terça-feira, 13 de janeiro de 2015

13 de Janeiro, o dia do Alvarinho

Tenho optado por não publicar nada sobre Alvarinho para ser um elemento de ponderação neste debate acesso, neste processo de construção difícil que é a busca de uma solução para o Alvarinho.

Hoje é um dia particularmente apaixonante. Nos Arcos de Valdevez, onde me encontro, reúne o grupo de trabalho encarregado de encontrar uma solução negociada para esta questão, com representantes dos produtores de toda a região. No Porto ocorreu uma manifestação convocada pela Câmara de Melgaço, à qual os vizinhos de Monção entenderam não aderir.

Na próxima semana, com mais calma, escreverei sobre Alvarinho.

Por ora, sei que a manifestação no Porto correu bem e está a acabar e tenho muita confiança que a reunião de logo nos Arcos permitirá atingir um acordo equilibrado e de futuro, ao qual Melgaço terá toda a vantagem em aderir.



É curioso que há quem espere deste processo que haja abertura do Alvarinho, ou que não haja, que haja mais isto ou aquilo, que se distribuam estes ou aqueles lugares e cheques.

Eu, simplesmente, aponto para dois objectivos:
  • que toda a região - aqui se incluindo especialmente Monção e Melgaço - possam gerar mais riqueza e postos de trabalho pela produção de Alvarinho;
  • que a Galiza passe a ter um rival à altura no mercado mundial de Alvarinho.
Esse rival é a nossa Região !

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Seguro de colheitas

Faz seu caminho desde 1997, a nossa apólice de colheitas, lançada à data pelo Presidente José Emílio Moreira.

O seguro de colheitas é, não hesito em afirmar, um excelente instrumento de boa gestão da empresa agrícola. Ao longo dos últimos anos houve muita gente que perdeu parte ou mesmo a totalidade da suas colheitas ( este ano 369 agricultures viram a sua produção dizimada pelo granizo ) mas nada disso veio para os jornais, não houve quezílias, manifestações e tractores a bloquear as estradas. Simplesmente os produtores accionaram o mecanismo de regularização de sinistros, foram visitados por um perito que avaliou os dados e mais tarde foram indemnizados.

É claro na base disto há um mecanismo muito bem afinado. Há uma rede de 48 balcões. E há um sistema informático muito poderoso que permite conhecer o cadastro e o histórico de produção de cada viticultor e assim fazer a apólice. Este mesmo sistema mais tarde gere e valida as partcipações de sinistro em articulação com a rede de peritos da seguradora que vão ao terreno geralmente poucos dias após o sinistro.

O seguro permitiu-nos ter além disso um fabuloso manancial de informação que, espero, possa vir a ser estudado por alguém com capacidade para tal. Temos 17 anos de registos informatizados de produções e sinistralidade. Podemos determinar com muito rigor  a incidência dos principais sinistros em cada ponto geográfico. Um manancial sem fim.

Porque na região temos vindo a abordar cada vez mais o problema da viticultura, fui analisar os dados do seguro para ver o que nos dizem. E, numa primeira análise, há alguns números interessantes.


O primeiro quadro mostra-nos as DCP's seguradas. A apólice da CVRVV não cobre em rigor todos os produtores de uva. Com efeito, são excluídos alguns, entre os quais aqueles que tem produções esporádicas. Num ano produzem, no outro não ao terceiro sim e mais dois não. Ou seja,aqueles que são segurados são os que efectivamente produzem uva regularmente para venda ( ou vinificação ). São pois os "viticultores regulares". E não são os 18.000 que fazem DCP mas sim 10.000. O número tem vindo a descer mas nos últimos dois anos essa tendência susteve-se.


O segundo quadro dá-nos os quilogramas segurados. Excluímos aqui os aumentos feitos pelos produtores. O número de quilos a segurar pelos produtores é feito de acordo com uma fórmula prevista na lei e é uma média histórica das produções de cada um. Sem surpresa, este quadro apresenta uma linha paralela à anterior.

O terceiro é mais curioso, veja em baixo.


Trata-se aqui da produção média por viticultor. Aqui há boas e más notícias. A boa é que a produção média sobe. Ou seja sabemos que há menos produtores no sistema mas os que estão a sair são os mais pequenos e estamos a reforçar os mais produtivos. É um bom sinal. O reverso é que, por muito produtivos que sejam, repare que a média histórica está nas 7 toneladas por produtor.

Admito que esta média tenda a aumentar nos próximos anos até porque estão a entrar em produção mutas vinhas novas apoiadas pelo vitis que naturalmente terão melhores produções do que as que substituiram.  Mesmo assim o peso da micro parcela Minhota é brutal. Os produtores são em média muito pequenos, o que significa que a grande maioria não tem hipótese alguma de fazer vida da produção de uva. Temos parcelas demasiado pequenas, explorações demasiado pequenas.

Os dois quadros seguintes referem-se à sinistralidade. Não tenho comigo dados dos anos 90, mas recordo bem que a geada era o sinistro mais singificativo. Não assim na últma década.



O número de participações de sinistro é interessante até para se perceber a vida que a apólice tem e a infraestrutura de regulatização que tem de existir mas pouco mais. Os picos de sinistralidade sao anos de granizo.


No quadro acima as causas dos sinistros tendo em conta o núemro de participações. Considerei a soma das participações dos últimos dez anos. Resulta claro que são os granizo e a geada os mais relevantes.

Outros apontamentos:

Desde 2013, o seguro vitícola é integralmente financiado pela UE e já não pelo Estado Português, uma excelente medida.

Em 2014 o Estado preparou uma significativa alteração ao quadro legal do seguro agrícola. Será publicada em breve. Temos a maior apólice do país com 10.000 segurados. Fomos consultados? claro que não. Sem stress: quando sair em DR leremos e fazermos para a imprensa as reclamações que forem necessárias.

Para 2015, os  produtores com seguro ( logo, todos os 10.000 ) têm acesso a uma bonificação nos seus financiamentos ao abrigo do Proder.

A apólice de 2015 ainda não está negociada, mais um par de semanas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vinho mais barato do que água ?

Um artigo interessante, da Australia, sobre o preço dos vinhos e a relacção entre os produtores e a distibuição.

http://observador.pt/2015/01/04/ha-um-lugar-no-mundo-onde-o-vinho-e-mais-barato-que-agua/#

Juvenal Peneda

O Vinho Verde deve-lhe muito. A Região Norte também. Tive o gosto de almoçar com ele há poucos meses no exacto dia em que ele, recém motociclista, tinha mandado um valente tombo. Foi tratar-se e almoçamos numa deliciosa conversa com o Douro na frente e o sol a aquecer-nos.

Se formos capazes de ter a energia e a paixão que ele tinha, já teremos feito muito.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Embaixadores a caminho !

Tantas dores de cabeça, tantas horas de trabalho que cada produtor de vinho dedica até esse momento especial que é ver o camião carregado a sair de casa.

Sempre que vou à Sogrape a Avintes é admirável ver os camiões a sair carregados de vinho para tantos destinos que nunca os visitaremos.

Para um peqeuno produtor, cada novo importador, cada encomenda é um motivo de alegria. Há alguns meses um produtor publicou no seu Facebook a foto da sua primeira palete exportada. Fez bem em orgulhar-se do trabalho admirável de plantar uma vinha, de fazer os primeiros vinhos, de correr o mundo com amostras às costas.

Hoje ao abrir o computador dei com estas duas fotos da Provam. A Provam é uma das mais interessantes empresas da região, produz vinhos de excelência e porém é uma sociedade com muitos produtores de pequena dimensão.

Hoje carregaram um contentor que segue para o Brasil. Cito a frase do Post "E é com imenso prazer que nos despedimos de 2014 com mais um contentor cheio de sabor e tradição,para o Brasil!"

Muito bem. E aqui ficam as fotos !