quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A paciência que precisamos de ter...


Povo inventivo, os nossos amigos brasileiros devem ter ocupado uns bons finais de tarde à beira mar a pensar no assunto. E, de tanto pensar e tanto fumo fazer, saíram-se com uma ideia de mestre: vamos obrigar os vinhos europeus a apresentarem um certificado de origem imprimido na Europa e assinado à mão, para os vinhos poderem entrar no Brasil.

É de facto uma ideia linda, que não impede as exportações, mas que obriga a que cada encomenda siga com uma pastinha onde vai o certificadozinho de origem do vinho assinado à mão. E tem de ser a azul, senão vem tudo para trás.

NOTA A QUEM NEGOCEIA COM O BRASIL EM NOME DA UE: as mangas, a aguardente de cana, a picanha, as t-shirts, os aviõeszinhos da embraer, os músicos e as novelas também deveriam chegar à europa acompanhados por um certificado assinado à mão em azul.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Jornadas técnicas na EVAG

Dezenas de técnicos reuniram-se na Estação Vitivinícola Amândio Galhano em mais uma edição das jornadas técnicas. Várias apresentações sobre a evolução do ano vitivinícola antecederam a prova dos vinhos trazidos pelos enólogos e respectivo comentário.

Se não pôde ir, consulte as apresentações, clicando aqui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vinho: novas regras nos rótulos americanos ?


É curioso como temos todos a tendência para achar que a relva do vizinho é mais verde que a nossa. Não há reunião de "especialistas de marketing de vinhos" na Europa em que não se reclame a aplicação neste continente do sistema dito americano de grande liberdade nas regras de produção e comunicação dos vinhos. Da América diz-se que é o país onde os produtores são livres, produzem sem regras, as empresas são saudáveis e geram muita riqueza.

Obviamente não é assim, nem os americanos quereriam que fosse assim. Um dos movimentos mais curiosos dos Norte Americanos ( e dos restantes países produtores do continente ) tem sido a criação de regiões demarcadas, com as suas regras de produção e comunicação.

A este propósito, chegou-me esta semana alguma documentação muito curiosa. É que o BATF, a agência do governo federal americano responsável pela venda dos vinhos está a preparar legislação para regulamentar a utilização de termos como Estate, Farm e outros que correspondem ao nosso "Quinta". Os americanos fartaram-se de ver garrafas com a expressão "Estate vineyards" quando na prática o vinho era comprado a granel das mais diversas origens e vendido sob essa marca de quinta.

Andam pois os americanos a criar regiões demarcadas e a regrar a rotulagem das marcas de quinta.

O mercado livre não é o mercado da balda. Isso tem um nome, é o caos. O mercado livre é aquele que tem regras claras, transparentes que são para cumprir mas que são tão pouco intromissoras quanto possível.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Uma garrafa de vinho ? 600 litros de água !


Dois artigos muito interessantes sobre o vinho e o ambiente.

O primeiro, que pode ler aqui, recorda-nos de todos os recursos que usamos para fazer uma garrafa de vinho: 600 litros de água, 0,33 litros de gasóleo.

O segundo, que pode ler aqui, analisa a pegada ambiental de uma garrafa de vinho. É amigo do ambiente abrir na europa uma garrafa de vinho biológico do Chile que teve de atravessar meio mundo a queimar petróleo para chegar cá ? que alternativas temos, enviar o vinho a granel e engarrafar no destino ? Em final do texto, uma referência a algo que conhecemos no Vinho Verde: como as alterações climáticas estão a mudar os vinhos que produzimos.

Tudo isto no Ecolab, o blog do jornal El País.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O vinho e a propriedade industrial

Quando falamos do vinho, muito raramente se fala da marca enquanto património jurídico, enquanto direito de propriedade industrial que é essencial gerir continuamente. À medida que as marcas ganham visibilidade nos mercados, também aumenta a tentativa de terceiros de usar indevidamente as marcas para benefício próprio.

Contrabalançando um mercado nacional amorfo, as exportações de Vinho Verde estão muito fortes, certamente 2010 será o nosso maior ano de sempre, ultrapassando 2009 que já tinha sido muito bom. O aumento de vendas, aumentando a visibilidade da marca fora do país, significa também um crescimento das tentativas de cópia da marca.

Combater estas tentativas é o trabalho, muito desconhecido, do nosso departamento jurídico, em colaboração com o nosso agente da propriedade industrial. Anualmente tomamos dezenas de iniciativas em vários pontos do mundo neste sentido: contestamos o registo de marcas, fazemos negociações extra-judiciais e, quando não há outro remédio, recorremos aos tribunais. O que não sai barato nem é fácil, pois há países em que a protecção de uma denominação de origem europeia é a última das suas preocupações.

Dito isto, a imagem de cima é um bom exemplo. Esta marca foi lançada no mercado alemão e é uma clara cópia do Vinho Verde, desde logo pela marca "Edition Verde" mas também pelo tipo de garrafa, rótulo e título alcoométrico de 9,5%. Só a marca está protegida por nós, claro.

Por se tratar de um país da União Europeia, solicitamos a intervenção do Ministério da Agricultura, através do Instituto da Vinha e do Vinho, o qual movimentou o seu congénere alemão com o apoio do AICEP em Berlim e da REPER, a representação Portuguesa na UE em Bruxelas. E tudo isto com bom resultado: a marca foi já recusada pelas autoridades alemãs e deixou de ser comercializada.

Fim feliz. Tenho aliás uma óptima ideia para os nossos amigos alemães: bebam Vinho Verde.
É que o original é sempre melhor do que a cópia !

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vinho Verde: stocks e vendas em Novembro

( clique na imagem para aumentar )

Este é o stock a 30 de Novembro, após a entrada da maioria das declarações de produção. Estamos com um stock de branco superior ao do ano passado em data igual. Como veremos adiante, as vendas de branco estão bem e sobretudo as exportações muito sólidas. Porém, o stock é mais que suficiente, o que garante um abastecimento confortável.

Merecedor de alguma reflexão é o stock de tinto.

Os valores de produção de 2010 estão neste momento praticamente finalizados e serão divulgados ao Conselho Geral agendado para 29 de Dezembro. Após essa data os colocarei aqui.
( clique na imagem para aumentar )

As vendas até Novembro. No branco estamos a recuperar da descida de 2009. É uma recuperação ancorada a 100% na exportação, pois o mercado nacional está amorfo. A nossa percentagem de exportação tem vindo a aumentar, aproxima-se dos 20%, o que significa que o crescimento na exportação se reflecte cada vez melhor nas vendas totais.

O tinto, pelo contrário, já não sei o que escreva... Vamos lançar em breve uma campanha publicitária de apoio ao tinto, vocacionada parta o mercado da região. Terá resultados, sim, estou convencido, mas não fará milagres. Há um problema vitícola a resolver: é preciso reconverter tinto para branco e equilibrar a oferta.

A propósito do tinto e das suas dificuldades na exportação, um pequeno texto que retiro do blog do Vinho Verde Tasting Club de Arlington, Virgínia e que dispensa comentários "A red Vinho Verde took some getting used-to, but once the novelty wore off, most didn’t like it. A bit tart and thin, it (...) didn’t perform at all on its own" Isto num grupo em que a pré-disposição para aceitar os nossos vinhos é enorme.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A árvore do Vinho Verde
no Natal de Mondim de Basto

A região de Basto é uma das mais bonitas e porém desconhecidas do nosso país. Mondim de Basto, Celorico, Cabeceiras e Ribeira de Pena ( ex-Ribeira de Basto ) estão acessíveis por auto-estrada e bem merecem a sua visita. É uma região linda, com óptima gastronomia e vinhos, ar puro, bons turismos de habitação e pequenos hotéis. Sem esquecer a famosa Senhora da Graça, destino de peregrinos e dos ciclistas-heróis da Volta a Portugal que a sobem com uma alma imensa.

Hoje fui a Mondim de Basto, onde a Câmara Municipal inaugurou uma árvore do Vinho Verde !

Aqui fica a prova.