domingo, 30 de setembro de 2012

Memória do Vinho Verde


Bonito cartaz, de autor desconhecido, retirado do jornal Gazeta da Beira e que foi restaurado pelo Snr. Cândido Sousa. Faz alusão aos Vinhos Verdes de Lafões, região que em tempos esteve integrada na nossa demarcação.

Lafões tem hoje uma DO própria, que não engarrafa e está integrada no vinho regional Terras do Dão.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Notas da vindima II: onde está o vinho ?

Guimarães: as primeiras uvas de 2012 entram na Adega Cooperativa
Em ano de pouco vinho, o stock ganha especial importância. Há colegas que entram na vindima com algum vinho em casa, eventualmente que adquiriram nos últimos meses, enquanto que outros se procuram abastecer mais em cima da hora.

Onde está o vinho ? há poucos movimentos no mercado de granel e o vinho que aparece na bolsa está-se a movimentar rapidamente: já desapareceram os lotes principais e ficam volumes muito pequenos que é caro transportar. Estamos hoje mesmo a enviar uma circular aos produtores que têm vinho em stock para que o coloquem na bolsa.

Como o mapa de stocks por empresa não pode ser divulgado, estive a estuda-lo e aqui seguem alguns apontamentos quanto ao vinho branco apenas:

  • temos em stock aproximadamente 30 milhões de litros, ligeiramente menos do que tínhamos no ano passado à mesma data;
  • considerando que não é rentável transportar quantidades abaixo de mil litros, então, temos em stock 28 milhões de litros em 1600 produtores. Se considerarmos quem tenha em stock mais de 10.000 litros, então temos 24 milhões de litros em 236 produtores. Não esqueça porém que a vasta maioria destes 236 são engarrafadores e por isso precisam de vinho para si próprios;
  • fiz um exercício que é, a partir da lista de stocks retirar todos aqueles que são engarrafadores ( pois admito que precisam do vinho para si ) e ficar só com os produtores não engarrafadores e de seguida retirar destes que que têm menos de mil litros.  O resultado é que temos 2 milhões de litros repartidos por 1023 pessoas.
Percebe-se bem assim porque é que o mercado de granel está pouco movimentado.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Notas da vindima

Caixas de vindima aguardam as uvas na Quinta de Gomariz
  • O S Pedro decidiu testar-nos. Ao limite. Já não bastava a meteorologia ao longo do ano e agora esta chuvada logo na abertura. Aparentemente os próximos dias até ao meio da próxima semana serão mais secos;
  • há menos uva. É unânime. Diz-me um colega que "quando parece que há menos, há menos do que parece e quando parece que há mais é o contrário". Admito que sim.
  • a operação de controlo da produção em Resende e Celorico está a correr muito bem, em paz. Estamos a controlar a rastreabilidade sem provocar atrasos nos produtores. Um dia escreverei sobre as pressões que tivemos para não realizar esta operação. Ou talvez não.
  • a IVV está a ter uma acção interessante junto das entidades fiscalizadoras para impedir o trânsito de uvas/mosto e vinho sem os necessários documentos de acompanhamento. É uma boa iniciativa, que se felicita e só peca por tardia;
  • uma palavra  de felicitação para os produtores ue estão, quase diariamente, a colocar na internet o relato da sua vindima, captando e fidelizando os clientes.
Vamos andando e vamos vendo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Vinho Verde e Gastronomia

Para si, que tem faltado ao concurso Vinho Verde e Gastronomia, este ano já na 5ª Edição, aqui fica o registo de cinco anos e dezenas de grandes pratos e grandes vinhos.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A vindima em Resende


Começa a vindima. temos menos uva mas teremos otimo vinho. Valha isso. Muitos produtores de Resende nos contactam, apreensivos por causa dos controles de qualidade e origem nas uvas.

E com muito gosto esclareço as dúvidas que nos são colocadas:
  • a operação de Resende e Celorico é exatamente igual à de Resende no ano passado e igual operação será feita noutros concelhos - os colegas da CVRVV assistem à vindima e emitem um documento de validação para o trânsito de uvas;
  • os produtores têm apenas de avisar a CVRVV com antecedência da data da vindima - nessa data podem vindimar e transportar, quer esteja lá uma brigada nossa ou não. Desde que tenham avisado com antecedência, nada impede que vindimem exactamente como planearam;
  • os produtores que apenas vindimam para consumo próprio não precisam de avisar.

Não tem de haver pois qualquer receito de que a vindima se atrase: o produtor vindima na data em que entender, bastando apenas que avise a CVRVV deque o vai fazer.

Este tipo de operação valoriza a qualidade e o preço das uvas de Resende e Celorico pois assegura que as uvas que chegam aos centros de vinificação estão em otima qualidade e são efectivamente provenientes destes concelhos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

IVV: recuperar taxas ?

Um colega do sector fez-me chegar um documento muito curioso. Uma proposta de uma firma de consultores que se propõe reaver do IVV o valor das taxas de promoção invevidamente cobradas sobre vinhos importados entre 1995 e 2006.

A recente alteração na lei que estabelece as taxas do sector veio precisamente colmatar este problema: é que o país cobrava a Taxa de Promoção sobre os vinhos importado e parte desta taxa era usada na promoção dos vinhos Portugueses no mercado externo.

A Comissão Europeia analisou o assunto, motivada por uma queixa de uma empresa Portuguesa que alegava que se tratava de uma medida descriminatória porquanto se taxavam os vinhos importados mas a parte da taxa que se destinava à promoção só beneficiava os vihnos nacionais. Descriminatório portanto sem dúvida como aliás foi dito desde o início...

Ora, uma empresa de consultores ( e outras, calculo ) propõe-se contabilizar a taxa paga por cada empresa sobre os vinhos importados e recuperar o valor desta taxa junto do IVV.

Tenho muitas dúvidas porém sobre a exequibilidade deste pedido uma vez que, ao contrário do que se alega, o Estado Português não só não foi condenado a devolver seja o que fôr mas, mais do que isso, terá conseguido sustentar legalmente junto da Comissão Europeia que não foi dada uma "ajuda de Estado" às empresas.

Seja como for, foi solicitado ao IVV que agende o assunto para esclarecimento em sede de Conselho Consultivo. A importância do assunto justifica o tratamento transparente: ou não há lugar a devolução, ou então, se há, deve ter um processo simples e aberto a todos sem necessidade de empresas de consultores que só acrescem custos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vendas e stocks em Agosto

Para preparação da vindima, aqui ficam os dados de vendas e stocks reportados ao fim de agosto nos últimos três anos.

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O stock mantém a tendência dos últimos meses, claramente estamos a abrir uma vindima curta com um stock que está médio ou talvez um pouco baixo. Mas o caro leitor saberá interpretar melhor, certamente.

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Num ano de tremenda crise económica ( e mais ainda após as notícias dos últimos dias que fazem antecipar o pior para 2013 ) é confortante perceber que estamos uns meros 4% aquém das vendas de 2011 no branco. É a exportação que nos ajuda, tudo indicando que vamos bater um novo recorde. Quanto ao mercado nacional, estamos conversados...

O tinto inverteu a tendência que tinha mostrado em meses anteriores, de algum aumento de vendas e mostra uma ligueira quebra face a 2011. Mais vale os produtores reforçarem a produção de rosado do que continuarem a apostar em tanto tinto. Ou é muito bom, ou então há que procurar identificar alternativas.

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Nos segmentos mais pequenos, mantemos a tendência verificada nos meses anteriores: sólido aumento no rosado e alguma consolidação no Alvarinho e Loureiro, com melhores resultados para este último, uma vez que o primeiro está muito exposto ao factor preço.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Touriga Nacional


A propósito da Touriga, e reflexão útil para o Alvarinho, aqui temos um Touriga Nacional fotografado pelo José Arruda no Brasil.

É um erro estratégico, diria um erro trágico, quando uma região se demite da sua promoção, em favor da assimulação de uma casta como se fosse uma marca sua. As castas são mundiais por definição. Usar uma casta no rótulo pode ser uma fabulosa alavanca comercial mas é preciso ter a cabeça fria e perceber que:
  • a "marca" é o único bem que verdadeiramente pertence ao engarrafador. É na marca pois que deve estar o centro da sua comunicação - o resto, castas e região, são um complemento que acresce valor;
  • a "região" é uma designação que pertence a todos os produtores de uma determinada área. É esta designação que valoriza a ligação única de um vinho a um território.
 Apostar na casta como alavanca central da promoção ( desvalorizando marca e região ) é simplesmente entrar no mercado do preço. Basta conversar dois minutos com os produtores do novo mundo para se perceber isto.

Por isso é que é bom que os vizinhos das Rias Baixas estejam a investir tanto na promoção da casta Albariño nos EUA em detrimento da designação da sua própria região. É que, sendo assim, estão a criar valor para que nós e outros produtores de Alvarinho possamos ir lá e beneficiar desse negócio que eles criaram.

Mas também por isso é que muitos produtores de todo o Portugal acham bem que Monção e Melgaço invistam tanto na promoção da casta Alvarinho, em detrimento das suas marcas e da DO...

domingo, 2 de setembro de 2012

Vida dura...

Vida dura têm os membros do júri do Concurso Vinhos Verdes e Gastronomia, que vai agora na V edição. Esta semana andam a correr o país a avaliar os candidatos. Em baixo, fotos das jornadas de árdua labuta.


E mais uma.


No dia 18 de Setembro conheceremos os vencedores num jantar fabuloso, inscrições a abrir em breve, em que teremos a oportunidade de provar os pratos premiados. Até lá, o júri faz o seu trabalhinho árduo.