segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Começa a vindima

Primeiro foi um, depois outro, na semana passada já abriu uma empresa grande, hoje abre outra e na próxima segunda-feira 7 abrem várias. A vindima vem de sul para norte e está a chegar ao Minho !

As previsões de colheita, já as publiquei em texto anterior, são de que teremos um pouco mais de branco, cerca de 10 a 15% e um pouco menos de tinto, cerca de 5%. Porém a evolução do clima foi muito boa e 2015 vai ser um excelente ano de qualidade. Bons Vinhos Verdes se anunciam !

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As contas correntes de vinho

Conversa interessante ontem com um produtor que, em preparação da vindima, está a estudar as estatísticas que a CVRVV publica sobre os vinhos e que detectou uma discrepância: é que a produção anual tem sido ligeiramente inferior às vendas mas isso não significa que o stock transitado va aumentando a cada ano.

Pergunta-se então o que acontece a esse excesso ? é eliminado das contas ?

A CVRVV mantém um registo informatizado com as contas correntes de todos os vinhos aptos a DO Vinho Verde e IG Minho. Os produtores e engarrafadores tem acesso às contas individuais através do programa INETSIV e o público em geral tem acesso às estatísticas consolidadas que a CVRVV publica mensamente.

O funcionamento das contas correntes é muito simples e tem por base processo aritméticos também eles simples. Nenhum vinho desaparece, como é evidente. Todos os movimentos a crédito e débito das contas estão fundamentados e documentados e aliás previsto em lei, regulamentos e no manual de qualidade.

O que se passa, e explica esta diferença detectada pelo produtor é o que se demonstra no quadro seguinte, relativo ao ano civil de 2014.



Temos pois que, ao longo do ano, saíram dos saldos de VinhoVerde nada menos de 17 milhões de litros. Uma parte significativa foi desclassificação para IG Minho, geralmente a pedido do produtor. Mas também há desclassificações para "vinho de mesa" e o auto-consumo. Nunca esquecer que a região tem aproximadamente 20.000 produtores e cada um poderia reservar para autoconsumo até mil litros. O facto de só termos 7 milhões de litros que "escapam" para este destino não é nada mau.

Face ao stock limitado que temos, não creio porém que a análise destes números ou a intervenção sobre as suas causas nos resolva a vida. O único que creio que se movimentará nos próximos anos é o da dessclassificação para IG. Esta tenderá a dininuir à medida em que a legislação sobre Alvariho for sendo aplicada pois muito do que temos aqui é Alvarinho e Loureiro. Mas não só, é claro, pelo que nem este número descerá para zero.

O nosso desafio de fundo é outro: precisamos de mais investimento na vinha.

E que tal se começarmos a sensibilizar os produtores de milho para avaliarem a produção intensiva de uva como uma alternativa rentável ?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Eu não vou votar no PCP... mas devia.



Neste blog nunca escrevi sobre partidos. Hoje faço-o e verá que se justifica.

Eu não vou votar no PCP.

Porém hoje recebi um mail do PCP que me levou a escrever este texto. O PCP envia-nos um relatório de todas as acções que tomou no que à agricultura diz respeito na última legislatura. É o único partido que o faz.

Se o meu caro leitor ou leitora falar com os responsáveis de qualquer associação sectorial, verá que a esmagadora maioria lhe diz que o PCP é o partido que mais interage com as associações em Portugal. Seja com sindicatos, associações empresariais, regionais, nacionais, a regra é sempre a mesma: o PCP é o partido que mais informação partilha.

Só aqui na CVRVV ( e presumo nas restantes regiões ) recebemos ao longo da última legislatura dezenas de mails do PCP no Parlamento e do PCP no Parlamento Europeu dando-nos informação da sua actividade quanto à agricultura, colocando-nos questões, enviando-nos documentos. Nós não pedimos nada, é inciativa do partido. E não é iniciativa oca, não é spam. Por mais de uma vez nós respondemos e o nosso parecer foi lido e incorporado nos documentos.

Hoje enviaram o relatório de tudo o que fizeram na legislatura no sector agrícola.

Não se passa uma legislatura em que os deputados do PCP no norte ou o sector agrícola não nos peça uma reunião.  Nesta legislatura, o PCP, o PS e o CDS pediram-nos reuniões.

Não é que nós não tenhamos contactos com todos os partidos, claro que temos e cultivamo-los. Porém a diferença ( e não é pouca ) é que nos restantes partidos temos de ser nós a estabelecer uma rede de contactos e esta invariavelmente tem por base o elemento pessoal, este deputado abre e responde aos mails, aquele atende sempre o telefone, o outro gosta muito do sector do vinho, etc etc. 

No PCP há uma visão estratégica da instituição que obviamente mantém uma boa base de dados e tem uma política de comunicação permanente. Esta permanência é importantíssima.

Há dias, ao ler sobre o processo manhoso de elaboração de listas, descobri que três dos deputados que mais sabem sobre a nossa região e que mais acompanharam o dossier Alvarinho não estão candidatos: Eduardo Teixeira PSD, Jorge Fão PS e Altino Bessa CDS. Enfim é a opção destes partidos. Tenho dos três a melhor avaliação, sendo indiferente de concordei ou discordei de cada um deles nesse caso em concreto. Afirmo que a região fica a perder bons deputados.

Porque diabo é que os grupos parlamentares dos restantes partidos não estabelecem procedimentos de comunicação constante e formal que permita construir dossiers, uma rede de comunicação ? Acham-se importantes, calculo. Não estaria num bom momento para mudar a forma como se faz a política, reduzindo a enorme distância que vai do eleitor até aos importantes senhores do poder?

Tudo isto me irrita precisamente pelo motivo indicado no início do texto: é que eu não sou eleitor do PCP.

Mas que dá vontade ...

sábado, 15 de agosto de 2015

Stocks em Julho

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Mais cedo que nos anos anteriores, começou a vindima na nossa região. Esta semana, as brigadas de controlo da CVRVV assistiram já à vindima e vinificação de Alvarinho. São os primeiros, é certo, o grosso da vindima virá de meio de Setembro até 5/10.

Para melhor análise de detalhe, alarguei o mapa de stocks deste mês a seis anos. Não farei comentário, julgo que o mapa é expressivo.

A este propósito, muito felizes as declarações do Presidente do IVV, Frederico Falcão esta semana quando questionado pela comunicação social sobre o efeito do aumento de produção no preço da uva, Diz ele que não antecipa uma baixa porquanto o país irá repor stocks que estão muito baixos.


domingo, 9 de agosto de 2015

Quinta da Lixa vence a Volta !




Grande vitória da W52 Quinta da Lixa na Volta a Portugal. Pelo terceiro ano vemos esta marca da referência do Vinho Verde a liderar a Volta.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Previsões de colheita 2015

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Aqui fica a previsão de vindima publicada pelo IVV para o continente com base nos dados recolhidos pelas regiões.

Para a nossa região, a previsão da CVRVV feita por inquérito a 50 técnicos da região é no sentido de um aumento de 15% no branco e uma perda de 5% no tinto.

Graficamente para quem não tenha paciência de ver os números:

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Para ler o relatório completo do IVV, clicar aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Green Wine que me faz arrancar os cabelos.


Se há coisa que me irrita são os sites e iniciativas, geralmente na mão de gente que não é do negócio do vinho, e que se referem ao Vinho Verde como Green Wine.

Passo a explicar.


1. É um erro jurídico
As Denominações de Origem não se traduzem. Se traduz Vinho Verde por Green Wine, então traduz Alentejo por Beyond the Tagus e Dão por Give ? Está a perceber o disparate ? E Bordeaux, Vc traduz para português como Borda de Água ?

Pelo contrário Vinho do Porto e Port Wine são assim, e bem, pois a Denominação de Origem é também protegida na língua inglesa. Se designamos o Vinho Verde por este seu nome, estamos dentro de um campo que tem uma enorme protecção jurídica; se, pelo contrário o designamos por Green Wine, essa é uma expressão que não está protegida, pelo que levamos o consumidor outros produtos sem que ele se aperceba do erro.

2. É um erro de comunicação
É desnecessário. O Vinho Verde é conhecido no mundo precisamente por esta designação em língua portuguesa. Não é preciso estar a traduzir, aliás confunde. Temos de reforçar a notoriedade da marca Vinho Verde e não multiplicar as designações vin vert, green wine, vini verdi,etc etc

3. É enganar o consumidor
"Green wine" é mundialmente a expressão utilizada para aquilo que em Portugal chamamos o Vinho Biológico ( seja lá o que isso for e aqui não discuto ). Ora, de entre os Vinhos Verdes, alguns são biológicos mas a maioria não é.

Resumindo, quando explicar a um estrangeiro em língua inglesa o que é o Vinho Verde, use a seguinte expressão: Vinho Verde. Explique que é um produto único no mundo, com uma enorme influência marítima, fale das nossas castas, dos vales dos rios, explique que já se fazia aqui vinho no tempo dos romanos mas - por favor - esqueça lá o green wine.