segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Estamos a fazer um grande investimento na informática que será gradualmente visível para a região dos Vinhos Verdes. As firmas e produtores que acedem ao sistema da CVRVV verão a partir de hoje já uma inovação: um novo módulo de ligação directa à nossa contabilidade permite a cada produtor consultar todo o histórico da sua relação financeira com a CVRVV, podendo conferir as contas e reimprimir documentos que tenham em falta.

Gradualmente serão lançados novos módulos, dos quais destaco um pela sua ambição e importância a possibilidade de os produtores fazerem a sua declaração de produção a partir do seu escritório, sem terem de se deslocar à CVRVV. Esta aplicação está em desenvolvimento final e testes e será disponibilizada já em 2011 apenas para um grupo piloto que a testará.

A boa gestão da informação é uma orientação central da CVRVV desde há muitos anos e ajudar-nos-á, ainda em 2012 a atingir o objectivo de permitir a um produtor que faça toda a campanha e o processo de certificação sem que tenha de se deslocar à CVRVV.

Caso o caro/a leitor seja utilizador no nosso sistema informático não esqueça pois de avisar a sua contabilidade que a partir de hoje podem conferir os movimentos financeiros directamente no site.

Um novo imposto nos vinhos ?

Tenho já como certo que a partir de Janeiro será cobrado o Imposto Especial de Consumo ( IEC ) sobre os vinhos. O IEC é um imposto de criação e estrutura europeia, que incide sobre os combustíveis, o álcool e o tabaco. A regulamentação europeia, muito detalhada, e uma série de ferramentas de trabalho fazem com que o Estado-membro tenha um poder de decisão limitado, que tem como ponto mais relevante a determinação da taxa a aplicar a cada produto. Mesmo assm, sem grande liberdade pois existem tarifas mínimas e há uma constante pressão de harmonização trans-europeia.

Deixando agora de lado o tabaco e os combustíveis, em Portugal o imposto incide sobre as bebidas alcoólicas com taxas diferenciadas tendo em conta precisamente o álcool presente. Para os chamados "vinhos tranquilos", a taxa é zero, ou seja, os produtores e cometrciantes estão sujeitos ao importo e cumprem alguns dos seus requisitos mas não lhes é debitado valor algum.

Já várias vezes aqui escrevi sobre este assunto e foi com surpresa que fui lendo cada Orçamento de Estado mantendo a taxa zero para os vinhos. Agradável surpresa. Nos últimos dias porém, duas conversas com pessoas diferentes mas ambos bem colocados dão-me conta de que o inevitável muito provavelmente sucederá, teremos IEC nos vinhos em 2012. Estão em discussão os valores.

O custo que o imposto vai trazer não será só por si a principal consequência, mas sim a alteração de procedimentos. Desde logo a necessidade de apresentar garantias bancárias para os entrepostos de armazenagem. Além disso, o rigor nos registos e na armazenagem de produtos. A partir do momento em que o vinho está sujeito a um imposto por litro, o imposto é suportado pelo produtor mesmo no caso de perdas em adegas, desde que excedam os limites da lei. Não tenho qualquer dúvida que a entrada do IEC nos vinhos significará uma "varridela" num número de empresas menos organizadas.

Para conhecer as taxas de IEC em todos os Estados-membros, clique aqui.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vinho Verde: as vendas e o rosé

( clique para aumentar )

Em cima o mapa de vendas até Julho. Os mesmos apontamentos dos meses anteriores: o branco suporta as vendas nas exportações ( que crescem bem, ver aqui ) pois o mercado nacional está recessivo. O tinto mantém os problemas estruturais que já se vêm manifestando.

A propósito da recessão no mercado do tinto, vários produtores têm vindo a lançar rosés aproveitando também a oportunidade que este segmento representa pois está a crescer. O Muralhas e o Casal Garcia rosé são na nossa região as marcas com mais presença no mercado.

O rosé representa ainda uma pequena parcela no mercado nacional de vinhos, menos de 10% em dados Nielsen. Está porém em crescimento e a CVRVV tem investido numa campanha autónoma de promoção do Vinho Verde rosado.

Veja em baixo alguns números. Se é certo que as vendas estão a crescer há vários anos, também não faz sentido que a crise do tinto leve a uma sobreprodução de rosado, transferindo o problema de um lado para o outro. A escolha é dos produtores. Nisto, como em tudo, haverá um meio termo. Mas aqui quem decide é o mercado.