quarta-feira, 29 de junho de 2016

Os mercados em Abril


Vamos recebendo ao longo do ano os dados de exportação coligidos pelo INE/Intrastat. Com cada mapa recebemos uma actualização dos anteriores pelo que este mapa, só de Abril, deve ser visto com cuidado.

Breves apontamentos da sua leitura.


  • EM GERAL estamos tal como em 2015, com 8,7 milhões de litros exportados no período, até com um ligeiríssimo crescimento;
  • ESTAMOS OPTIMOS, em França, Canadá, Bélgica, Holanda, Suécia, Moçambique;
  • ESTAMOS NA MESMA em EUA e Alemanha, os nossos maiores clientes;
  • ESTAMOS A LEVAR PARA TABACO em Brasil, Luxemburgo e Angola.

Uma curiosidade: no Japão, mercado que estamos a começar a trabalhar recentemente, crescemos 30%.

Seja como for, repito, são dados muito iniciais.

domingo, 26 de junho de 2016

4 ideias sobre Brexit e o Vinho Verde


Pediram-me para escrever um artigo para um jornal sobre as vantagens e inconvenientes do Brexit e dei comigo a pensar se haverá vantagem alguma. Na melhor das hipóteses, se o euro se desvalorizar ganharemos alguma competitividade em países terceiros...

Aparte a excitação de políticos e teóricos que se entusiasmam sempre com cenários catastróficos, as empresas, a criação de emprego e - concretamente - as pessoas normais, desenvolvem com sucesso a sua vida em condições de alguma estabilidade e previsibilidade.

Nenhuma das duas caracteriza, infelizmente, os dias que vivemos.

Para o negócio do vinho, não faz sentido analisar o Brexit só por si, uma vez que este terá consequências nas economias mundiais.

Não tendo a veleidade de dominar o assunto e menos ainda de antever o futuro, aqui deixo algumas notas:


  • a questão cambial - a descida da libra, alguma descida do euro e uma possível valorização correspondente do dólar a ter em conta. A instabilidade cambial é um problema, é preciso gerar defesas pois pode fechar um mercado de um momento para outro; é certo que alguma desvalorização do euro nos pode ajudar em países terceiros;
  • o mercado Britânico - mesmo que saia da UE, o Reino Unido permanecerá no acordo "Espaço Económico Europeu" pelo que não é de esperar que apareçam barreiras administrativas significativas como novas regras de rotulagem ou vinificação. Tal como estão hoje por exemplo a Noruega e a Islândia. Porém é claro que a economia Britânica vai passar dias difíceis, a desvalorização da libra vai acarretar uma maior inflacção. Não é de esperar pois um crescimento do negócio a retalho, isto na melhor da hipóteses. E não esquecer que os nossos produtos chegarão lá mais caros.
  • o calendário -  desvalorização da libra e o efeito nos mercados começa já. A saída, em concreto da UE ( se acontecer ) é um processo longo de meses ou anos que acarreta negociações complexas de dezenas de dossiers;
  • o resto - aqui a análise de cada um vale o mesmo que as demais. Eu não estou nada optimista, estou convencido que este processo terá ondas de choque políticas em vários Estados e económicas a nível mundial. Temos de nos preparar para dias ainda mais difíceis. Ser cada vez mais profissionais, escutar o cliente, inovar, fazer bem, valorizar as marcas, conter custos em absolutamente todo o processo produtivo e diversificar mercados. Ter clientes em Portugal e fora, no Euro e fora deste, no hemisfério norte e sul. Quando maior a repartição, melhor se poderá gerir o risco. Já agora, ter sempre presente que a generosa política agrícola da UE não vai durar ara sempre.

Vamos a ver o que nos trará o futuro. Estejamos de olhos bem abertos e de cabeça fria para tomarmos boas decisões.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Fundos comunitários: tocar ao ritmo


Quem prepara candidaturas a fundos comunitários já tem como certo que o conteúdo de uma candidatura é o equilíbrio, tão elegante quanto possível, entre aqueles investimentos que o candidato pretende fazer e para os quais procura apoio, e a resposta positiva que se deve dar a alguns requisitos mais ou menos irrelevantes, não porque estes sejam importantes ao investimento, mas apenas porque o cumprimento destes ajuda à aprovação da candidatura.

Não raras vezes os regulamentos cedem à tentação de ser demasiado programáticos. Abrem candidaturas para projectos com um determinado fim mas depois vai-se ao pormenor de indicar como deve ser feto, com quem, quando, enfim, inúmeros detalhes. Isto é transversal em projectos de várias áreas. Não duvido que a intenção do legislador seja boa, mas o resultado inevitavelmente é mau.

Vem isto a propósito de uma nova vaga de apoios para a promoção que tem como exigência da Comissão Europeia que haja a integração de novos mercados a cada candidatura, sendo que um mercado exportador não pode receber investimento por período superior a três anos. Sublinhe-se que é uma exigência da UE, não do nosso Estado.

A intenção da Comissão compreende-se: pretende que haja um alargamento dos mercados de exportação. Respeito-a. Porém é tecnicamente errada e por isso levará à má aplicação dos investimentos.

O investimento num mercado externo é algo de estratégico, de profundo. Tem se ser bem preparado, tem de ser bem municiado e demora tempo. A ideia de que em três anos se consegue um importador, distribuição e fazer marca é absolutamente ilusória, é um erro técnico. Não se consegue.

Se isto é verdade para um pequeno mercado, é infinitamente mais evidente em mercados gigantes como um Brasil, os Estados Unidos ou o Canadá. Qualquer destes países é um continente, não um país, onde cada estado ( províncias no caso do Canadá ) tem regras próprias e em muitos casos importadores próprios. Não faz sentido nenhum um produtor começar a investir nos EUA e, ao fim de três anos, deixar de o fazer ou deixar de ter apoios e reduzir brutalmente o seu investimento. É desperdiçar meios.

Do mesmo modo não faz sentido andar a cada ano a lançar um novo mercado. É uma ingenuidade. A abertura de um mercado é uma decisão estrutural, tem de ser ponderada, o mercado tem de ser estudado e, uma vez decidido, agora inevitavelmente voltamos ao ponto anterior, é preciso ser coerente e resiliente até aparecerem os resultados..

São os processos de trabalho árduo e metódico que abrem mercados, não os tiros para o ar.

Gostava que a Comissão Europeia fosse mais aberta aos contributos dos sectores. Porém nem sempre assim acontece. Sendo assim faremos como os músicos: tocaremos ao ritmo que nos obrigarem. Nós e milhares de investidores pela Europa fora.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Atribuição de autorizações de plantação

Dado que o primeiro prazo e candidaturas para a atribuição de autorizações de plantação não esgotou a área disponível, o IVV-Instituto da Vinha e do Vinho, está a abrir um novo período de candidaturas, a decorrer de 22 a 30 de Junho.

Este novo período de candidaturas não abrange o Alentejo, Douro e Madeira que já esgotaram a respectiva área disponível.

Um apelo aqui muito forte a todos aqueles que pretendem investir em áreas de vinha para Vinho Verde pois a facilidade com que este ano se conseguem autorizações de plantação não se irá repetir em anos futuros.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Intervenções em verde: Vale de Cambra em força !

Quando me dirigi a Vale de Cambra para a acção de formação da Academia do Vinho Verde sobre intervenções em verde já contava como certo que seria uma sessão muito participada. Não contava era que, além dos muitos inscritos, ainda chegassem mais produtores, para um total de quase uma centena de participantes.

Excelente acção de formação sobre intervenções em verde, das quais deixo aqui algumas fotos da autoria do Engº Nuno Vieira Silva, enólogo da Adega.

Próximas acções com o mesmo tema, em:

  • 28 de Junho na Cooperativa de Felgueiras
  • 5 de Julho na EVAG


Teresa Mota, oradora

José Pinheiro, presidente da Adega e Autarca abriu a sessão

Gonçalo Magalhães da CVRVV

Uma sala cheia !

Sessão de abertura

terça-feira, 7 de junho de 2016

Stocks e vendas em Maio

Como é habitual no início de cada mês, a análise dos fechos no mês anterior.

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Os stocks estão dentro do que vimos vendo. Estamos a poucas semanas de perceber o que poderá ser a próxima campanha mas o stock actual é suficiente para manter o negócio de forma confortável. É pois um mapa de alguma serenidade e que permite sustentar aumentos de vendas.


Após um início de ano mais tímido, as vendas de brancos começaram a crescer e vão já com 5,9% acima do ano passado em igual período acumulado. Pelo confronto destes mapas com os de mercado externo e interno, diria que este aumento é sobretudo puxado pela exportação, sendo que o mercado nacional pouco crescerá.


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Após vários anos em subida, o rosado parecia ter atingido um patamar. Porém já percebemos que não é assim. Volta a crescer e de uma forma que pode indicar que 2016 ou, o mas tardar, 2017 poderá ser o ano em que vendemos mais rosado do que tinto.

Já o escrevi anteriormente, estamos a fazer um projecto de reanalise dos tintos, em articulação com empresas e cooperativas o qual se afigura ainda mais importante neste contexto.

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Muito bem o Alvarinho e o Loureiro. Não temos dados do lote combinado das duas castas mas claramente estará a ter o mesmo comportamento. É importante que estes segmentos cresçam e é muito importante que cresçam acima daquilo que são os valores do branco de lote pois isso significa que estamos a valorizar a região.