sexta-feira, 28 de junho de 2013

Vinho e locomotivas


Apresento-lhe um novo Vinho Verde. Já estava disponível no mercado externo e agora chega até nós. É o Pátria.

O Pátria é o resultado de uma parceria entre um belíssimo produtor da nossa região e uma das empresas líderes de vinhos do país, a CARMIM.

A CARMIM não é a única empresa de outras regiões a investir no Vinho Verde. Recentemente a José Maria da Fonseca, João Portugal Ramos, Dirk Niepoort, a Quinta do Portal se associaram à nossa região. E estão em estudo outros projectos muito interessantes.

A entrada da CARMIM no contexto dos Vinhos Verdes tem várias leituras. Felizmente todas positivas. Desde logo é a prova de que a nossa DO tem mais valor para produtores, distribuidores e engarrafadores. É curioso ouvir os produtores da região desapontados sobre a falta de valor da nossa DO e depois constatar que os de fora a valorizam. Claramente a CARMIM não toma decisões amadoras: faz contas, analisa, avalia. 

Em segundo lugar, quebra um mito: é que nada impede que uma cooperativa de outro ponto do país disponha de um Vinho Verde no seu portfolio. Para uma cooperativa no Douro, no Dão ou no Alentejo, dispor de um Verde é um complemento interessante na sua gama. Pode obter estes vinhos em parceria com um produtor da região sem suportar custos fixos.

Em terceiro lugar desafia-nos a nós naquilo que é mais difícil. É que vamos ver o Patria à venda no mercado nacional a preços acima do que muitos produtores da rgeião conseguem. E o valor, a valorização do produto, é claramente o desafio principal que hoje enfrentamos.

Bem-vinda CARMIM, é de locomotivas destas que precisamos !

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ofertas de vinho

Quem trabalha nos vinhos é que sabe o que é estar num negócio em que todos os dias são recebidos pedidos de borlas. Não é de agora, sempre foi assim.

O vinho faz-se com um destino muito simples: ser valorizado no mercado, ou seja ser vendido a bom preço. Oferece-lo é pois uma excepção que deve obedecer a algum princípio que se justifique por um retorno alternativo, por exemplo oferecer como acção de promoção para apresentar o vinho a novos clientes ou a líderes de opinião como sejam jornalistas ou potenciais clientes.

Os pedidos de borlas raramente aparecem nús. Geralmente trazem roupagens lindas que os transformam numa oportunidade sedutora e imperdível. É "um congresso que vai trazer a Portugal cientistas de todo o mundo", é uma "festa popular que será uma oportunidade única para apresentarem os vossos vinhos", é um "jantar que reunirá vips e jornalistas de referência", etc etc.

A regra da casa é avaliar de forma muito conservadora e é muito raro oferecermos vinhos. Tenho da minha experiência que na esmagadora maioria dos casos são acções que não valem minimamente a pena. Na maior parte das vezes trata-se de organizações de congressos, viagens, jantares que pedem vinho oferecido, com a "treta" do marketing mas que simplesmente querem reduzir os seus custos e cujo retorno que nos dão é mínimo.

Costuno contar um episódio que se passou em 2004 no Euro. Ligaram para a CVRVV "da organização do Euro"  ( na altura era tudo assim... ) a pedir a oferta de vinho para uma reunião de 200 vips de todo o mundo que estariam em Guimarães para assirtir a um jogo e "provar vinhos topo de gama". Enquanto estavamos a averiguar se teria interesse ou não, constatamos que essa mesma organização tinha pedido um orçamento a um produtor local e depois recusado esse orçamento com o argumento que tinha encontrado uma entidade que oferecia. Está visto qual foi a resposto que demos. Ah. e não eram vips nenhuns, era um jantar de adeptos pelo qual tinham pago a uma agência...

Um outro ponto a ter em conta nas ofertas é que não faz sentido oferecer vinho se o ofertado não sabe o que está a beber, Uma coisa é no programa de um congresso haver algo como "18:00 prova de Vinhos Verdes". Aqui o participante é "tocado" pela informação. Coisa diferente é estar "18:00 cocktail" e nós oferecermos vinho. Neste caso o mais provável é o vinho ser servido logo em copos e o visitante mal sabe o que está a beber pois a sua atenção está na conversa. "este vinho é porreiro mas não sei o que é".

Tudo isto não nega que a oferta de uma prova é uma forma fabulosa de tocar o potencial cliente. O vinho rosado é a melhor prova disso. Quanta e quanta gente diz que não gosta de rosé por simples preconceito ? é dar a provar e rapidamente perceberão o que andam a perder.

Diria pois que a oferta indiscriminada é sempre de recusar. A oferta de vinho é uma acção de marketing como tantas outras. Deve ser planeada, definidos objectivos e avaliada depois. Importa perceber qual é o público alvo. Valeu a pena ? quantos contactos se fizeram ? que comentários tivemos ? que seguimento lhe damos ?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

IVV: mais um guia do exportador

É o terceiro guia de uma série que deverá ter ainda um outro.

Os guias do exportador são uma introdução a cada mercado, com referência ao seu contexto económico, às normas que o exportador deve cumprir e uma lista de contactos úteis. É uma ótima iniciativa do IVV que deve ser aproveitada.

Consulte-os aqui.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O que bebemos nós ?


Mapa interessante mostra qual a origem dos vinhos que se bebem em cada país. Em Portugal, 71% do vinho que se bebe é nacional. Percebe-se bem a importância das importações de granel porquanto os importados engarrafados são 5% do mercado, não ?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Não há mais papelada !





Estamos a dar hoje um passo importante para simplificar os procedimentos a que os viticultores estão obrigados: as declarações de Colheita e Produção passam a poder ser feitas pelo próprio no computador da sua casa. Ou do seu contabilista ou de onde o produtor entender.

O sistema informático da CVRVV, até agora vocacionado para os engararfadores, está a evoluir gradualmente para os pequenos produtores que poderão fazer directamente uma série de operações que se relacionam com a certificação dos seus vinhos: a DCP, os aumentos de rendimento e, futuramente, operações ligadas ao seguro de colheitas, pagamentos etc.

Para obter a sua palavra chave de acesso do sistema, clique aqui. Basta inserir o seu NIF e BI e receberá em casa por correio a palavra chave de acesso ao sistema.

Um papel importantíssimo terão aqui as associações, cooperativas e os principais vinificadores pois podem mobilizar os produtores para aderirem à entrega directa das DCP's, evitado assim as intermináveis filas de última hora.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

As vendas em Maio

Começamos a semana com a análise das vendas até ao fim de Maio. Como é habitual, em primeiro lugar o branco. Mantemos a tendência dos últimos meses, estamos a vender um pouco mais que em igual periodo de 2012 e voltamos aos números de 2011.



O aumento de vendas neste período é de 8,2%, indiscutivelmente um bom resultado. Analisando os mapas em maior detalhe, o segmento que aumenta mais é o da garrafa 0,187 que triplica as vendas. A meia garrafa perde um pouco. A garrafa 0,75 é o grosso da coluna e por isso é esta que faz a média: aumenta 8%.




Nos restantes segmentos, as notícias mantém a tendência positiva dos últimos meses. O tinto aumenta um pouco. Impressionante é o aumento do rosado, 24%. O Loureiro e o Alvarinho mantém  o comportamento dos últimos meses, o primeiro a crescer e o segundo a decrescer. Recordo um texto anterior em que comparei o Alvarinho DOC, com o Alvarinho IG, sendo que o primeiro tem vindo a descer e o segundo a crescer.

Dentro de um mês fechamos o semestre e aí veremos em maior detalhe cada um dos segmentos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Stocks em Maio

Clique na imagem para aumentar
Aqui temos os stocks de Maio que retratam uma evolução idêntica à dos meses anteriores. Num contexto em que as vendas estão sólidas, o stock é bastante limitado.

Flavescência Dourada em debate


Excelente formação sobre a Flavescência Dourada da vinha, esta tarde em Ponte de Lima, por iniciativa da Câmara Municipal local com apoio da Escola Superior Agrária, da DRAPN e da DGAV.

Poucos produtores presentes, talvez porque em Ponte de Lima já se fizerm várias acções com centenas de produtores. Importa manter esta chama bem viva, o combate a esta doença não pode esmorecer.

Os técnicos são claríssimos quanto à expansão da doença e do insecto de norte para sul.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As marcas da distribuição

Enquanto clientes, muitos de nós já não nos damos conta de quantos produtos de marca da distribuição adquirimos no nosso dia a dia. Seja nas marcas brancas, numa primeira fase ou mais recentemente nas marcas da própria distrbuição que tantas vezes nem distinguimos das marcas do produtor à primeira vista.

De acordo com a Nielsen ( boletim Scantrends de Maio 2013 ) as marcas da distribuição atingem quotas de 38,5% na alimentação ( máximo de 45% nos congelados ) e 27% na higiene ( máximo de 31% na higiene lar ).

Nas bebidas, têm uma quota de 19,6%, sendo composta por 31,3 nas não alcoolicas e 12,2 nas bebidas alcoolicas. São quotas que, em geral têm vindo a aumentar consistentemente. 

No caso das bebidas alcoolicas o mesmo sucede e de facto já nos habituamos a ver em toda a distribuição moderna os vinhos de cada região com as marcas da distribuição. E ninguém se admire se um dia uma destas "distribuidoras" solicitar um lugar num conselho interprofissional de uma Região: é que as suas marcas já começam a aparecer nos tops de vendas.

Vem isto a propósito de um folheto lançado esta semana pelo Pingo Doce "Há vitórias que sabe bem partilhar". Trata-se de um folheto promocional que não inclui todos os vinhos de marca própria, mas apenas os premiados no International Wine Challenge e no Concurso de Bruxelas. Ou seja, da sua marca, o Pingo Doce coloca no mercado nada menos de sete vinhos premiados num ou em ambos os concursos. Vinhos Verdes, Douro, Dão, Setúbal e Alentejano. E um espumante.

Temos pois que há uma empresa em Portugal que detém marcas de vinho, as quais coloca no mercado através da sua rede de mais de 300 garrafeiras em todo o país. Nenhum dos tradicionais engarrafadores anda lá perto.

Por muita escassez de vinho que possa haver num ano ou outro, o Pingo Doce representa já um volume de negócio tal ( e tem outros argumentos ) que nunca deixará de se aprovisionar de modo satisfatório para as suas necessidades. A sua gama é vasta cobrindo o país vinícola e, como vemos pelas medalhas, inclui vinhos que são objectivamente muito interessantes e a bom preço para o cliente. Conclusão disto é que o Pingo Doce depende muito menos das marcas fornecedoras do que no passado.

Em outros países europeus é assim há muito. Por cá, habituemo-nos pois não é moda passageira...

Para ler o folheto completo, clique aqui.

quarta-feira, 5 de junho de 2013