terça-feira, 18 de março de 2014

Bolsa do Vinho Verde


A imagem acima é um excerto da página de classificados do endereço Winebusiness.com da qual fui buscar a ideia para a nossa Bolsa do Vinho Verde. Esta página de classificados é muito simples, anuncia vinho a granel e uvas para venda, sobretudo na Califórnia, e os respectivos preços. Para consultar, clique aqui. Vale a pena visitar e ver como está por lá o vinho e as uvas na época da vindima. Há muito boa gente que ficará surpreendida com os preços que lá se praticam. Por exemplo hoje está uma partida de 49.000,00 litros de Sauvignon Branc 2013 à venda por 1,7€/litro.

A nossa Bolsa do Vinho Verde teve por objectivo dar liquidez ao mercado de granel (passe o pleonasmo !). Na região temos mais de 15.000 produtores de vinho que vendem pequenas quantidades a granel. Há uma pirâmide de negócio que faz com que inumeras pequenas produções se vão juntando em operadores de granel e acabem nas poucas grandes empresas que fazem compras de granel para engarrafar. Somos, de longe, a região do país que mais movimentos destes tipo gera, anualmente mais de 20.000. Temos mapas mensais de movimentos. Só em Fevereiro por exemplo circularam da produção para o engarrafamento 409.000 litros de branco e 137.000 de tinto. E neste mês estivemos a controlar todos os trânsitos: foi mesmo trânsito de vinho !

A ideia era simples: havendo uma bolsa, os produtores teriam mais facilidade de valorizar e mais mercado para colocar a sua produção e os compradores teriam mais facilidade em descobrir o vinho na teia de milhares de pequenos produtores.

E sim, a bolsa conseguiu resultados, há lotes que entram e saem a cada semana. Como é habitual na nossa terra, há a maledicência do costume, mas os números são claros: há lotes que sistemáticamente entram no mapa e saem uma ou duas semanas depois. Passo a passo, a Bolsa ganha posição como pólo de negócios.

Deparamos agora com dois problemas curiosos e difíceis de resolver.

O primeiro é demonstrativo da estrutura empresarial com que nos defrontamos: a maor parte dos lotes são de bem menos de 5.000 litros. O mínimo que aceitamos é de 1000 litros mas há produtores que pedem e insistem para incluirmos na lista os seus lotes com apenas algumas centenas de litros. Lotes tão pequenos nunca encontram mercado. É economicamente inviável ir levantar 300 ou 400 litros. Inevitavelmente venderão ao desbarato ou deitam fora e depois são tentados a transaccionar o saldo. Depois por esta impossibilidade: é que há na região milhares de pessoas a produzir vinho ( sim, vinho e não apenas uvas ), a maioria das quais sem condições de qualidade que lhes permitam colocar no mercado de granel um produto aceitável. Pergunto se não faria mais sentido a esmagadora maioria destes limitar-se a produzir uvas, vende-las e parar aí a intergração do seu negócio. No que à bolsa diz respeito, convenço-me cada vez mais que temos de aumentar ( e não diminuir ) o lote mínimo. De nada vale ter 15 páginas de lotes para venda se poucos destes são acima de 2000 litros...

O segundo é que de facto há pouco vinho na produção este ano. Para aumentar o número de lotes disponíveis, estamos a escrever e a telefonar aos produtores que têm vinho em casa para venda. Portanto produtores não engarrafadores. Ora, ao elaborar a lista para os contactar concluimos que a região só tem 34 produtores com mais de 10.000 litros em stock; e 117 com mais de 6.000 litros. Ou seja, há pouco vinho na produção. Os volumes grande estão nas cooperativas e já no comércio engarrafador.

Valha-nos o S. Pedro para 2013 !

Para conhecer a lista actualizada da bolsa clique aqui ( demora um pouco a abrir )

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vendas e stocks no fim de Fevereiro

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Vamos a ver como evoluem os stocks ao longo do ano. A imagem de Fevereiro ainda não permite grandes conclusões. Veja a este propósito o texto anterior.

O preço do granel está confortável para a produção. O granel de Vinho Verde é hoje um dos mais valorizados da península. Mais um motivo para que haja um forte empenho da região no investimento vitícola. Claramente precisamos de ter mais produtividade na vinha, levando assim mais rendimento ao produtor, sem que se aprecie o preço da matéria prima. É ver a quanto se paga o vinho em redor da região e este argumento fica muito claro...

Amanha publico um texto sobre a bolsa do vinho e os problemas de escoar a pequena produção.

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O mapa de vendas de branco é uma delícia de contemplar ! Sejamos porém prudentes, estamos em Fevereiro, a base de comparação é curta. E mau era que a região passasse o ano com aumentos destes: não haveria produto !


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O mapa dos restantes segmentos ( acima ) deve ser lido com a mesma prudência do primeiro. Claro que é muito bom ver o Alvarinho a aumentar 20% e o rosado a aumentar mais ainda. Se esta tendência se mantiver lá para Maio/Junho, então já serão dados muito sólidos.

Um caso curioso é o mapa seguinte que elaboro pela primeira vez. Ao contrário do Verde, aqui considero apenas a garrafa 0,75 litros para eliminar o efeito do granel, que é autorizado no Minho. E, dito isto, o resultado de vendas é este !

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quarta-feira, 5 de março de 2014

Análise dos stocks

A propósito de uma reunião de viticultores a decorrer esta tarde estive a analisar com alguma calma os stocks nos últimos anos influenciado até pelas notícias recorrentes de que não há vinho disponível no mercado de granel. Não vou reproduzir os mapas de vendas, que encontra em textos anteriores.



As existências estão de facto mais baixas a 31/01, sobretudo tendo em comparação os últimos dois anos. Note porém que se considerar o branco e o mosto branco como uma só unidade, as existências são bastante estáveis, aliás a tendência deste periodo é de crescimento e não de decréscimo.

Para tentar perceber melhor esta queixa de falta de produto fui analisar, para o branco, a diferença entre stocks e vendas.

O gráfico é um pouco manhoso ( leia-o com tolerância ) mas ajuda-nos a aprofundar um pouco mais. A azul encontra o stock a 31/01 dos brancos, com a soma aritmética do vinho branco e do mosto branco presente nas adegas. A vermelho a venda de branco que se realizou nesse mesmo ano civil. Para 2014 estimei uma venda que seja 5% superior à de 2013. É um objectivo que não será fácil de alcançar e que por isso agrava a análise. O mapa permite-nos pois determinar se a 31/01 temos ou não stock suficiente para o ano.


Como é fácil de ver, este problema é recente mas não é novo. Veja que em 2008 a diferença entre o vinho disponível e o que se vendeu ao longo do ano é bem menor. É certo que este ano estamos perante um stock mais baixo que o de 2013 e esperamos vendas maiores. staremos na situaçao de 2009 mas ainda não na de 2008.

Tenhamos pois serenidade, não há um lago de vinho branco mas também não faltará sem se vai apreciar desparatadamente.

No quadro seguinte a evolução dos restantes produtos. Não surpreendem as evoluções. O Minho está a descolar no stock e está a descolar nas vendas. Já vimos em mapas anteriores. A menos que haja alterações nas regras do Alvarinho, vamos continuar a ver o Minho aumentar em volumes de vendas, sobretudo nos lotes Alvarinho-Loureiro e Trajadura. Algum deste vinho será excesso de rendimento por hectare mas não é significativo.



Quanto ao rosado, o que vemos é a evolução esperada, face ao crescente volume de vendas. A região, além de estar a reconverter tinto para branco, está a produzir mais rosado e menos tinto com as uvas de que dispõe.