terça-feira, 11 de outubro de 2016

Stocks e vendas em Setembro

Ainda é cedo para termos uma ideia das produções mas diria que a quebra no branco andará perto dos 18 a 20% face ao ano passado. Mas isso se verá mais tarde; para já stocks.

Este é o mapa de stocks a 30 de Setembro ou seja não inclui quantidade alguma dos manifestos deste ano.


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Como venho escrevendo, o stock estava confortável antes da vindima. E estava sobretudo no branco. 

É um cenário que nos permite encarar sem preocupação especial a quebra que a vindima virá a relevar.


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Muito sólidas as vendas de branco. É certo que  gráfico parece indicar um aumento superior mas. seja como for, 6,1% é um valor optimo, ajudado por um verão seco e quente até tarde.

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Melhor, as vendas as castas, Loureiro e Alvarinho. Excelentes resultados, vão terminar o ano muito bem. São produtor de valor, que geram não só negócio mas ainda uma melhor imagem de toda a região.

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Único ponto menos bom é o retratado na imagem acima, o tinto. Mantém.se a queda estrutural que já conhecíamos. Aliviada, é certo. pela maior venda de rosado. Aliás na vindima que hoje termina será também maior a produção de tinto, antecipando-se que seja feito mais rosado.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Novo imposto sobre o vinho em Janeiro ?


Já escrevi sobre este assunto em 2011, e na altura nada sucedeu, mas as notícias de hoje justificam séria preocupação do sector: podemos ter um novo imposto à nossa porta.

Tecnicamente não é um novo imposto. Trata-se do IABA, Imposto sobre  álcool e bebidas alcoólicas que já incide sobre o vinho com a taxa 0 e que passará a ter uma taxa positiva.

A aplicação deste imposto a sector, a ocorrer, vai mudar muito o panorama do negócio. É que o que está em questão não é só o custo do imposto. Muito ao correr da pena, passo a explicar:

  • o custo é a primeira e mais óbvia consequência. Não sabemos qual o valor, mas o produto final vai ficar mais caro;
  • talvez menos óbvio mas definitivamente importante é que o modelo de gestão de stocks e logística do sector vai mudar. Passaremos a operar com um produto sujeito a IEC  e a ter como principal interlocutor a Alfandegas ( AT ); os vinhos passarão a ter de passar por entrepostos fiscais em regime de suspensão, qualquer falta de rigor nos stocks passa a ser uma fraude fiscal;
  • coloca-se em óbvia questão o futuro do IVV, dado que o produto passará no seu volume principal a ser controlado pelo Ministério das Finanças;
  • importa recordar o que se passou quando o IABA passou a incidir sobre as aguardentes: centenas de produtores fecharam. Não tenho dúvida nenhuma que o mesmo vai suceder agora, em maior volume. Sobretudo no centro e norte do país, há muitas pequenas e médias empresas familiares que operam em mercados de entrada de gama e com alguma informalidade. Informalidade de procedimentos, não fuga ao fisco. Ora estas estão completamente incapazes de se defender de um sistema que as multará quando tiverem pequenas diferenças de stock, pequenos atrasos na emissão de documentos e mapas.

Encaro, não o escondo, esta notícia com a mais elevada preocupação.

Sempre tentei, e tentarei, não misturar política e considerações pessoais nesta página. Porém não posso deixar de expressar a minha preocupação: para onde vai o país, cada vez mais afundado neste rumo de sofreguidão fiscal em que cada eleição coloca no poder alguém que nos promete alivio fiscal e o que faz é exactamente o oposto.

Lembro-me a este propósito de Durão Barroso que em 2002 foi eleito para praticar um "choque fiscal" e que semanas após a posse descobriu que o Estado estava "de tanga", foi ao parlamento dize-lo e aumentou impostos. Depois dele todos o fizeram: Santana, Sócrates, Passos e Costa todos igualmente prometeram o céu mas só entregaram impostos e sacrifico.

Dizia-se que Portugal viveu acima das suas possibilidades. Eu diria que o Estado Português gasta acima das nossas possibilidades.

Novo imposto sobre o vinho em Janeiro ?


Já escrevi sobre este assunto em 2011, e na altura nada sucedeu, mas as notícias de hoje justificam séria preocupação do sector: podemos ter um novo imposto à nossa porta.

Tecnicamente não é um novo imposto. Trata-se do IABA, Imposto sobre  álcool e bebidas alcoólicas que já incide sobre o vinho com a taxa 0 e que passará a ter uma taxa positiva.

A aplicação deste imposto a sector, a ocorrer, vai mudar muito o panorama do negócio. É que o que está em questão não é só o custo do imposto. Muito ao correr da pena, passo a explicar:

  • o custo é a primeira e mais óbvia consequência. Não sabemos qual o valor, mas o produto final vai ficar mais caro;
  • talvez menos óbvio mas definitivamente importante é que o modelo de gestão de stocks e logística do sector vai mudar. Passaremos a operar com um produto sujeito a IEC  e a ter como principal interlocutor a Alfandegas ( AT ); os vinhos passarão a ter de passar por entrepostos fiscais em regime de suspensão, qualquer falta de rigor nos stocks passa a ser uma fraude fiscal;
  • coloca-se em óbvia questão o futuro do IVV, dado que o produto passará no seu volume principal a ser controlado pelo Ministério das Finanças;
  • importa recordar o que se passou quando o IABA passou a incidir sobre as aguardentes: centenas de produtores fecharam. Não tenho dúvida nenhuma que o mesmo vai suceder agora, em maior volume. Sobretudo no centro e norte do país, há muitas pequenas e médias empresas familiares que operam em mercados de entrada de gama e com alguma informalidade. Informalidade de procedimentos, não fuga ao fisco. Ora estas estão completamente incapazes de se defender de um sistema que as multará quando tiverem pequenas diferenças de stock, pequenos atrasos na emissão de documentos e mapas.

Encaro, não o escondo, esta notícia com a mais elevada preocupação.

Sempre tentei, e tentarei, não misturar política e considerações pessoais nesta página. Porém não posso deixar de expressar a minha preocupação: para onde vai o país, cada vez mais afundado neste rumo de sofreguidão fiscal em que cada eleição coloca no poder alguém que nos promete alivio fiscal e o que faz é exactamente o oposto.

Lembro-me a este propósito de Durão Barroso que em 2002 foi eleito para praticar um "choque fiscal" e que semanas após a posse descobriu que o Estado estava "de tanga", foi ao parlamento dize-lo e aumentou impostos. Depois dele todos o fizeram: Santana, Sócrates, Passos e Costa todos igualmente prometeram o céu mas só entregaram impostos e sacrifico.

Dizia-se que Portugal viveu acima das suas possibilidades. Eu diria que o Estado Português gasta acima das nossas possibilidades.



O meu artigo de 2011 pode ser lido aqui.