segunda-feira, 26 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nielsen, scantrends de Abril


A Nielsen acaba de divulgar o seu boletim do comércio "Scantrends" relativo a abril.

O mercado de grande consumo ( imagem ) parece dar os primeiros sinais de retoma, mas as bebidas ainda estão no vermelho. Dois efeitos importantes da crise, que a Nielsen já detectava em documentos anteriores: o cliente está a consumir mais em casa , em detrimento da visita a restaurantes e está a concentrar as suas compras na grande distribuição, em detrimento dos estabelecimentos tradicionais. Se o comércio tradicional estava em queda, estes tempos difíceis levaram o cliente a apurar ainda mais a sua procura por fornecedores competitivos em preço.

Dado que aproveito mensalmente este boletim, justo é deixar aqui o endereço da página desta firma, onde encontrará bastante mais informação. Pode também clicar aqui para ler o boletim Scantrens deste mês.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Para onde vai o mercado nacional de vinhos

Este texto é uma reflexão pessoal. Arriscada talvez, mas certamente sincera.

Baseado nos dados de que dispomos, é minha convicção que o mercado nacional de vinhos apresentará crescente dificuldade nos próximos anos. Passo a explicar.

O CONSUMO PER CAPITA. Portugal sempre teve um dos maiores consumos per capita do mundo. Este tem porém descido, de forma lenta mas muito consistente. Esqueça as promessas demagógicas: esta descida é irreversível. Sucede por vários factores, de que cito um: a mudança geracional - os pais que bebiam vinho em todas as refeições estão a ser substituídos pelos sucessores, que só bebem em algumas refeições, geralmente ao fim de semana. O vinho deixou de ser "a" bebida para matar a sede. Os dados Nielsen de "quota de barriga" revelam que esta era em 2009 de 6,7% para os vinhos, contra 40,4% para as cervejas e para as águas engarrafadas 27,8%. O vinho tinha mais de 8% há dez anos e perdeu em todos os anos do período. A água engarrafada é o produto que mais cresce.

QUANTOS SOMOS. A população do país não cresce há vários anos. Aliás decresce a população "originária" portuguesa e só a entrada de imigrantes nos tem mantido acima do redondo número de 10 milhões. A população não cresce e nada indica que venha a crescer. A taxa de natalidade está a baixar e não há sinal de inversão. Por outro lado, as comunidades de imigrantes que passam a residir no nosso país vêm sobretudo de países em que o vinho não é de consumo tradicional: não são os emigrantes de leste, os brasileiros e os africanos que vão suster o nosso consumo de vinho.

O NOSSO BOLSO. O Banco de Portugal prevê um crescimento do PIB em 0,4% este ano e 0,8% no próximo. A necessidade de repor as finanças públicas em ordem fará com que o país mantenha taxas de crescimento baixas durante longos anos. O desemprego não se reduzirá tão cedo. Vamos esperar uma década até que os portugueses voltem a ver o sorriso da prosperidade.

OS NOVOS VINHOS. A crescente liberalização dos mercados faz com que ao nosso consumidor sejam oferecidos vinhos com boa apresentação, bem feitos e muito baratos. Já está a suceder aliás. Hoje em dia ( novamente fonte Nielsen ) é o segmento dos 0 aos 2,5€ / garrafa que mais cresce no nosso mercado. Esta dureza de concorrência irá privilegiar economias de escala, sobre valor acrescentado.

A CONCENTRAÇÃO. A distribuição Portuguesa é muito concentrada e a crise veio aumentar este efeito. Está a aumentar o consumo em casa, face ao horeca e está a aumentar a quota da grande distribuição, face aos estabelecimentos tradiconais. Sendo certo que mais de 70% dos vinhos vendidos em portugal passam por uma grande superfície ( inc cash ), então aqui temos um funil quanto ao número de marcas que são admitidas no linear ( e temos nós 2000 marcas de V verde registadas... ) e também um reforço do peso das marcas próprias.

Se leu até aqui sem se atirar da ponte abaixo, pode agora relaxar.

Não hesito em afirmar que nos próximos dez anos "crescer" é um objectivo que só se pode realizar na exportação. Crescer em Portugal será caríssimo. Significa financiar o crescimento com preços muito baixos ou com campanhas de marketing intensas. O mercado não crescerá por si, pelo que vender mais significa inevitavelmente conquistar quota a um concorrente. Não interprete que eu "desisto" do mercado nacional; porém parece-me disparatado esperar por uma próxima retoma que certamente nao virá com força significativa tão cedo.

Ora a exportação quer Vinho Verde. Veja os gráficos que coloquei em textos anteriores: estamos há dez anos a aumentar a exportação todos os anos e com preços médios estáveis. A nossa região depende ainda muito do mercado nacional, perto dos 80%, pelo que ainda temos aprovisionamento para dar resposta à procura externa. Acresce a isto a renovação de vinha: a nossa qualidade média tem melhorado muito e assim continuará.

Não hesito nada em afirmar que somos uma região de sucesso e sobretudo com um potencial enorme para o transformar em riqueza. Assim, o saibamos fazer.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Alerta ao Míldio !


Recebemos informação de um produtor que, através da investigação e sistemas de detecção que utiliza, conclui que o risco de míldio se encontra ao nível de 2007, o que recomenda uma actuação preventiva imediata. A informação é consubstanciada por vários grandes viticultores da região.

Naturalmente não domino tecnicamente o assunto mas, sejam os serviços da CVRVV, sejam os da DRAPN estão habilitados a dar aos produtores a informação de que necessitem. No caso da CVRVV pode contactar a estação Vitivinícola Amândio Galhano ( tel. 258480200 ou evag@vinhoverde.pt ) ou os serviços no Porto ( Engº Gonçalo Magalhães, 226077300 ou gmagalhaes@vinhoverde.pt ).

A região precisa de produzir. Cuide da sua vinha !

Boas vinhas !

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As revistas de vinhos fazem provas objectivas ?

Um interessante texto científico, parte do doutoramento de Jonathan Reuter, que analisa a relação entre as pontuações dadas ao vinhos e o facto de o produtor ser anunciante ou não. Vale a pena reservar meia hora para o ler. Se tiver paciência, a publicação deste estudo deu origem a uma dura troca de correspondência entre o autor e a Wine Spectator, que pode ler também aqui.

Por cá há de tudo. Desde jornalistas admiráveis e com evidente sentido ético até vendedores de publicidade com uma t-shirt de jornalista. Seria bom que um académico produzisse um trabalho de avaliação deste tipo.

sábado, 17 de abril de 2010

Vinhos Verdes no mercado Americano

O Mark Squires é um jornalista de referência no mundo dos vinhos. Profundamente conhecedor dos vinhos Portugueses e do Vinho Verde, é um jornalista cuja opinião é mundialmente influente, através do Wine Advocate onde escreve. Através do Facebook troco algumas impressões com ele, de que destaco a mais recente que aqui reproduzo:

MS: Some supplemental Greece and Portugal notes will be published with the next Wine Advocate release, end of April. Some nice Vinhos Verdes will be spotlighted. I'm liking this region more and more. In that regard--a nice Moschofilerero in the Greek report provides some competition.

MP: Good news here Mark. We are renovating 1000 hectares of vineyards and, in the next weeks, we'll start an "election-like" campaign going to village after village to encourage more producers to renovate their vines.If we can produce great fruit, our wines will inevitably bring good surprises.

MS: Manuel, Vinho Verde,considering the pricing, is missing a golden opportunity to revive its brand. The marketing needs to be a lot stronger. It is perfect for this economy and summer is coming up. Mont, Moschos can be very fine in a delicate style--and the Boutari indeed will be reported on this April. Their Assyrtiko is pretty nice, too.

Depois curiosamente outras pessoas entraram na conversa. Dois pontos me merecem reflexão nesta conversa.

O primeiro é positivo e simples: é que o Vinho Verde é assunto de conversa. Já lá vai o tempo em que os jornalistas ignoravam a região. Que volta demos ! Hoje quando chegamos aos EUA, ao Canadá e a outros mercados, o Vinho Verde é bem visto, gera buzz. Basta fazer uma breve pesquisa na net e vemos a força do cliente a falar da nossa região.

A segunda é mais difícil "Vinho Verde... is missing a golden opportunity to revive its brand". Não há dúvida que o Vinho Verde está forte, mas precisa de ser alavancado com muita comunicação. É preciso que os nossos exportadores deixem de considerar os EUA como um mercado distante para onde se enviam umas paletes e o trabalhem como se de um mercado interno se tratasse. Estando lá, investindo, apoiando o importador e a distribuição. É que são as marcas - e não a CVRVV - quem realmente vende vinho.

Os dois gráficos que se seguem foram elaborados a partir das estatísticas de exportação do INE, intrastat. O primeiro revela os volumes e valores globais de exportação para os EUA e dispensa comentário.

O segundo refere os valores médios/litro tendo por base os preços mencionados pelo exportador no documento de acompanhamento. Diga-se em abono da verdade que o preço médio não evoluiu muito, situando-se na casa dos 2,0 euros/litro, com excepção de 2000/2001, talvez por efeito da produção escassa que se verificou em 98 e 99.
Se o conhecimento do mercado norte americano o interessa, aqui fica algum trabalho de casa:

  • no marketing da CVRVV ( marketing@vinhoverde.pt ) está depositado o estudo da Wine Intelligence sobre os mercados de exportação de Vinho Verde, à sua disposição; pode ser enviado por correio electrónico;
  • clique aqui para aceder à página do Wine Market Council e consulte cada uma das três opões de dados que tem na esquerda;
  • para conhecer alguns dos Vinhos Verdes à venda nos EUA e respectivos preços, clique aqui, e também aqui, e também aqui. Este último é muito interessante, pois ao seleccionar cada marca, tem acesso às opiniões dos clientes sobre esse vinho.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Marcas, países, qualidade e preços

Se V. quiser um automóvel robusto e fiável compra Alemão ou Romeno ? se quiser um sapato elegante e distinto, compra Italiano ou Coreano ?

Há uma relação muito interessante , potenciadora e/ou limitativa entre a imagem pública de um país e a imagem ndos produtos que lá se elaboram. Se V. for lançar uma marca de roupas de luxo, terá mais sucesso com sede em Paris ou em Vladivostok ?

Se tiver algum tempo para dispor, ouça esta entrevista de Al Ries ao programa Pessoal e Transmissível da TSF, convidado por Carlos Vaz Marques. Clique aqui.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Dão, a Bairrada e a Beira Interior


Ora aqui temos uma notícia esclarecedora no JN de hoje. Acabou a novela das fusões e não fusões entre o Dão e a Bairrada. O Ministro da Agricultura já o tinha afirmado por ocasião da Essência do Vinho no Porto. Muito têm agora estas CVR's para pedalar agora. É que não basta reclamar "independências". É preciso cumprir normas de qualidade ( NP EN 45011 e laboratórios 17025 ) que vão obrigar a investimentos e a mudanças no modelo de gestão. Que vão obrigar a lideranças dinâmicas, fortes e muito profissionais. Para quem acha que o mais difícil já passou, as novidades estarão ao virar da esquina.

Mas o país precisa de um Dão e uma Bairrada fortes. E estas regiões, produtoras de vinhos admiráveis, bem o merecem. Vamos a ver.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

As castas nos vinhos


Foi publicada hoje a legislação que dará corpo a um novo segmento de vinhos a lançar no mercado nacional e na exportação: os vinhos com indicação de casta e ano de colheita mas que não são pré-certificados com uma DO ou IG.

Manifestei-me ( a título pessoal e em representação da Região dos Vinhos Verdes ) desde o início em apoio a este segmento de vinhos, mas totalmente contrário à forma como ele foi construído. Estou convencido que o sistema de controlo que foi estabelecido é ineficaz e em breve seremos confrontados com clientes que adquiriram vinho que menciona uma casta no rótulo mas que realmente não é isso que se encontra lá dentro.

Admito porém que só duas associações nacionais criticaram a Portaria: todas as demais, aliás largamente maioritárias, a apoiaram.

Estamos num regime democrático, e ainda bem. Enquanto se fez o debate público sobre este novo segmento, manifestei-me publicamente, produzi documentos, dei o meu contributo. Mas também estamos num Estado de Direito, e ainda bem, pelo que a partir de agora trata-se de cumprir a lei.

De entre os muitos documentos que fomos produzindo ao longo do tempo, deixo aqui algumas para memória futura:


Clique em "vinhos de mesa" em baixo à direita para ler todos os artigos colocados no blog sobre este assunto.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vinhos de Portugal: que vinhos ?

O logótipo que vê em cima passará a acompanhar todos os vinhos portugueses no mercado externo. É um simbolo que se pretende que unifique os nossos vinhos e regiões, ajudando a criar a imagem de Portugal como um país produtor de vinhos de qualidade. Cá não nos damos conta, mas nos mercados mundiais de vinhos, Portugal ainda é mutio desconhecido como um produtor de vinhos e muito menos de grandes vinhos. Este logótipo foi financiado pelos produtores e comerciantes e desenvolvido sob coordenação do Instituto da Vinha e do Vinho.

Agora coloca-se a questão: vamos permitir que todos os vinhos Portugueses o passem a usar, ou só alguns ?

A Sogrape elaborou um documento que distribuiu ao sector em que se pronuncia claramente a favor de que o símbolo seja usado por todos os vinhos Portugueses, ganhando assim escala e visibilidade. Só assim ganhará aliás o valor que lhe queremos atribuir: que qualquer cliente pelo mundo fora veja esta imagem numa garrafa e saiba que é vinho Português.

Apoio esta posição, que me parece correcta.

Não podemos porém esquecer que o país produz vinhos admiráveis, mas também alguns vinhos... que mais valia não ter vindimado.... Onde está o meio termo ? É importante que este sector, rico em associações e instituições, participe activamente nestes debates, afinal sobre aquilo que é o nosso património.


PS. já seu que parece o "P" do Público, não reclame. Também reclamei na altura certa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vendas em Março: acabou a descida ?

Finalmente a curva inverteu-se. Ao longo do último ano, as condições muito duras do mercado nacional fizeram-nos perder vendas, apenas suportadas pelo crescimento sólido das exportações. Março é o primeiro mês em que as vendas totais não descem face a 2009 e as primeiras informações que temos é de que em Abril se manterá a tendência. A 31 de Março estamos práticamente com o mesmo branco colocado no mercado que em igual periodo de 2009.

Já o comportamento no tinto não nos dá muito conforto.

Interessante o resultado do rosado, ainda em valores muito pequenos mas com uma clara linha de crescimento.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Stocks em Março

Os stocks a 31 de Março. Estamos com 47M de litros de branco. O valor em si não é significativo para o mercado expectável, mas há que lhe somar o mosto branco, 12 milhões que se encontra na maior parte já em casa dos engarrafadores. Estamos com um stock um pouco acima de igual data no ano passado. Como verá num próximo texto, as vendas pararam de descer ( boa notícia ), pelo que o aumento do stock não significa um excedente com forte influência no preço.

O tinto aumenta também, embora em menos percentagem.

O aumento do mosto branco, já mencionado acima, corresponde sobretudo a vinho que já se encontra no comércio