terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: exportações


Em breve publicarei aqui dados com muito detalhe sobre as nossas exportações 2010 cujos números temos já fechados. Por agora fica só este gráfico que acabo de fazer e me deixa bastante bem disposto !

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O IVDP-TV ?


Não tenho por hábito reflectir nesta página na evolução das demais regiões Portuguesas até para não correr o risco de ser mal entendido. Desejo a todas sucesso: o delas é o do país.

Quero porém, realmente, registar a minha surpresa com o modelo institucional que se encontrou para a certificação dos vinhos da Região de Távora e Varosa e Terras de Cister.

Para quem não conhece a região de Távora-Varosa, um nome diz muito: Murganheira. A página Infovini define-a deste modo: "A norte da região das Beiras e fazendo fronteira com a região do Douro, situa-se a Denominação de Origem Távora-Varosa. É uma região de pequena dimensão, todavia muito relevante na produção de espumantes. As castas brancas são as predominantes na região (Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio, Chardonnay). As castas tintas mais plantadas são a Touriga Francesa, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Pinot Noir. Apesar da produção da região ser liderada por espumantes, também são produzidos brancos frescos e tintos suaves."

Tornou-se evidente nos últimos anos que não se justificava a existência de uma entidade certificadora só para esta região, o que os produtores da região, de bom senso, aceitaram. Mais, tornou-se claro que a opção destes era que os seus vinhos fossem certificados pelo IVDP e não pela CVR ou CVR's a sul, nas Beiras. O que é legítimo.

Calculei pois ( a gente calcula cada coisa... ) que se encontrasse algum modo de o IVDP passar a certificar este vinho que lhe é externo. Isto porque o Varosa não é Douro, encontra-se fora do Douro, algo que ninguém contesta nem pretende alterar.

Ora o Decreto-lei nº 20/2011 de 8 de Fevereiro foi por um caminho totalmente diverso. Com efeito, vem alterar o Estatuto do IVDP consagrando neste a três novas funções:
  • certificar os vinhos da região demarcada
  • proteger os nomes “Távora-Varosa” e “Terras de Cister"
  • promover os produtos no mercado nacional e internacional.
E, para assegurar a representação dos produtores e comerciantes, cria no IVDP um novo Conselho Geral.

Não se trata pois de o IVDP prestar um serviço diverso do que presta aos produtores do Douro. A prestação de todos os serviços relativos à DO Távora Varosa passa a ser uma competência no coração do próprio instituto do mesmo modo que o são as restantes DO's.

Naturalmente, faz todo o sentido que os vinhos desta região sejam certificados por uma entidade pré existente. E percebe-se sem hesitação a opção pelo IVDP. Mas seria necessário dar, no Estatuto do IVDP a mesma dimensão de funções que este têm para o próprio Douro ? Aliás, para haver igualdade face a estas DO's, só faltam duas coisas: que os produtores do TV tenham lugar no conselho interprofissional do IVDP e não apenas na nova especializada e, finalmente, que o IVDP altere a sua designação.

O Decreto enxerta de modo tão sólido o TV no IVDP que cria situações interessantes de acompanhar no futuro. Quem vai determinar a taxa a cobrar aos novos vinhos ? o seu conselho ou o interprofissional do IVDP ? e já repararam que os produtores do TV têm um conselho próprio, onde vão determinar as suas regras e gerir a sua DO, mas os produtores do Moscatel do Douro, que é um DOC, ficam a ver navios ? é que o IVDP passa a ter três conselhos especializados, dois dos quais constituem o conselho interprofissional.

Imagino também os colegas do IVDP a fazerem contas para verem como vão dar corpo ao que a lei os obriga "promover os produtos no mercado nacional e internacional." ... bem como o custo que terá registar e proteger as novas DO's. "Terras de Cister" será registado no Uzbequistão ?

Só espero é que o site www.ivdp.pt não passe para www.ivdp.tv

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: stocks em Janeiro


( clique na imagem para aumentar )

Não vale a pena estar com rodeios, o stock está confortável. O branco parece excessivo mas importa notar isto: dos 61 milhões de litros, cerca de 40 estão já no comércio. No pequeno viticultor estão 8 milhões em 20.000 pessoas: não é económico ir busca-lo. Quer isto dizer que, das duas uma: ou o comércio está abastecido para a campanha; ou então se precisar de comprar não vai ter imenso onde. Não se justifica pois uma queda disparatada no preço do branco, salvo se as vendas ficarem bem aquém do esperado.

Não assim no tinto, onde temos um stock de 23 milhões para uma venda expectável de metade deste valor como DOC Vinho Verde. O mapa de desclassificações ( que não costumo incluir nesta página mas que está disponível em vinhoverde.pt ) vai certamente reflectir o escoamento de algum do tinto ao longo do ano. Importa que quem apoia os produtores nas reconversões de vinha atente bem nos números do stock de tintos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vinhos: aprender a vender nos EUA


No momento em que no nosso país os produtores se esgadanham para ver quem manda na promoção e quem come mais croquetes nas inaugurações de feiras, os nossos vizinhos apresentam esta página admirável de formação para vender vinho nos EUA. Merece meia hora de atenção e descarregar os documentos disponíveis.

Clique aqui.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vinhos Portugueses: transitos de uvas

( clique na imagem para aumentar )

Porque o trânsito de uvas entre regiões não é assunto que deva ser tratado à mesa do café, aqui deixo, sem mais comentários, o mapa oficial emitido pelo Instituto da Vinha e do Vinho que traduz os trânsitos de uva na última vindima.

Em cima o mapa resumo. O documento completo pode ser lido aqui.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: mercado EUA


Fechamos 2010 como um ano recorde nas exportações para os EUA. Estamos a crescer naquele mercado desde 2000. E crescemos em quantidade e em preços médios. Nos dados fechados a Novembro, estávamos com aumentos de 25% em quantidade e 34% em volume. O Vinho Verde representa mais de 50% dos vinhos Portugueses ( não licorosos ) exportados para os EUA. É indiscutivelmente um excelente resultado. Com dois bónus: um é que estamos definitivamente a sair da comunidade Portuguesa e portanto a entrar num mercado com um potencial fabuloso. O segundo é que não o estamos a fazer à custa de preço: vários vinhos vendidos bem acima da média estão a marcar pontos.

Aproveitei o fim da tarde de hoje para ir um pouco mais fundo e analisar em detalhe quem está presente naquele mercado e como. Infelizmente não posso divulgar os dados por marca, mas atente no gráfico em cima. Reflecte as exportações, em quota de volume, ordenadas por firma:

  • as duas principais firmas representam 70 % do negócio. Se juntarmos a terceira chegamos quase aos 80% !
  • há 34 empresas a exportar regularmente para os EUA ( algumas com várias marcas )
  • há vários Alvarinhos na lista. Curiosamente os EUA não só são o nosso maior mercado externo, mas são também quem compra melhores vinhos, ou mais caros pelo menos.
A concentração nas quotas de mercado é pois impressionante. E do mesmo modo a forma como temos nos EUA 2 grandes exportadores ( acima de 1M litros ) e depois um fosso imenso até ao terceiro ( 300.00 litros ).