quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Brasil: o tolo proteccionismo


Todos os dias faço isto: assino uma série de certificados de origem de Vinho Verde a exportar para o Brasil.Os certificados são indispensáveis para a mercadoria ser desalfandegada no destino. Assinar um certificado é um gosto: em cada um, estão centenas de horas de quem cultivou a vinha, de quem fez o vinho, de quem foi ao Brasil tratar de o vender, sabe-se lá com que dificuldades até ao dia em que fechou cada um daqueles negócios.

Comecemos então pelas boas notícias. Cada certificado de exportação corresponde a, no mínimo uma palete, e geralmente várias, ou um contentor, Ou mais. Em 2015 exportamos 3 milhões de euros para o Brasil e em 2016 já íamos em 1,6 milhões em Julho, o que quer dizer que vamos ultrapassar o valor do ano passado. O Brasil está agora a entrar no tempo quente.

Isto são portanto boas notícias. É um mercado importante e o Vinho Verde está lá em força.

E agora: o resto.

As autoridades do Brasil querem dificultar as importações. Já perceberam que hoje isso não se pode fazer proibindo-as ou impondo quotas ou com tarifas alfandegárias. Vai daí encontraram um lindo esquema: para serem desalfandegados, os vinhos têm de ser acompanhados de um certificado de origem assinado à mão, a azul. Repito, à mão e a azul.

Um colega meu de outra região fez a experiência: assinou a preto. Resultado, o importador não conseguiu desalfadegar até que essa região enviasse uma certidão assinada à mão e a azul a confirmar que os documentos assinados a preto eram originais.

É o único país do mundo que pede tal coisa. E andamos nisto...


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