca claramente. Subidas constantes ao longo de uma década.

Claramente já não estamos limitados ao mercado lusófono nos EUA, onde a imprensa dedica uma crescente atenção aos nossos vinhos.

O Vinho Verde representa hoje 40% das exportações Portuguesas de vinhos DOC/Regionais. A exportação é o caminho certo para o nosso crescimento.

Para abrir o quadro detalhado de exportações, clique aqui. Este quadro ( fonte INE ) refere volume e não valores. Contacte-me caso pretenda o quadro com os valores de vendas por mercado.

50 anos de cooperativas


A propósito de um trabalho que me foi pedido, estive a ler o plano de fomento cooperativo e vários documentos que foram escritos há cinquenta anos. O aparecimento das cooperativas, fomentado pelo Estado Novo, fez uma enorme revolução na região, que hoje já não é recordada. Antes destas, uma miríade de produtores viviam entre anos de escassez e anos de fartura em que o vinho não valia nada. Os canais de comercialização estavam-lhes vedados. É curioso ler as lutas tremendas que se viveram para determinar se as cooperativas ficavam aqui ou ali, se eram x ou y. Aquilo que à época foram certamente debates acesos, hoje apenas podemos imaginar.

Veio isto a propósito de uma mensagem que recebi hoje pela net ( tudo se sabe ...) acerca da situação extremamente crítica de uma cooperativa com base no debate interno que esta realizou recentemente.

50 anos após a sua criação, não hesito em afirmar que o modelo cooperativo tem tudo para ser um modelo de sucesso. E há bons exemplos disso na região e no país. A Dinamarca é um exemplo europeu de cooperativismo agrícola liderante. E porém, tal como há 50 anos, precisamos de uma revolução. No caminho da profissionalização, do rigor, da competitividade empresarial.

E o mais difícil de tudo: os sócios das adegas precisam de perceber que (a) a adega é a empresa deles, não é um comprador externo - e retirar consequências disto e (b) que a pessoa mais importante no nosso negócio é o cliente, não somos nós.

Estes são os pontos mais difíceis. Bem sei que é mais fácil escrever do que fazer ...

domingo, 28 de março de 2010

Novo serviço da CVRVV
UMA AMOSTRA DE RAPIDEZ

Lançamos recentemente um novo serviço: a recolha de amostras pelos CTT directamente em casa do produtor e entrega na CVRVV.

O funcionamento é simples e visa evitar que o produtor tenha e vir à CVRVV trazer as suas amostras. Basta que as prepare... e os CTT tratam do resto !

Funciona assim:
  • o engarrafador prepara as suas amostras e embala-as numa caixa própria;
  • através do normal acesso ao Inetsiv, solicita a recolha das amostras;
  • os CTT recolhem as amostras todas as tardes, para os pedidos feitos até às 12:00 desse dia;
  • as amostras são entregues na CVRVV às 08:30 do dia seguinte ao da recolha.
Para facilitar o transporte, a CVRVV desenvolveu e produziu caixas para 3 garrafas. O seu uso não é obrigatório, mas fortemente aconselhado pois é uma solução robusta que reforça a segurança do transporte.

Evite deslocações desnecessárias ao Porto, uma manhã perdida, além, do custo do transporte e use este serviço. Dedique-se ao que faz melhor - VINHO VERDE - e nós tratamos do resto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Stocks em Fevereiro


Como demonstra o gráfico, os stocks são confortáveis e garantem que não haverá uma apreciação no custo do vinho. Note que ao stock de branco tem de somar o stock em mosto branco, cuja produção tem vindo a aumentar a cada ano. Não falamos porém de abundância como a que sucedeu em 2002 e 2003. Ainda é cedo para antecipar o que será a produção deste ano, pelo que mais adiante se falará desta e do controlo da próxima vindima como meio para garantir uma remuneração mínima justa ao produtor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vendas em Fevereiro


Com vendas destas não vamos longe. O fecho de 2009 mostrou que as exportações estão muito fortes, em crescendo há cinco anos. O mercado nacional é que não ajuda. E, para o Vinho Verde, Portugal é ainda o cliente de 80% dos vinhos.

É urgente que as empresas tomem a exportação, não como um complemento ao seu mercado tradicional, mas como o canal central das suas vendas. E para exportar é preciso ir lá. É preciso falar a língua do cliente. É preciso estudar o seu mercado e produzir o vinho certo para cada mercado. O rótulo certo, a garrafa certa e o preço adequado. Talvez não seja fácil. É certamente uma opção demorada mas não tenho dúvida que é a opção de futuro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vinho: sistema informático do IVV

Ontem, a corrida semanal para Lisboa. Reunião no Instituto da Vinha e do Vinho com todas as regiões demarcadas para análise e formação sobre o SIVV, o programa informático que congrega informação sobre o património vitícola do país, as produções, trânsitos e muito mais.

Importa começar por dizer que o SIVV se tornou numa ferramenta admirável. A quantidade e qualidade de informação que congrega e a forma intuitiva com que se relaciona com o utilizador são dignas de registo.

Hoje o país dispõe de uma base estatística excelente. Sabe-se quanta vinha há, onde está plantada e qual a sua produção histórica e potencial. Sabemos com rigor quem são as empresas que operam no sector dos vinhos. Sabe-se também muito sobre o vinho: onde está, para onde circula. Nenhuma outra área do agro alimentar tem um manancial de informação mínimamente comprável.

Há certamente pontos a melhorar. Curiosamente todos eles têm a ver com a filosofia de concepção e não são necessáriamente problemas técnicos:

  • o sistema precisa de "comunicar" melhor com as regiões. Na maior parte do país há um cadastro da vinha regional e um outro neste sistema central. Não faz sentido;
  • o sistema precisa de ser menos "ingénuo". Dado que se trata de um sistema informático do Estado, o programa não pode assistir impávido e sereno a que nele se pratiquem óbvios disparates legais. Por exemplo um produtor que declara a produção de 1 tonelada de uvas e, a partir destas, 2 mil litros de vinho. O programa permite isto... e muito mais. Há que desenvolver mecanismos de validação internos muito detalhados e quando ocorre uma situação destas, das duas uma: ou o programa não permite ou então permite mas emite de imediato uma mensagem ás entidades de fiscalização para que tomem o caso em mãos.
Tal como o ciclista na volta a Portugal a subir a Senhora da Graça, também este SIVV tem de pedalar muito, e rápido. Por si e pelo próprio IVV: poucos colegas se dão conta de quanto o IVV e o SIV dependem um do outro.

Desde o momento em que foi lançado, pairam sobre o SIV duas "sombras". É certo que o IFAP será o depositário do cadastro. Já o é de algum modo e será cada vez mais no futuro. Assim como não faz sentido existir um cadastro regional e um nacional, também não faz sentido que o IFAP tenha um cadastro agrícola nacional com um sistema informático e fotografia aérea de todo o continente e o IVV tenha um sistema paralelo só para a vinha.

A segunda é o Imposto sobre o álcool. Ao contrário da cerveja e das bebidas espirituosas, o vinho tem uma taxa zero neste importo. Taxa que não irá durar, adivinho eu. E no dia em que isso suceder, será o sistema informático das alfândegas que vai ditar as leis e não o do IVV. E não esquecer que estas têm um novo sistema a entrar em vigor no dia 1 de Abril A menos que a eficácia deste seja exemplar.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Vinho Verde: repensar a Região

Estamos sempre em bom tempo para repensar a nossa região e o nosso vinho. A CVRVV não é a região. A Região são os produtores e os clientes. E porém, podemos dar um bom contributo para dinamizar a produção e o comércio, para fazer circular informação de qualidade e propiciar a existência de um rumo comum.

O recente acto eleitoral é, a meu ver, o momento ideal para este debate. Mais do que o simples discutir lugares ( o que é legítimo ), creio que devemos abordar projectos e confrontar ideias. Coloquei as minhas em algumas páginas de reflexão e programa. Clique aqui para descarregar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Vinhos Franceses: fraude nos EUA

Péssima imagem para os vinhos de mesa franceses, a condenação de vários produtores que exportavam para os EUA vinhos com a designação da casta Pinot Noir, mas que desta casta tinham afinal muito pouco.

Leia o artigo da BBC clicando aqui. A fraude teve especial visibilidade pois estes vinhos alimentavam a marca Red Bicyclette, muito popular no mercado Norte Americano. Entre os condenados, uma empresa com dimensão apreciável, a Sieur d'Arques. De acordo com a BBC, um dos condenados argumentou que o vinho tinha as "características" de Pinot Noir.

Dado que em Portugal se está precisamente a legislar sobre o regime que terão os vinhos de mesa com indicação de casta, é prudente que se seja rigoroso e exigente.

Eleições na CVRVV


E pronto, decorreram, estão terminadas as eleições para os órgãos sociais da CVRVV. Foram reconduzidos a mais parte dos membros do Conselho Geral. Referência para algumas entradas. No comércio entra a associação ACIBEV, representada pela Sogrape e pela Cavipor; a Adega de Ponte da Barca troca da produção para o comércio, o oposto do que fez a Adega de Monção. Na produção entra a adega de Amarante, que já em tempos tinha estado no Conselho Geral. Os restantes órgãos sociais, Comissão Executiva e Conselho Fiscal viram os seus mandatos reconduzidos.

Nem todos os votantes ficaram satisfeitos. O contexto democrático é porém esse, que remédio. Aos órgãos sociais, concretamente às 26 pessoas que nos próximos três anos têm em mãos os destinos da CVRVV, cabe gerir com elevação, procurar consensos, orientar a casa e a região para o futuro.