sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Observando a vizinhança

Comunicam os nossos vizinhos do Conselho regulador das Rias Baixas: "El Consejo Regulador de la Denominación de Origen Rías Baixas dio por concluida oficialmente la vendimia 2012. Se trata de una cosecha “escasa” en cuanto a cantidad, aunque excelente en cuanto a calidad con 17.567.877 kg de uva recogidos en las 4.048 hectáreas inscritas"

Temos pois um elemento interessante para o nosso debate interno sobre produtividade. A produção nas Rias Baixas foi este ano de 4,3 toneladas/hectare.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

2013 em perspectiva,,,


Preparar um orçamento para 2013 é uma tarefa hercúlea que não se deseja a ninguém. Andamos em volta disto hà semanas e ainda sem fumo branco.

O mercado nacional estará claramente recessivo. Tudo seria mais fácil se pudéssemos fazer como o Estado: cortávamos vencimento aos que trabalham e aumentávamos as taxas a quem paga.

Pronto, foi um desafabo: de longe a longe precisamos de dizer o que pensamos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Laboratório CVRVV



O Laboratório CVRVV durante os meses de Outubro, Novembro e Dezembro vai incluir a título gratuito nas análises sumárias vulgarmente designadas por assistência técnica  a análise dos ácidos orgânicos málico e tartárico.


Para tal basta que os produtores individuais ou operadores económicos inscritos na CVRVV entreguem para análise de assistência técnica uma amostra de volume igual a 750 ml.


O custo total desta análise sumária (incluindo os ácidos orgânicos) é de 9,88 euros + IVA para vinhos brancos e de 11,83 +IVA para tintos e rosados.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vinho Verde: vendas até Setembro

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Aqui temos as vendas acumuladas até Setembro. Como já sabemos dos mapas anteriores, a baixa global de 5%, nada mau tendo em conta a conjuntura, compõe-se de um aumento na exportação e uma descida no mercado interno. Noto porém que, do mapa anterior para este, a descida no branco aumenta quase 1%. Quer isto dizer que Setembro foi particularmente mau ao ponto de influenciar os números acumulados dos meses anteriores. Não está fácil, não senhor...

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Como habitual, separo os segmentos de menos volume para o segundo mapa. Os resultados mantém o que já vinhamos analisando ao longo do ano: o rosadomuito bem, o loureiro bem. O Alvarinho finalmente recupera um pouco, após o primeiro semestre em que esteve fraco.

Orçamento de Estado para 2013

Está apresentada a proposta de Orçamento de Estado para 2013 que já fez correr muita tinta e mais promete para os próximos dias. Como fica o vinho neste documento ? Apontamentos:

  • mantemos, quanto ao vinho tranquilo, o IVA e o IEC.
  • o IEC dos produtor intermédios ( Porto/Setúbal etc ) é fixado em 65,41€/hl
  • o IEC das espirituosas é fixado em 1.192,11€/hl
  • há uma importante alteração no IVA dos produtos agrícolas ( uvas aqui incluídas ), que é a obrigação de os viticultores facturarem as uvas que vendem. Desde que tenham um volume de vendas superior a 10.000 euros/ano ( em toda a actividade ), passam a ter de emitir factura e liquidar IVA na venda das uvas.
Para descarregar o OE 2013 clique aqui


No meio de tudo isto, uma boa notícia hoje divulgada: "Os agricultores vão poder aceder a uma nova linha de crédito, de 150 milhões de euros, através da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, e à linha PME Crescimento, até agora disponível apenas noutras áreas, anunciou a ministra Assunção Cristas."

Leia mais aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vinho Verde: stocks em Setembro

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Aqui temos as existências no fim de Setembro, não contando portanto com o que nessa data já estava a ser vindimado.

Duas observações apenas. A primeira é uma palavra de serenidade face a uma vindima que tem sido de facto difícil: há vinho em stock e a maior parte dele está nos engarrafadores, o que explica a serenidade de alguns compradores.

A segunda é para uma melhor leitura dos dados e solicito a sua boa atenção. Por vezes ouço comentários de que o vinho indicado não existe porque não pode ser comprado. Ora, claro que existe ! Porém, quando se afirma que a região tem uma disponibilidade de 28 milhões de litros de branco, não quer isto dizer que esta quantidade esteja disponível para venda no mercado de granel. Atente no gráfico seguinte.


Este gráfico mostra-nos a loalização dos 28 milhões de litros a 30 de Setembro e ajuda-nos a perecber porque é que este vinho não está no mercado. Repare, dos 28 milhões:
  • 19 milhões, bem a maioria, está em adegas e armazenistas engarrafadores. Poucos destes vendem, a maior parte guarta-o para si até porque nesta data antecipava já uma vindima curta;
  • 3 milhões estão nos armazenistas engarrafadores. Estes dificilmente vendem: são empresas que não vinificam e que apenas compram granel na medida das necessidades para engarrafar;
  • 2,2 milhões estão nos produtores engarrafadores. Algum virá para o mercado de granel, mas é um pequeno lote aqui e um pequeno ali;
  • 3,5 milhões estão nos produvores individuais, não engarrafadores. Estes vendem , claro, mas  não estão todos numa adega. Estão repartidos por mais de 15.000 pessoas, alguns com 5 ou 10.000 litros e muitos ( a maioria ) com quantidades irrisórias bem inferiores a 500 litros.

Vou trabalhar os dados de vendas que amanhã coloco aqui para sua análise.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Notas da vindima III: mau tempo e menos vinho

Imagem: José Serpa Pimentel

O S. Pedro decidiu mesmo participar na vindima com chuva. Hoje muito forte em vários pontos da região.

Apontamentos:

  • há menos vinho por cá, há menos vinho em Espanha, em França e em Itália. Claramente é um ano de escassez generalizada;
  • o balanço que fizemos na sexta-feira indica que a baixa ocorre em todos os vinificadors e adegas, embora com níveis diferentes;
  •  ao contrário de 88, neste ano o mercado difícilmente aceitará aumentos generalziados de preço. Certo é que os "Verdes" de menor preço terão de ser corrigidos, mas as marcas d emaor volume vão ter muita dificuldade em fazer repercutir o custo do produto na garrafa;
  • começam a notar-se as vinhas vitimadas pela Fravescência Dourada a fazer falta. Na semana passada reunimos com o S.E. da Agricultura e este foi um dos principais temas tratados; ontem conversei longamente com a presidente da Adega de Ponte de Lima que está muito preocupada e ocupada com este assunto;
  • ainda há vindima para fazer em vários pontos. A vindima começou tarde e muitas adegas vão ficar abertas até à segunda metade do mês.
É preciso ter a cabeça fria. Esta não é a primeira nem será a última vez que a região tem escassez. E sobretudo não atirar números para o ar. Há dias uma produtora dizia-me que estamos com uma baixa de 90%. Não estamos. Nem nada que se pareça. Na EVAG, a quebra foi na ordem dos 30%, com uma quebra de 13% nos tintos.

Seja como for, tenho como claro que precisamos de ter um significativo movimento de plantio, aroveitando o vitis e seu sucessor. Precisamos de plantar por várias razões:
  • porque há abandono,
  • porque há flavescência dourada
  • porque é preciso, diria é urgente, aumentar a produção por hectare dos viticultores para garantir a sua subsistência e assim o futuro da região.
Uma reflexão quanto ao vitis é a necessidade de as novas vinhas serem vocacionadas com vista a um unico e simples fim: a rentabilidade do produtor. Continuamos a ver produtores e associações estruturarem as novas vinhas para oferecerem uvas que o mercado não procura, por vezes sacrificando a produção para obter maturações que os clientes não procuram. Há que repensar estas vinhas. Não haverá vitis generosopara sempre e temos de o aproveitar.